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FLORESTA DO TAPAJÓS MELHORA GESTÃO COM PESQUISA
ICMBio e parceiros desenvolvem pesquisas no Pará
ICMBio e parceiros desenvolvem pesquisas no Pará
João Freire
joao.freire@icmbio.gov.br
Santarém (PA) 21/11/2014 — Começou nesta quinta (20) o "II Seminário de Pesquisa Científica da Floresta Nacional do Tapajós (PA)". O evento faz parte das comemorações dos 40 anos da Unidade de Conservação (UC) e está sendo realizado no auditório da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém (PA).
Cerca de 300 pessoas participam do seminário, que tem o objetivo de promover o debate entre instituições governamentais, pesquisadores, gestores de áreas protegidas, estudantes e populações tradicionais a partir da divulgação de trabalhos científicos desenvolvidos na Floresta Tapajós, unidade de conservação de uso sustentável.
Saiba mais sobre unidades de conservação de uso sustentável
"A Floresta Nacional do Tapajós tem dado a maior contribuição para a gestão de florestas públicas do país pela forma como faz a relação floresta-comunidade e é uma referência para a Amazônia. Quanto mais uso, com bases científicas seguras, maior é a probabilidade de sustentabilidade de uma UC. A Floresta vem demonstrando isso", destaca a Reitora da Ufopa, Raimunda Monteiro.
"O encontro é uma grande oportunidade para dialogar com os parceiros. A ideia é plantar uma sementinha na cabeça dos pesquisadores para que eles façam pesquisas que nos ajudem na gestão da UC", explica Fábio Carvalho, chefe da Floresta Nacional de Tapajós. A UC é a mais pesquisada da Amazônia e a segunda mais pesquisada do Brasil.
As mais de 100 pesquisas realizadas a cada ano são definidas pelos gestores da UC com os pesquisadores das instituições parceiras, como a Ufopa, e contribuem para a melhoria dos processos de gestão nas áreas de fiscalização, turismo e uso sustentável.
Resultados práticos
Um dos exemplos é a produção de borracha trabalhada. A técnica foi desenvolvida em uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) e é aplicada pelos próprios extrativistas dentro da Floresta. "A borracha bruta é vendida por R$ 4,00 o quilo. Com a aplicação de coloração e de texturas diferentes, o preço sobe para mais de R$ 20,00 por quilo", destaca Carvalho.
A estudante de engenharia florestal da Ufopa, Lena Oliveira, é estagiária do ICMBio. Ela participa de pesquisas com a árvore tauari, uma das espécies mais exploradas na Floresta Nacional de Tapajós. "A gente analisa dados de tamanho e de estrutura e essa pesquisa ajuda a planejar o manejo da espécie", explica a estudante. Para o futuro, ela planeja: "Quero me especializar em ciências florestais e fazer concurso para o ICMBio".
As atividades econômicas sustentáveis são realizadas em 0,3% da área total da Floresta Nacional de Tapajós e devem gerar renda de mais de R$ 10 milhões em 2014. "Toda essa renda fica para a cooperativa formada por populações tradicionais, que vivem na região há mais de 300 anos, e utilizam esses recursos para a melhoria da qualidade de vida deles", conclui Carvalho. Os recursos são aplicados em fundos de renda e de saúde da comunidade e em obras de infraestrutura na região, como construção de pontes e manutenção de estradas.
Programação
O II Seminário de Pesquisa Científica da Floresta Nacional do Tapajós acaba nesta sexta (21). Além dos debates, também fazem parte da programação mesas redondas, palestras, apresentações de pesquisas e concurso de fotografia. "Todas as atividades serão fundamentadas no tema do seminário: 40 anos da Floresta Nacional do Tapajós: Gestão, Ciência e Desenvolvimento Comunitário", explica o coordenador de Manejo Florestal e Pesquisa Científica da Floresta Nacional do Tapajós, Dárlison Andrade.
Sobre a Floresta Nacional do Tapajós
A Floresta Nacional do Tapajós fica na Amazônia, às margens do Rio Tapajós, no município de Santarém, no oeste do Pará. Criada em 1974, possui 527 mil hectares e apresenta grande diversidade de paisagens. Com uma cobertura florestal bem preservada, a Unidade de Conservação recebe cerca de 30 mil vistantes por ano e é uma das mais visitadas na região norte do Brasil.