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Nota de Esclarecimento
O Ministério da Defesa (MD) esclarece que a nota 'Quem gasta muito com militares são regiões conflagradas', de autoria do economista Edmar Bacha, publicada na Coluna Anselmo Gois, no jornal O Globo de 19AGO2020, está equivocada e suas conclusões não correspondem ao contido na fonte mencionada.
Na realidade, de acordo com o citado “SIPRI Year Book”, em termos regionais, o Brasil (com 1,47 % do PIB) ocupa atualmente, na América do Sul, o sétimo lugar em gastos proporcionais de defesa, ficando atrás de Colômbia, Equador, Uruguai, Chile, Guiana e Bolívia, sem contar a Venezuela, que não disponibiliza seus gastos.
Em termos globais, vários países, que claramente não se encontram em regiões conflagradas, como Austrália, França, Inglaterra e México, dentre outros, possuem gastos proporcionais bastante superiores aos do Brasil.
A estatura estratégica do Brasil, suas dimensões continentais, extensas fronteiras, águas jurisdicionais (“Amazônia Azul”), inestimáveis riquezas naturais, espaço aéreo e vigoroso comércio, assim como sua vocação como líder regional e ator global, recomendam a busca de investimentos compatíveis para a sua defesa.
Além disso, em função das características do País, as Forças Armadas realizam, há muitos anos, inclusive por força de lei, atividades subsidiárias diretamente ligadas ao desenvolvimento social e ao bem-estar da população. Tais atividades abrangem áreas de atuação de diversos ministérios, levando água às populações atingidas pela seca no nordeste, prestando atendimento de saúde às populações ribeirinhas, construindo e reparando infraestrutura, realizando pesquisa científica na Antártica, participando de operações de paz em vários países, coordenando projetos sociais em todo o território nacional, acolhendo imigrantes e refugiados, dentre inúmeras outras atividades. Em vários locais, muitas vezes, representam a única presença do Estado e a única esperança das populações. No momento, além de tudo isso, as Forças Armadas empregam, diariamente, cerca de 34.000 militares no combate ao novo coronavírus e aos crimes ambientais na Amazônia Legal.
A busca gradual de um patamar de 2% do PIB, longe de “seguir um mau conselho de Trump”, reflete iniciativa da OTAN, datada de 2014, ou seja, muito anterior à gestão do atual presidente dos EUA. Dos 28 países integrantes, nove já ultrapassaram essa meta e outros sete estão muito próximos de atingi-la. O percentual médio vem subindo ano após ano e, hoje, o investimento médio encontra-se em torno de 1,8 % e em ascensão.
Finalmente, sob a ótica da economia, é fundamental destacar que os investimentos em defesa constituem importante fator de desenvolvimento. No Brasil, são gerados 285 mil empregos diretos e 850 mil indiretos. A indústria de defesa, em 2019, exportou mais de R$ 6 Bi e, para 2022, há previsão de mais de R$ 20 Bi. Atualmente, a Base Industrial de Defesa representa cerca de 4% do PIB do País, de maneira direta, e o efeito multiplicador é o maior de todos os setores, industriais ou não, mostrando o enorme potencial dos investimentos em defesa. Além disso, esses investimentos estão fortemente relacionados à ciência, à tecnologia e à inovação, uma vez que a Defesa vive, necessariamente, na fronteira do conhecimento tecnológico e tem, como uma de suas características principais, o caráter dual. Recentemente, essa característica permitiu rápida adaptação da indústria de defesa, contribuindo diretamente para a produção de respiradores, essenciais na atual pandemia.
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa
(61) 3312-4071