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Cuidar da Natureza com as Pessoas: quando o audiovisual encontra a conservação
O arquipélago de Fernando de Noronha (PE) compreende duas das 346 UCs federais sob gestão do ICMBio - Foto: Guilherme Santos
Para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), proteger a biodiversidade brasileira também passa por fortalecer o vínculo entre sociedade e natureza. Nesse caminho, o audiovisual tem se mostrado uma ferramenta potente para ampliar o alcance das histórias que nascem nos territórios protegidos e sensibilizar diferentes públicos sobre o valor das áreas naturais.
Por exemplo, a série voltada ao público adolescente, “Vermelho Sangue”, do Globoplay, gravada no Parque Nacional da Serra do Cipó (MG), constrói parte de sua narrativa a partir do imaginário em torno do lobo-guará e convida, pelo encantamento, à preservação da espécie emblemática do Cerrado. Já a novela “Pantanal” levou para milhões de brasileiros as paisagens e a cultura do bioma pantaneiro, no Centro-Oeste do país, contribuindo para ampliar a visibilidade e o reconhecimento da região e de áreas protegidas como o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.
Essa visão dialoga diretamente com a missão do Instituto e com políticas consolidadas ao longo da atual gestão, como o programa Cuidar da Natureza com as Pessoas, que fortalece a visitação sustentável nas unidades de conservação (UCs) federais como instrumento estratégico, além da Instrução Normativa nº 12/2025, que estabelece critérios e procedimentos para a captação e a autorização de uso de imagem nessas áreas geridas pelo ICMBio. Dois instrumentos que reconhecem esses territórios como espaços vivos — onde ciência, cultura, comunidades e paisagens se entrelaçam.
Ao registrar e compartilhar essas experiências, as plataformas de streamings, a televisão, o cinema e/ou as novas mídias contribuem para aproximar as pessoas das unidades e revelar, de forma sensível, o trabalho cotidiano da conservação.
Na última semana, foi esse debate que orientou o painel “Cuidar da Natureza com as Pessoas: Quando o Audiovisual Encontra a Conservação”, durante o Noronha2B – Film Commission Forum, evento que congrega grandes nomes da produção audiovisual nacional e internacional, gestores públicos e representantes do setor privado do turismo e da cultura. O encontro, já em sua terceira edição, tem como palco Fernando de Noronha (PE).
A escolha do território não é casual: a ilha abriga duas UCs geridas pelo ICMBio — a Área de Proteção Ambiental (APA) e o Parque Nacional Marinho — que completam décadas de história na proteção de ecossistemas marinhos e na construção de parcerias com a comunidade local.
Para a gestora do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do ICMBio Fernando de Noronha, Lilian Hangae, o evento contribuiu para os trabalhos do Instituto na ilha ao atingir dois públicos importantes. “O primeiro é o próprio público do evento, formado pelas Film Commissions, com as quais conseguimos aproximar as produções de cenários e histórias em áreas protegidas. Com isso, podemos estimular produções que atraiam o tipo de turismo que buscamos: um turismo alinhado à conservação da biodiversidade, com sustentabilidade e responsabilidade social”, destaca a analista ambiental responsável pelos trabalhos no arquipélago.
Narrativas que conectam
O painel, mediado pela coordenação de comunicação do Instituto, convidou os participantes a discutir como histórias inspiradas em territórios e realidades conectadas à biodiversidade podem alcançar públicos amplos e gerar impacto social. Compuseram a mesa Marcos Nisti, da Maria Farinha Filmes, e Rosangela Wicher, da Floresta Produções.
Entre os exemplos apresentados estavam projetos que abordam temas socioambientais e valorizam a sustentabilidade e as comunidades locais nas gravações. Nisti destacou a série “Aruanas”, que acompanha a atuação de ativistas ambientais na Amazônia, e evidenciou que as produções da TV aberta ainda são importantes catalisadoras de mudanças positivas na percepção do público, sobretudo em temas relacionados ao combate aos crimes contra a floresta.
Já Wicher apresentou o reality show “Ilhados com a Sogra” como exemplo de que o entretenimento também pode ser motor de novas práticas, ressaltando o impacto das obras populares na valorização de paisagens naturais e na promoção do turismo sustentável.
A executiva também ressaltou a adoção de cuidados na montagem e na logística das filmagens em territórios sensíveis — como o uso de estruturas temporárias e desmontáveis, o planejamento para reduzir deslocamentos e impactos na paisagem e o manejo adequado de resíduos durante as gravações. Além disso, destacou a possibilidade de geração de renda local por meio da contratação de serviços e profissionais da própria comunidade, como barqueiros, guias, equipes de apoio, hospedagem, alimentação e outros fornecedores da região.
Histórias da conservação nas telas
Além do debate, o evento também contou com a exibição aberta ao público, na praça principal da ilha, de produções audiovisuais que retratam diretamente experiências de conservação ligadas ao ICMBio. Indicadas pelo NGI Noronha, essas obras abordam o cotidiano da gestão ambiental no arquipélago.
Entre as obras exibidas, esteve o documentário “Maré Viva, Maré Morta”, que apresenta a conservação de maretórios por meio da trajetória de duas servidoras do Instituto dedicadas à proteção de ambientes marinhos brasileiros: Bernadete Barbosa, a Berna, no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos (BA), e Maurizélia Brito, a Zelinha, na Reserva Biológica do Atol das Rocas (RN).
Ao longo de seus 101 minutos, o filme revela, a partir das histórias de vida das duas gestoras, décadas de dedicação à conservação do oceano e o protagonismo feminino na proteção de ecossistemas únicos.
"Quando a comunidade pode aprender ferramentas de audiovisual, aprender como comunicar, e também se ver na tela, esse tipo de evento traz um caminho de empoderamento e um pertencimento", considera Lilian.
Também foram exibidas as produções “Seeds” (37 min) e “Mestre do Mar” (73 min), que, ao retratarem Noronha, acabam por revelar o trabalho — ou, ao menos, o reflexo das ações — do Instituto Chico Mendes na ilha. Diversos aspectos da relação do órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com a comunidade local e a biodiversidade tornam-se evidentes. Conhece-se, por exemplo, o manejo de espécies exóticas invasoras e o vínculo com pescadores tradicionais, ações que combinam ciência, participação social e estratégias de proteção ambiental.
Sobre “Mestre do Mar”, a gestora do NGI explica que o projeto surgiu como um produto caseiro, idealizado por uma voluntária do Instituto à época, com foco na Área de Proteção Ambiental, onde o órgão permite e acompanha a prática da pesca tradicional. “Então, valorizar, ter o registro do que é feito é uma forma de perpetuar o conhecimento e como um recurso e valor fundamental da APA. Um dos objetivos da unidade é promover essa atividade, não deixar com que se acabe”, afirma.
Sensibilizar para conservar
Para o ICMBio, iniciativas que aproximam o audiovisual das áreas protegidas reforçam a compreensão de que comunicar a conservação também é uma forma de protegê-la. Quando histórias reais de territórios, comunidades e servidores ganham as telas, ampliam-se as possibilidades de sensibilizar a sociedade sobre o valor da biodiversidade brasileira e sobre o papel das unidades de conservação.
Nesse sentido, a participação em eventos como este — que reúnem produtores e diferentes representações do governo federal, entre eles os ministérios da Cultura e do Turismo — fortalece laços em prol da missão da autarquia.
Comunicação ICMBio
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(61) 2028-9280

