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Ibama vistoria vazamento de óleo após tombamento de locomotiva no interior da Bahia
Cenário desolador: grossa camada de óleo recobre a lâmina d´água - Foto: Alcio Teixeira dos Santos/Nupaem-BA/Ibama
Brasília/DF (28/04/2026) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou vistoria técnica após o tombamento de uma locomotiva que resultou no vazamento de aproximadamente 4 mil litros de óleo diesel em um açude localizado na zona rural de Serrinha, a cerca de 180 km de Salvador, no semiárido baiano. O incidente ocorreu no dia 13 de abril.
Servidores da Equipe Técnica de Prevenção e Atendimento a Emergências Ambientais da Bahia (Nupaem-BA) do Ibama foram mobilizados para atender à ocorrência, após comunicação formal ao Instituto via Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema), uma vez que a operação da Ferrovia Centro-Atlântica é licenciada pelo instituição ambiental federal. O histórico de ocorrências envolvendo danos ambientais e as condições de conservação da ferrovia contribuíram para a priorização do atendimento.
Durante vistoria técnica no trecho afetado, a equipe constatou condições estruturais precárias na via férrea, com cerca de 40% dos dormentes e sistemas de fixação apresentando falhas graves ou estado de deterioração, indicando elevado risco de novos acidentes.
No dia 14 de abril, em nova ida ao local, os técnicos encontraram o açude amplamente contaminado por óleo diesel e lubrificantes oriundos da locomotiva. Uma camada densa de poluentes recobria a superfície da água, acompanhada de forte odor. A empresa responsável já havia contratado uma empresa de resposta emergencial, que iniciou a instalação de barreiras de contenção e mantas absorventes. Ainda assim, foram identificados impactos à vegetação e ao solo da área atingida.
Diante da situação, o Ibama lavrou notificação à empresa para promover a limpeza imediata do açude e da vegetação no prazo de 48 horas, além de determinar a coleta de amostras ambientais para análise laboratorial em até cinco dias. Em vistoria de acompanhamento realizada em 22 de abril, foi verificado que o óleo sobrenadante havia sido removido, assim como parte da vegetação contaminada. No entanto, persistem sinais de contaminação, com exsudação (processo de liberação ou saída de líquido) de óleo nas margens do açude, formando película oleosa na superfície da água, o que indica a continuidade do processo poluidor.
Durante a operação, aproximadamente 30 trabalhadores atuavam no local, entre equipes da ferrovia e da empresa contratada. O Ibama também identificou uma irregularidade na tentativa de utilização de caminhão limpa fossas para sucção da água contaminada, prática inadequada para esse tipo de resíduo. A ação foi imediatamente interrompida, sendo exigida a contratação de equipamento apropriado.
O caso foi comunicado à Diretoria de Licenciamento Ambiental do Ibama, responsável pelo licenciamento da atividade e à Agência Nacional de Transportes Terrestres. Será encaminhado comunicação também ao Ministério Público do Trabalho, em razão dos riscos à segurança dos trabalhadores envolvidos na operação ferroviária.
Até o momento, foram emitidas três notificações: apresentação de relatório circunstanciado do atendimento ao acidente, execução da limpeza emergencial da área afetada e realização de coleta e análise de amostras ambientais dentro dos prazos estabelecidos. Novas medidas poderão ser adotadas para assegurar a completa mitigação dos danos identificados.
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