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ANUÁRIO
Secretaria de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento apresenta entregas de 2025, com recorde número de pleitos selecionados pela Cofiex
A Secretaria de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento (Seaid) do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) divulgou nesta quarta-feira (4/2) seu Anuário 2025. A publicação reúne destaques das atividades da Secretaria no último ano, dividida em capítulos que abordam: gestão dos pagamentos de contribuições, integralizações de cotas e recomposições a fundos internacionais, instituições financeiras internacionais, integração econômica, financiamento externo e as perspectivas para 2026.
Lançamento ocorreu nesta quarta (4/2) em evento que contou também o lançamento do Portal Ybi de Pagamentos a Organismos Internacionais e cerimônia de entrega do 1º Prêmio Antônio Sabino para Iniciativas Inovadoras em Financiamento Externo
Na área de financiamento externo, a publicação aponta que 2025 registrou recorde de autorizações pela Comissão de Financiamento Externo (Cofiex): 85 pleitos aprovados, somando US$12,8 bilhões em financiamento para projetos estruturantes.
Esse incremento no volume de autorizações observado nos últimos anos evidencia o compromisso estratégico da Cofiex em fomentar, com segurança e diversificação, projetos de impacto, que impulsionam o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento econômico, sem acarretar risco adicional de deterioração fiscal. A segurança decorre do fato de que os limites estabelecidos para as operações de crédito externo são definidos pelo Tesouro Nacional, com base em análises criteriosas do cenário fiscal, a fim de preservar a sustentabilidade das contas públicas dos entes que solicitam a modalidade de crédito.
Com os novos critérios e sistema de pontuação da Cofiex instituídos em 2025, são priorizados os impactos potenciais e áreas de grande relevância para a população, e muitas vezes desafiadoras do ponto de vista da execução para estados e municípios. O financiamento externo se torna uma ferramenta importante para o desenvolvimento de soluções de forma qualificada, já que os projetos contam não só com o apoio financeiro em condições favorecidas, mas com expertise das instituições multilaterais de desenvolvimento na sua preparação e execução.
O gráfico abaixo ilustra a distribuição dos financiamentos externos autorizados entre as diversas regiões do país. Em âmbito nacional (projetos federais), o valor total autorizado pela Cofiex em 2025 alcançou US$4,8 bilhões, correspondendo a 37,5% do total financeiro do ano. Em termos de alocação regional, as regiões, ordenadas pelo montante autorizado, são as seguintes: Sudeste, US$ 3,0 bilhões (23,6%); Nordeste, US$ 2,9 bilhões (22,9%); Norte, US$ 1,0 bilhão (8,0%); Sul, US$ 0,7 bilhão (5,8%); Centro-Oeste, US$ 0,3 bilhão (2,2%).
Além disso, a Comissão alcançou avanços institucionais que incluíram um novo marco regulatório, o novo Portal de Financiamento Externo (PFE) e a criação de limite específico para operações em moeda local, eliminando riscos cambiais, especialmente importante para entes menores, como os municípios. Foram registrados avanços nas agendas de financiamento internacional verde/climático e de equidade de gênero, em consonância com as prioridades do Governo Federal e com a crescente centralidade da transição justa nas políticas de desenvolvimento. Neste eixo, destacam-se:
1. Realização da primeira reunião técnica da Aliança para Gênero e Empoderamento Feminino no Financiamento Internacional;
2. A segunda edição da capacitação em financiamento externo para gestoras estaduais e municipais, com incorporação de etapa de assistência técnica;
3. Ações realizadas na Semana de Inovação da ENAP, incluindo oficina prática voltada a projetos ambientais e climáticos e mesa-redonda sobre diversidade e clima;
4. Webinário temático no âmbito do ciclo Rumo à Belém, dedicado a financiamento externo e políticas integradas para o desenvolvimento sustentável na Amazônia;
e 5. A instituição do Prêmio Seaid Antônio Sabino, voltado à disseminação e ao reconhecimento de iniciativas transformadoras em sustentabilidade ambiental e climática.
Organismos Internacionais
Na gestão de pagamentos de contribuições a organismos internacionais, integralização de cotas em instituições financeiras internacionais e recomposições de fundos, o MPO, além de ter mantido o governo federal em dia com todos os pagamentos devidos, empreendeu um esforço pela modernização da gestão dessas contribuições, concluindo o desenvolvimento do Ybi — Portal de Pagamentos do Governo Federal a Organismos Internacionais.
A plataforma foi concebida para centralizar o envio, a análise, o planejamento e o acompanhamento dos pagamentos, promovendo maior eficiência administrativa, segurança da informação e redução de erros operacionais. Como entrega adicional à sociedade, o Ybi contará com um painel de consulta pública, ampliando a transparência e o acesso às informações sobre os compromissos internacionais do Brasil.
A Seaid foi responsável pelo pagamento de aproximadamente R$2,2 bilhões a instituições que exercem um importante papel na coordenação entre os países e no enfrentamento aos principais desafios globais, que demandam atuação coletiva. Isso reforça o empenho do governo brasileiro na manutenção de compromissos históricos e destaca a credibilidade do país no sistema internacional, incluindo contribuições à ONU e a outros organismos multilaterais, como os organismos financeiros e aqueles de temática ambiental.
Bancos Multilaterais de Desenvolvimento
No relacionamento com instituições financeiras internacionais de desenvolvimento, o Brasil participou ativamente das reformas de governança dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento sob sua responsabilidade, garantindo maior representatividade e acesso a recursos desses organismos.
Os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs) são instituições financeiras multilaterais destinadas a financiar projetos de investimentos ou de políticas que tenham elevado retorno social, oferecendo crédito de longo prazo, assistência técnica ou instrumentos de mitigação de riscos, em condições mais favoráveis que as do mercado privado.
A Seaid coordena o relacionamento institucional do país com as diretorias-executivas residentes e a participação do País nas diretorias-executivas não residentes, assembleias de governadores e outras instâncias de governança, tendo papel decisivo nas suas definições relativas à governança, estratégia, investimentos e fornecimento de capacitação técnica no âmbito multilateral regional. Os BMDs sob o escopo da atuação da SEAID são:
• Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID);
• Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF);
• FONPLATA – Banco de Desenvolvimento (FONPLATA);
• Banco de Desenvolvimento do Caribe (BDC);
• Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
Além disso, foram avaliadas propostas de operações com o setor privado (sem garantia soberana) que totalizaram US$1,2 bilhão em investimentos em infraestrutura, saneamento e inovação. Nesta área destaca-se também a realização da 55ª Reunião Anual do Banco de Desenvolvimento do Caribe (BDC) em Brasília, em junho de 2025, pela primeira vez no Brasil.
Na área ambiental, destacou-se a articulação junto ao BID e à presidência brasileira da Rede de Ministros de Finanças e Planejamento da Amazônia para o lançamento de um mecanismo financeiro inovador, o “Fundo Amazônia Sempre para Cidades e Infraestrutura Resiliente” (Amazon Forever Facility), durante a COP-30, que deverá mobilizar US$1 bilhão para as cidades da região, onde vive cerca de 70% da população da região, complementando as iniciativas voltadas à preservação dos recursos naturais da região.
Por fim, no eixo de integração econômica, o Brasil retomou protagonismo no Mercosul, com a aprovação e início da execução de novos projetos brasileiros pelo Fundo de Convergência do Mercosul (Focem), após mais de uma década de inatividade, além da retomada, em conjunto com o Itamaraty, das discussões para uma 2ª Etapa do Fundo (“FOCEM 2”).
2026
Para este ano, a publicação aponta entre as principais entregas previstas: a adição de melhorias ao Portal Ybi de Pagamentos do Governo Federal a Organismos Internacionais e ao Portal de Financiamento Externo (PFE), com novos módulos e funções.
A Secretaria continuará atuando para a aprovação dos novos projetos brasileiros remanescentes com recursos do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem); e a ampliação da cooperação técnica com bancos multilaterais para o Brasil.
Será também lançado o primeiro livro institucional da SEAID, em esforço para disseminação do conhecimento e estímulo ao debate nas principais áreas de atuação da Secretaria.
Todas essas ações previstas reafirmam o compromisso do Brasil com a integração regional, a sustentabilidade e a modernização da gestão pública, com o objetivo maior de promover o desenvolvimento econômico e social inclusivo do País e da nossa região.