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2025
Um ano de fortalecimento institucional, inovação científica e compromisso com a saúde pública
O Instituto Evandro Chagas (IEC/SVSA/MS) demonstrou, em 2025, uma atuação marcada por conquistas que reforçam sua posição como um dos pilares da ciência e da saúde pública na Amazônia. Em um período especialmente desafiador, a instituição ampliou suas frentes de pesquisa, consolidou ações de ensino e formação de novos talentos, fortaleceu redes de cooperação nacionais e internacionais, além de aprimorar suas estruturas laboratoriais e administrativas.
A diversidade de iniciativas empreendidas, que vão desde o lançamento de cursos estratégicos até homenagens a pesquisadores e atividades comunitárias de educação em saúde, revela o compromisso do IEC com a promoção do conhecimento, com o enfrentamento de doenças negligenciadas e com a construção de um sistema de saúde pública mais eficiente e inclusivo.
Nesta reportagem, apresentamos uma retrospectiva especial com as principais ações, eventos e destaques institucionais do IEC em 2025. A agenda voltada ao enfrentamento das mudanças climáticas e à COP 30, que também foi altamente relevante ao longo do ano, será tema de uma segunda reportagem, dedicada exclusivamente ao protagonismo do Instituto nas discussões de saúde e clima na Amazônia.
Ciência, Ensino e Inovação em Movimento
O ano começou com uma série de investimentos em formação científica e capacitação técnica. Logo nos primeiros meses, o IEC abriu editais do Programa de Iniciação Científica (PIBIC), com foco na formação de estudantes de graduação em projetos de pesquisa aplicada. As ações culminaram na comemoração dos 30 anos do PIBIC, com a realização do XXX Seminário Interno, que reuniu 150 participantes e apresentou 65 trabalhos orais, demonstrando a vitalidade do programa na produção científica institucional.
Além disso, cursos voltados à qualificação profissional ganharam destaque. Entre eles, o Curso de Atualização sobre Febre Prolongada de Origem Obscura (FPOO) abordou a síndrome febril de forma inovadora, capacitando cerca de 80 profissionais da saúde. Já o Curso de Viroses Oncogênicas, realizado em novembro, homenageou o pesquisador Harald zur Hausen, contribuindo para a atualização de estudantes e profissionais da área.
Do ponto de vista acadêmico, o IEC também se consolidou com a oferta de cursos de pós-graduação. Foram abertas vagas para o Mestrado em Ciências da Saúde, em parceria com o CESUPA, e para o Mestrado em Epidemiologia e Vigilância em Saúde além do doutorado e mestrado em Virologia e mestrado e doutorado em Biologia Parasitária na Amazônia, em parceria com a UEPA.
Reconhecimento de Talentos e Valorização da Memória Científica
A excelência do corpo técnico do IEC foi celebrada por meio de homenagens a trajetórias de impacto. A pesquisadora Joana Favacho foi reconhecida por sua contribuição no desenvolvimento do Kit NAT Tracoma, o primeiro teste molecular brasileiro para detecção da bactéria causadora do tracoma. Outra pesquisadora homenageada foi Maria Luiza Lopes, por sua trajetória de excelência no diagnóstico de tuberculose e micobactérias não tuberculosas, durante oficina promovida pelo Ministério da Saúde e a SESPA.
A preservação da história institucional ganhou um novo capítulo com o avanço das obras do Museu do IEC, instalado em um casarão histórico em Belém, que funciona como um centro de memória e divulgação científica, promovendo inclusive eventos de observação astronômica para a comunidade.
Pesquisa Aplicada e Vigilância em Saúde
O IEC reafirmou sua atuação na linha de frente da vigilância em saúde. Com ações voltadas à saúde pública local e regional, o IEC realizou uma série de intervenções em campo. No município de Soure, na Ilha do Marajó, a equipe do Instituto promoveu uma grande ação de vigilância de parasitoses intestinais em escolas públicas, com coleta de amostras e atividades educativas, beneficiando diretamente a comunidade escolar.
Na área de doenças negligenciadas, foram organizadas rodas de conversa com pacientes da Doença de Chagas, além de um amplo trabalho educativo sobre diagnóstico de malária, com o lançamento do e-book “Malária: Fato ou Fake”.
Investimentos e Modernização
Importantes avanços estruturais também marcaram o ano. A modernização do Laboratório de Biossegurança Nível 3 (NB3), resultado de quase R$ 4 milhões de investimento da Finep, foi apresentada durante visita técnica dos financiadores, evidenciando a aplicação eficaz dos recursos em infraestrutura laboratorial crítica.
Outro destaque foi a captação de R$ 8,3 milhões junto ao CNPq para o projeto REGEN, que fortalecerá a vigilância genômica de doenças infecciosas em regiões do Norte e Nordeste do país, ampliando a capacidade dos Lacens (Laboratórios Centrais de Saúde Pública) em exames moleculares.
O reforço do quadro funcional também foi anunciado com a oferta de 38 vagas para o instituto por meio do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), que já está em curso.
Cooperação e Extensão
A colaboração com instituições estratégicas também se intensificou. O Instituto recebeu representantes do Ministério da Defesa, da Fundação Gates e de universidades brasileiras, reforçando laços institucionais e a construção de uma agenda nacional e internacional para o fortalecimento da saúde pública na Amazônia.
A rede de parcerias do IEC foi ampliada em diversas escalas. No âmbito internacional, o instituto colaborou com a OPAS e países vizinhos para a elaboração do Guia de Entomovirologia nas Américas. Além de ter estreitado seu relacionamento com a agência de cooperação do Governo Francês, ANRS Maladies infectieuses émergentes (ANRS MIE).
Em Belém, o IEC firmou acordos com o CESUPA para a implantação do Núcleo de Orientação ao Viajante (NOV) e com o CENP para o Programa de Residência em Medicina Veterinária.
A cooperação também se estendeu à doação de equipamentos, como o microscópio destinado à prefeitura de Marituba (PA), e ao credenciamento contínuo de Instituições de Ensino Superior para a oferta de estágios.
Além disso, o IEC participou do “I Encontro de Múltiplos Saberes da Amazônia” e da “I Feira de Profissões, Ciência e Inovação – FEPROCI”, em Marabá, sudeste do Pará, como parte do Projeto “Cartas aos Cientistas: Difusão, Popularização e Fortalecimento da Ciência na Amazônia”, coordenado pela Universidade do Estado do Pará UEPA/Campus VII.
Com foco na segurança, o IEC participou do Exercício Guardião Cibernético 7.0 (EGC 7.0), considerado o maior exercício de defesa cibernética do hemisfério Sul, o evento reuniu mais de 160 instituições civis e militares, além de órgãos governamentais, agências reguladoras, empresas de infraestrutura crítica e representantes do setor privado.
Ética, Diversidade e Governança
O IEC investiu na qualificação da sua gestão interna e na promoção de uma cultura institucional íntegra. Foram realizados diálogos sobre conflito de interesses e abuso de poder, além de eventos focados em diversidade, equidade e inclusão, abordando temas como racismo, gênero e neurodivergência. No campo administrativo, a instituição promoveu capacitações em Gestão de Riscos e sediou workshop para a construção de agenda de prioridades de pesquisa, alinhando as investigações científicas às demandas estratégicas do Ministério da Saúde.
O ano de 2025 evidenciou o IEC como uma instituição em pleno fortalecimento, que une o rigor da vigilância laboratorial à excelência no ensino e nas pesquisas básicas e aplicadas. O robusto investimento em infraestrutura de alta biossegurança e a criação de espaços de memória científica, como o novo Museu do IEC, refletem um compromisso contínuo com a modernização tecnológica sem perder de vista o seu valioso legado histórico. Ao fortalecer sua governança com foco na ética, integridade e diversidade e ao investir na formação de novas gerações através de seus programas de iniciação científica e pós-graduação, o Instituto reafirma seu papel vital para o Sistema Único de Saúde, projetando-se como um polo de inovação e segurança para a saúde pública brasileira.