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Programa do Ibama usa monitoramento por satélite para ampliar proteção de quelônios
Animais monitorados pela equipe do PQA: sistema de rastreamento por satélite - Foto: Divulgação/Ibama
Brasília (20/01/2026) - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) avança no uso de tecnologia para a conservação da fauna silvestre ao implementar o monitoramento por satélite de tartarugas, no âmbito do Programa Quelônios da Amazônia (PQA). Em fase piloto no rio Tapajós, a iniciativa já permite identificar padrões de migração, fidelidade às áreas de reprodução e regiões estratégicas para a proteção da espécie.
Criado em 1979, o Programa Quelônios da Amazônia é uma das políticas públicas mais tradicionais do país voltadas à conservação de quelônios de água doce na Amazônia Legal e na bacia Araguaia-Tocantins. Ao longo de mais de quatro décadas, o PQA consolidou ações como a proteção de praias de desova, o manejo de ninhos, a soltura orientada de filhotes e o envolvimento de comunidades ribeirinhas, aliando conservação ambiental e inclusão social.

- Filhotes de tartarugas em área de reprodução monitorada pelo Projeto Quelônios da Amazônia, do Ibama
Monitoramento por satélite: como funciona
O monitoramento por satélite integra as ações do PQA como uma ferramenta inovadora de pesquisa, voltada a responder questões ainda pouco conhecidas sobre a ecologia das tartarugas amazônicas.
Desde novembro de 2024, o Ibama passou a acompanhar 17 fêmeas equipadas com transmissores via satélite. Os animais foram capturados no Tabuleiro do Monte Cristo, no rio Tapajós, logo após o período de nidificação — que é o ato de construir um ninho para abrigar ovos ou filhotes. Após a fixação do equipamento no casco, as tartarugas foram devolvidas imediatamente ao ambiente natural.
Em 2025, o projeto foi ampliado com a inclusão de mais 15 fêmeas e 4 machos, reforçando a base de dados e permitindo análises mais detalhadas sobre o comportamento da espécie.
O que os dados já revelam
Mesmo com pouco mais de um ano de acompanhamento, os dados obtidos já trazem informações relevantes para a conservação. Um dos principais achados foi a fidelidade das fêmeas à área reprodutiva, com o retorno das tartarugas às mesmas regiões de reprodução no ano seguinte.
O monitoramento também começou a lançar luz sobre a rota migratória da espécie no rio Tapajós, até então pouco conhecida. Os registros indicam a existência de diferentes padrões de deslocamento entre os indivíduos monitorados.
Parte das fêmeas realizou migrações curtas, permanecendo próximas ao Tabuleiro do Monte Cristo, com deslocamentos de até 25 quilômetros. Outras, no entanto, apresentaram migrações mais longas, superiores a 100 quilômetros, chegando a sair do rio Tapajós e alcançar o rio Amazonas. As razões para essa diferença de comportamento ainda não são conhecidas.
Contribuições para a gestão e a fiscalização
Além de ampliar o conhecimento científico, o monitoramento por satélite tem aplicação direta na gestão ambiental e nas ações de fiscalização conduzidas pelo Ibama.
Ao identificar áreas de alimentação utilizadas pelas tartarugas fora do período reprodutivo, o Programa Quelônios da Amazônia poderá planejar ações mais estratégicas de proteção. O cruzamento desses dados com relatos de captura ilegal permite direcionar operações de fiscalização para regiões sensíveis, fortalecendo o combate a ilícitos ambientais.
O projeto também contribui para um entendimento mais amplo da ecologia da espécie, informação essencial para o aperfeiçoamento contínuo das ações do PQA.
Projeto piloto com foco no futuro
O uso de transmissores via satélite no âmbito do Programa Quelônios da Amazônia é um projeto piloto, cujo objetivo principal é aprofundar o conhecimento sobre a espécie, considerada símbolo do programa. A expectativa é que os resultados obtidos sirvam de base para o aprimoramento das estratégias de conservação e, no futuro, possam ser ampliados para outras áreas e contextos.
“O objetivo é que o monitoramento via satélite seja expandido para todos os estados em que o PQA atua, permitindo a obtenção de dados qualificados para o planejamento das ações de conservação dos quelônios aquáticos amazônicos. É a tecnologia a serviço da conservação desses indivíduos e de todo o ecossistema com o qual eles se relacionam”, afirma a coordenadora nacional do PQA no Ibama, Edelin Ribas.
Ao integrar ciência, tecnologia e políticas públicas, o Ibama reforça o papel do Programa Quelônios da Amazônia como uma iniciativa estratégica para a conservação da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais na região amazônica.
- Mais informações sobre o programa estão disponíveis na página Programa Quelônios da Amazônia (PQA).
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