ORÇAMENTO

Governo faz descontingenciamento, mas mantém medidas para atendimento das regras fiscais

O faseamento limita o empenho em R$ 52,8 bilhões até setembro. As medidas garantem o cumprimento da meta fiscal e os limites do novo arcabouço e reforçam a responsabilidade fiscal diante de um cenário econômico desafiador

Publicado em 30/07/2025 20:26Modificado em 01/08/2025 17:30
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O Governo Federal publicou nesta quarta-feira (30/07) o Decreto de Programação Orçamentária e Financeira do 3º bimestre de 2025, que promove o descontingenciamento de R$ 20,7 bilhões. No entanto, foi mantido o bloqueio de R$ 10,7 bilhões em despesas discricionárias para o atendimento de despesas obrigatórias. Adicionalmente, foram adotadas medidas de faseamento que limitam o empenho em R$ 52,8 bilhões até setembro. As medidas visam garantir o cumprimento da meta fiscal e os limites do novo arcabouço, além de reforçar a responsabilidade fiscal diante de um cenário econômico desafiador.

A liberação parcial foi devido a melhora na projeção de receitas líquidas, com alta de R$ 25,4 bilhões, puxada por ganhos em receitas não administradas, como exploração de recursos naturais (R$ 17,9 bilhões), e no Imposto de Renda (R$ 12,2 bilhões). Apesar disso, o aumento das despesas obrigatórias, em especial com créditos extraordinários e benefícios assistenciais, exigiu a manutenção de parte da contenção.

O déficit primário projetado para efeito de cálculo de contingenciamento é de R$ 26,3 bilhões, valor R$ 4,7 bilhões acima do limite inferior da meta estabelecida. Isso permitiu o restabelecimento total dos limites de empenho das despesas discricionárias.

Contudo, o governo mantém as medidas de restrição refletidas no faseamento dos limites de empenho dos órgãos e seguirá monitorando a execução orçamentária e financeira, nos termos da legislação em vigor, adotando as medidas necessárias para garantir o atendimento do resultado fiscal do exercício.

(R$ milhões) 

CONTENÇÃO DE DESPESAS - REGRAS FISCAIS

3º Bimestre

2º Bimestre

Diferença

Contenção

Conting.

Bloqueio

Contenção

Conting.

Bloqueio

Contenção

Conting.

Bloqueio

I. Poder Executivo

10.747,6

0,0

10.747,6

31.332,0

20.692,1

10.639,9

(20.584,4)

(20.692,1)

107,8

I.I. Discricionárias

8.300,0

0,0

8.300,0

24.196,5

15.979,7

8.216,7

(15.896,5)

(15.979,7)

83,2

RP 3

3.237,2

0,0

3.237,2

8.218,9

5.080,8

3.138,2

(4.981,7)

(5.080,8)

99,0

RP 2

5.062,8

0,0

5.062,8

15.977,6

10.899,0

5.078,6

(10.914,8)

(10.899,0)

(15,8)

I.II. Emendas

2.447,7

0,0

2.447,7

7.135,5

4.712,4

2.423,1

(4.687,9)

(4.712,4)

24,5

II. Demais Poderes

0,0

0,0

 

42,4

42,4

 

(42,4)

(42,4)

0,0

Total (I+II)

10.747,6

0,0

10.747,6

31.374,3

20.734,5

10.639,9

(20.626,7)

(20.734,5)

107,8

Impacto da nova avaliação nos Órgãos do Poder Executivo

A maioria dos órgãos teve parte da contenção anterior liberada, ainda que mantido o faseamento em função da necessidade de se monitorar o cenário fiscal ao longo de 2025. A tabela abaixo apresenta a evolução do bloqueio por órgão, em linha com o Anexo XXIII do decreto.

(R$ milhões)

Órgãos

Dotação (RP 2 e 3)

Contenção 2º Bimestre

Contenção 3º Bimestre

Redução contenção

Total Discricionárias (I+II)

221.211,7

(31.332,0)

(10.747,6)

+20.584,4

I. Emendas Parlamentares

50.378,5

(7.135,5)

(2.447,7)

+4.687,9

II. RP 2 e 3 dos órgãos do Poder Executivo

170.833,2

(24.196,4)

(8.300,0)

+15.896,5

Presidência da República

2.570,1

(681,6)

(188,6)

+493,0

Ministério da Agricultura e Pecuária

2.881,6

(622,8)

(498,0)

+124,7

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

10.202,1

(679,9)

(139,4)

+540,5

Ministério da Fazenda

5.695,3

(1.414,0)

(290,0)

+1.124,0

Ministério da Educação

31.968,7

0,0

0,0

+0,0

Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

838,7

(171,9)

(35,2)

+136,6

Ministério da Justiça e Segurança Pública

3.537,0

(748,6)

(153,5)

+595,0

Conselho Administrativo de Defesa Econômica

50,5

(12,5)

(2,6)

+10,0

Ministério de Minas e Energia

565,4

(152,2)

(35,3)

+116,9

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

140,6

(34,9)

(7,2)

+27,7

Agência Nacional de Energia Elétrica

155,6

(38,6)

(7,9)

+30,7

Agência Nacional de Mineração

115,8

(28,7)

(5,9)

+22,8

Ministério da Previdência Social

2.363,0

(586,4)

(120,3)

+466,1

Ministério das Relações Exteriores

2.301,5

(581,8)

(109,7)

+472,1

Ministério da Saúde

34.803,1

(2.366,6)

(651,8)

+1.714,7

Agência Nacional de Vigilância Sanitária

238,8

(59,2)

(12,2)

+47,1

Agência Nacional de Saúde Suplementar

123,8

(30,7)

(6,3)

+24,4

Controladoria-Geral da União

147,5

(36,6)

(7,5)

+29,1

Ministério dos Transportes

14.852,6

(1.487,0)

(120,1)

+1.367,0

Agência Nacional de Transportes Terrestres

298,6

(74,1)

(15,2)

+58,9

Ministério do Trabalho e Emprego

910,0

(225,8)

(46,3)

+179,5

Ministério das Comunicações

736,0

(168,8)

(31,5)

+137,4

Agência Nacional de Telecomunicações

295,2

(73,3)

(15,0)

+58,2

Ministério da Cultura

1.147,6

(254,8)

(42,9)

+211,9

Agência Nacional do Cinema

43,6

(11,2)

0,0

+11,2

Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

1.575,8

(34,6)

(7,1)

+27,5

Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

1.323,1

(325,0)

(66,7)

+258,4

Ministério do Planejamento e Orçamento

1.215,6

(301,7)

(61,9)

+239,8

Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

2.023,6

(502,2)

(103,0)

+399,2

Ministério do Esporte

989,2

(333,7)

(31,5)

+302,2

Ministério da Defesa

12.328,1

(2.593,4)

(673,5)

+1.919,9

Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

3.758,4

(1.302,7)

(1.154,4)

+148,4

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico

194,8

(48,4)

(9,9)

+38,4

Ministério do Turismo

888,3

(489,3)

(489,3)

+0,0

Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

8.797,1

(2.123,2)

(428,6)

+1.694,5

Ministério das Cidades

15.767,1

(4.288,0)

(2.360,2)

+1.927,9

Ministério da Pesca e Aquicultura

216,3

(53,7)

(11,0)

+42,7

Gabinete da Vice-Presidência da República

5,2

(1,3)

(0,3)

+1,0

Advocacia-Geral da União

564,9

(140,2)

(28,8)

+111,4

Ministério das Mulheres

255,3

(63,4)

(13,0)

+50,4

Ministério da Igualdade Racial

182,8

(45,4)

(9,3)

+36,1

Ministério de Portos e Aeroportos

1.791,3

(810,8)

(265,6)

+545,3

Agência Nacional de Transportes Aquaviários

61,2

(0,2)

(0,2)

+0,0

Agência Nacional de Aviação Civil

120,8

(15,0)

(6,1)

+8,8

Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte

216,0

(53,6)

(11,0)

+42,6

Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

369,2

(87,4)

(17,9)

+69,5

Banco Central do Brasil

502,0

0,0

0,0

+0,0

Ministério dos Povos Indígenas

704,6

(41,6)

(8,5)

+33,0

obs: as despesas ressalvadas de contingenciamento, conforme legislação vigente e decisões judiciais, são preservadas da contenção.

Faseamento de limites de empenho

Pelo novo Decreto, os limites de empenho fixados para os órgãos são distribuídos em três etapas: setembro, novembro e dezembro. A medida visa compatibilizar o ritmo de execução com os ciclos bimestrais de reavaliação fiscal.

Síntese das medidas globais

 

 

 

R$ milhões

Medidas

Até setembro

Até Novembro

Até Dezembro

Total

63.534,0

42.080,7

10.747,6

Faseamento de limites de empenho

52.786,3

31.333,1

0,0

Contenção de despesa

10.747,6

10.747,6

10.747,6

Prazos e responsabilidades

Os órgãos terão até 6 de agosto para indicar as programações que serão efetivamente bloqueadas ou descontingenciadas. Já em relação às emendas parlamentares, o processo de distribuição da contenção seguirá regras e prazos próprios, de acordo com o art. 12 da LC nº 210/2024, podendo haver ajustes conforme a priorização do Poder Legislativo.

Categorias
Finanças, Impostos e Gestão Pública
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