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Brasil transfere presidência da Rede de Ministros de Planejamento e Finanças Amazônicos ao Equador
Após um período de três anos à frente da Rede de Ministros de Planejamento e Finanças Amazônicos, o Brasil, representado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), transferiu ao Equador a presidência da Rede. A transmissão ocorreu nesta sexta-feira (13/3) em Assunção, capital Paraguaia, durante a Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A secretária de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do MPO, Viviane Vechi, representando a ministra Simone Tebet, transferiu o cargo para a ministra de Economia e Finanças do Equador, Sariha Moya Angulo.
A Rede de Ministros foi criada com o objetivo comum de ampliar a integração e o desenvolvimento da Amazônia e proteger o meio ambiente e a população amazônida. “Com o apoio do BID, dentro do Programa Amazônia Sempre, passamos a desenvolver iniciativas de cooperação e a discutir formas de ampliar o financiamento e impacto na região”, aponta a secretária Viviane Vecchi.
O Amazônia Sempre trouxe avanços no financiamento de projetos e assistência técnica, apoiou iniciativas inovadoras, e realizou estudos relevantes para a compreensão da região e o impulsionamento do desenvolvimento sustentável.
Como exemplo é possível citar o desenvolvimento de uma taxonomia para biodiversidade e a criação da Plataforma Amazônia Sempre 360+. Dessa forma, diversos projetos se tornaram possíveis na região, em áreas como agricultura, modernização do estado, descarbonização, bioeconomia, conservação e reflorestamento.
Na área de finanças, houve emissões de títulos amazônicos realizada pelo BID e pelo BID Invest, que já captaram centenas de milhões de dólares em mercados ao redor do mundo para o financiamento de iniciativas sociais e de conservação na Amazônia. Por meio de operação de garantia, blended finance, produtos financeiros inovadores e até parcerias público-privadas, o Amazônia Sempre foi capaz de potencializar ainda mais os investimentos e os impactos na região.
Para a secretária, o engajamento do BID vem sendo fundamental também para impulsionar o Plano de Transformação Ecológica brasileiro, “permitindo a execução de programas como o Eco-Invest, o Pro-Biomas e o Amazônia para Todos”, afirma Vecchi.
Mas ela destaca que a importância da iniciativa vai além do apoio financeiro e técnico: “O programa tem uma importância única como foro de reflexão, diálogo e integração entre nossos países. Essa maior coordenação proporciona que nossas iniciativas tenham maior impacto e transmite uma imagem mais forte para fora da região”, ressaltou Viviane.
“No dia de hoje, o Brasil encerra seu ciclo à frente da Rede de Ministros, com a certeza do dever cumprido e desejando sucesso ao nosso sucessor Equador, na pessoa da Ministra Sariha Moya. Dessa forma, felicito a Ministra Moya. Conte com nosso apoio”, concluiu a secretária na ocasião.
Conexão Regional
A conexão regional foi tema de uma mesa redonda de discussão ministerial. A discussão girou em torno das redes de conectividade integradas regionalmente — em transportes, energia e infraestrutura digital — como infraestrutura econômica essencial para o crescimento da produtividade, atração de investimentos e resiliência econômica de longo prazo na América do Sul. A discussão enfatizou a necessidade urgente de decisões de investimento coordenadas e transfronteiriças, à medida que os países buscam permanecer competitivos em uma economia global cada vez mais digital e impulsionada pela inteligência artificial.
A mesa contou com falas iniciais do presidente do grupo BID, Ilan Goldfajn, Presidente Grupo BID e do ministro de Economia e Finanças do Paraguai, Carlos Fernández Valdovinos e moderação da vice-Presidente para Países e Integração Regional do BID, Anabel González e encerramento e definição dos próximos passos pela coordenadora do Programa Conexão Sul do Banco, Renata Amaral.
Os ministros foram convidados a identificar prioridades regionais concretas, ações políticas e abordagens de financiamento, e a discutir como o Programa Regional Conexão Sul pode apoiar o alinhamento da política fiscal, do investimento público e da cooperação regional para acelerar a implementação e maximizar o impacto econômico.
Representando a ministra Simone Tebet nesta mesa, a secretária Viviane Vecchi, ressaltou a relevância do tema para o Brasil. Segundo ela, desde o lançamento do programa, no ano passado, em resposta aos esforços de retomada que vimos nos últimos anos - com destaque para o programa brasileiro Rotas de Integração Sul-Americana, é possível identificar avanços concretos e um envolvimento cada vez maior da região no tema, levando a discussões e propostas cada vez mais avançadas.
O cenário é de grandes desafios para conectividade física e digital, como integração produtiva e de investimentos, em temas como aduanas, coordenação e regulação. Adiciona-se ainda as dificuldades trazidas pelo contexto fiscal, pela emergência climática e pelo protecionismo. A secretária agradeceu os esforços do BID com esse programa regional que traz o tema como uma prioridade bem estruturada e incorporada nas prioridades estratégicas do Banco, reforçando o apoio técnico e financeiro necessário para enfrentar questões complexas.
Vecchi apontou a importância do engajamento dos governos dos países vizinhos com a temática, “para que avancemos na superação dos desafios intensificados e aproveitemos mais e mais nosso potencial energético, agrícola, demográfico e ambiental”. Ela seguiu afirmando que esse esforço depende não só dos governos e dos organismos multilaterais e regionais, mas também passa pela catalização dos recursos disponíveis junto ao setor privado.
“Nesse sentido, temos avançado, por exemplo, em arranjos de parcerias público-privadas e no reforço à capacidade do BID Invest, que aprovou recentemente projetos produtivos no Brasil como o da empresa Arauco, além de financiar projetos como o de modernização da ponte binacional com aduana integrada entre Brasil e Argentina”, indicou a secretária.
Vecchi pontuou que o Brasil tem buscado internamente e tem defendido externamente a importância e a necessidade de buscar estabilidade e previsibilidade sem deixar de aumentar o impacto da ação dos governos e dos organismos multilaterais e regionais, para superar a escassez de financiamento e as lacunas de desenvolvimento. “A integração é o caminho para o nosso desenvolvimento conjunto e trará relevantes ganhos econômicos e sociais para toda a nossa região”, conclui ela.
Saiba mais sobre o programa Conexão Sul do BID
O programa Conexão Sul (mais informações em anexo) é um novo programa guarda-chuva do BID específico para a América do Sul (a exemplo dos programas Amazônia Sempre e One Caribbean), que agregará as iniciativas do BID para infraestrutura e conectividade na América do Sul. Foi elaborado tendo como principais pontos de partida o Programa brasileiro Rotas da Integração Sul-Americana e o foro do Consenso de Brasília, mirando o incremento da conectividade física e digital, facilitação de comércio, convergência regulatória e desenvolvimento local da região.
O programa será ancorado em três pilares (Infraestrutura física e digital; comércio; e convergência regulatória) e deverá ser dotado de instrumentos para enfrentar os principais desafios a uma maior integração da região, contando com mobilização de recursos, cooperação técnica e conhecimento. O programa é apresentado aos governadores e países-membros na esteira de uma reestruturação interna do Banco para tratar o tema da integração regional em mais alto nível e de forma integrada.