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NOTA
Presidente Otto Lobo inicia renovação ampla nas Superintendências da CVM
O presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Otto Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo, promoveu em 08.06.2026, como seu primeiro ato à frente da autarquia, trocas na titularidade de seis superintendências da CVM. Também houve alteração na Superintendência-Geral da Autarquia.
A medida marca o início de uma gestão que se propõe a preparar a CVM para um ciclo inédito de expansão de suas capacidades institucionais e tecnológicas.
As mudanças se concentram em áreas que não são responsáveis diretas pela fiscalização do mercado de valores mobiliários, alcançando a Superintendência Seccional de Desenvolvimento e Modernização Institucional, Superintendência Administrativo-Financeira, a Superintendência de Desenvolvimento de Inteligência, a Superintendência de Planejamento e Inovação, a Superintendência de Tecnologia da Informação e a área de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade.
"Estou assumindo a presidência da CVM em um momento singular para o mercado de capitais brasileiro e isso impõe responsabilidades que não podem ser adiadas. Pela primeira vez na história do país, o financiamento de longo prazo é predominantemente dependente do mercado de capitais. Isso é o resultado de décadas de construção regulatória séria. Preservar e amplificar essa conquista exige que a CVM esteja à altura do que o mercado e os investidores esperam dela."
Otto Lobo, Presidente da CVM.
Novos titulares virão da própria CVM
A renovação, de acordo com o presidente, é fruto de uma análise cuidadosa, que apontou a possibilidade de melhor aproveitamento do pessoal da CVM, formado por profissionais sérios e técnicos, com enorme potencial e experiência no órgão regulador do mercado. O intuito é montar o time ideal para lidar com a escala e a urgência da agenda que se pretende executar daqui em diante.
"Analisei com cuidado o funcionamento da autarquia e cheguei à conclusão de que determinadas áreas estratégicas precisam de novos olhares para desbloquear o potencial que existe aqui dentro. A CVM tem um corpo técnico qualificado e comprometido. O que estou fazendo é reorganizar a liderança para que esse potencial se converta em resultados concretos para o mercado e para os investidores. Mais do que um poder, entendo que neste momento é o meu dever para com os regulados e com o Brasil.
A Comissão de Valores Mobiliários agradece imensamente a cada um dos superintendentes que deixam o cargo nesta data pelos serviços prestados ao órgão e ao país, sendo certo que eles continuarão a contribuir para o avanço do mercado de capitais brasileiro."
Otto Lobo, Presidente da CVM.
Os superintendentes da CVM ocupam cargos de confiança de grande relevância estratégica, sob indicação direta do presidente da autarquia (conforme art. 7º, inciso VI, do Regimento Interno), e são responsáveis pela coordenação de áreas a eles subordinadas, sejam elas voltadas para a administração da autarquia ou para a realização das suas atividades de fiscalização, supervisão e regulamentação do mercado de capitais.
Os servidores que até hoje ocupavam as posições substituídas permanecerão no quadro permanente da autarquia.
O desafio à frente: tecnologia, tokenização e fiscalização
A renovação da liderança técnica é, para Otto Lobo, o primeiro passo de uma agenda mais ambiciosa. O principal desafio que a nova gestão se propõe a enfrentar é a transformação digital do mercado de capitais – e a necessidade de que a CVM esteja equipada para supervisioná-lo à altura.
"O mercado está mudando de forma dramática e acelerada. Tokenização e inteligência artificial estão reconfigurando a forma como ativos são emitidos, negociados e custodiados. A CVM precisa regular dois mercados em paralelo (o tradicional e o tokenizado) sem parar nenhum dos dois. E para isso precisamos investir pesado em tecnologia e em pessoas com o perfil certo", afirma Lobo.Os investimentos em tecnologia previstos para os próximos meses se apoiam em uma perspectiva orçamentária significativamente mais robusta do que a que a autarquia teve historicamente à sua disposição. O destino desses recursos já está definido: pessoas, infraestrutura, sistemas e capacitação.
Esses recursos serão aplicados, prioritariamente, na construção de uma infraestrutura de supervisão de mercado capaz de monitorar simultaneamente o ambiente tradicional e a camada on-chain dos ativos digitais – com ferramentas de market surveillance, análise de blockchain e rastreamento de risco de transações impulsionadas por inteligência artificial. "A supervisão baseada em IA, capaz de cruzar dados on-chain e off-chain e detectar manipulação em mercados tokenizados em tempo real, deixou de ser uma aspiração: é o padrão que vamos perseguir", disse o presidente.
Na agenda regulatória, a CVM iniciará nos próximos cem dias um processo de discussão pública dos pilares do marco regulatório da tokenização, com espaço para contribuições do mercado, de investidores e da sociedade. O objetivo é colocar o Brasil na vanguarda regulatória global do tema, atraindo investimentos com mais segurança, transparência e eficiência para os mercados.
"Temos cinquenta anos de uma história que nos enche de orgulho e nos dá maturidade para enfrentar o futuro. Temos o combustível financeiro para investir como nunca investimos. E agora temos o time para executar. Não existe razão para não aproveitarmos esse momento. Vamos rumo às próximas cinco décadas da CVM!"
Otto Lobo, Presidente da CVM.
Os nomes dos novos titulares das superintendências objeto das mudanças serão divulgados em breve.