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SAÚDE E CLIMA
Ministério da Saúde orienta gestores sobre vigilância em saúde de brigadistas florestais
Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Ibama
O Ministério da Saúde (MS) disponibiliza as “Diretrizes de Vigilância em Saúde do Trabalhador: Brigadista Florestal”. A publicação orienta gestores e profissionais de saúde na organização de ações de promoção e proteção da saúde dos trabalhadores envolvidos na prevenção e no combate aos incêndios florestais. O documento oferece subsídios técnicos para estados, Distrito Federal e municípios estruturarem a Vigilância em Saúde do Trabalhador (Visat) na identificação de riscos ocupacionais, prevenção de doenças e agravos relacionados ao trabalho e redução de casos de adoecimento e mortes.
A atuação dos brigadistas florestais envolve condições de trabalho que podem comprometer a saúde e a segurança. Durante as operações, esses trabalhadores podem ficar expostos à fumaça e a substâncias químicas provenientes da combustão, ao calor intenso, ao esforço físico elevado, a terrenos irregulares e a acidentes. Jornadas prolongadas, restrição de água e alimentos, além de períodos insuficientes de descanso que também aumentam a vulnerabilidade, especialmente quando as condições de trabalho e os recursos de proteção são inadequados.
“Entre os problemas de saúde associados a essa atividade estão doenças respiratórias e cardiovasculares, agravos renais, doenças osteomusculares, transtornos mentais relacionados ao trabalho e acidentes durante as operações. Nesse sentido, as ações de vigilância devem considerar as características dos territórios, as condições ambientais, os processos de trabalho e as diferentes formas de vínculo dos brigadistas, incluindo trabalhadores contratados, informais e voluntários”, explica a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, Agnes Soares.
Organização das ações no SUS
As diretrizes estabelecem seis eixos para orientar a atuação da Visat: análise da situação de saúde dos trabalhadores; vigilância epidemiológica em saúde do trabalhador; vigilância de ambientes e processos de trabalho; articulação intra e intersetorial; participação e controle social; e educação, comunicação e informação em saúde do trabalhador.
Na prática, a publicação recomenda que as gestões identifiquem as áreas mais afetadas pelos incêndios florestais, caracterizem o perfil dos trabalhadores e os principais problemas de saúde relacionados à atividade e mapeiem as instituições, os serviços de saúde e as redes de apoio disponíveis nos territórios. Essas informações contribuem para definir prioridades, planejar intervenções e organizar a assistência conforme as necessidades locais.
O ponto central é fortalecimento da vigilância epidemiológica e da identificação da relação entre o adoecimento e o trabalho. Os serviços de saúde devem estar atentos à investigação e à notificação dos agravos relacionados à atividade dos brigadistas, conforme as orientações aplicáveis. Quando necessário, podem solicitar apoio aos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) e às equipes de Visat para qualificar a investigação e direcionar medidas de prevenção.
Articulação e prevenção
O documento também destaca a importância da atuação integrada entre a rede de saúde, os órgãos responsáveis pela prevenção e pelo combate aos incêndios, a Defesa Civil, as instituições ambientais, as organizações de trabalhadores e outros setores envolvidos. A articulação permite planejar ações conjuntas, compartilhar informações sobre os riscos e aprimorar a preparação dos serviços para atender os trabalhadores em situações de emergência.
As medidas de prevenção devem incluir a identificação e a intervenção sobre os riscos nos ambientes e processos de trabalho, a adoção de condições seguras para as operações e o desenvolvimento de estratégias de educação e comunicação em saúde. A participação dos próprios trabalhadores também é fundamental para reconhecer situações de risco e contribuir para a definição de medidas de proteção adequadas à realidade de cada território.
O Ministério da Saúde reforça a importância de incorporar a saúde dos brigadistas ao planejamento das políticas de enfrentamento aos incêndios florestais. A implementação das diretrizes pelos gestores estaduais e municipais contribui para fortalecer a vigilância, qualificar a assistência e ampliar a proteção dos trabalhadores que atuam no combate ao fogo.
Acesse a publicação sobre as Diretrizes de Vigilância em Saúde do Trabalhador: Brigadista Florestal
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde