A exclusão promovida pelo próprio campo político
Outra razão para a baixa presença de mulheres no poder diz respeito a como está estruturado o próprio campo político. Ao entrarem na política, exige-se das mulheres que se comportem segundo valores e modos de comportamento próprios desse campo, mas que são contrários à forma como as mulheres são ensinadas a se comportar no mundo privado: emotiva e submissa.
Atores e instituições políticas – parlamentares, dirigentes partidários e de sindicatos, a organização interna das câmaras e assembleias legislativas, etc – utilizam as concepções tradicionais de gênero para direcionar as mulheres aos lugares considerados mais apropriados à feminilidade. Estes estão ligados, em geral, às políticas sociais ou a segmentos exclusivamente femininos que tratam das questões próprias às mulheres, e que têm menor poder e prestígio no campo político.
Um dos componentes fundamentais do campo político que pode ter grande impacto sobre a eleição de mulheres diz respeito ao sistema eleitoral adotado, que é o conjunto das regras que determinam os requisitos que um/a candidata/o deve preencher para ser eleito/a ao Poder Executivo ou Legislativo. O sistema eleitoral compreende, por exemplo, dentre outros fatores que influem sobre a quantidade de mulheres eleitas:
• as regras que norteiam o financiamento de campanha - visto que mulheres tendem a obter menos dinheiro que homens;
• a forma de organização do sistema de votação de deputado/as federais, estaduais, distritais e vereadores - se os eleitores votam diretamente nos candidatos (sistema de lista aberta, caso do Brasil) ou nos partidos (sistema de lista fechada);
• a existência de cotas de sexo - que garantam, por exemplo, a alternância de nomes femininos e masculinos nas listas fechadas para impedir que líderes partidários excluam as mulheres das listas,
O chamado “teto de vidro” é um fenômeno que ilustra a forma como as instituições podem discriminar as mulheres, impedindo-as de obter os mesmos recursos de poder acessíveis aos homens. É uma metáfora em geral utilizada para se referir ao mercado de trabalho, em que as mulheres têm entrado massivamente mas em condições de desigualdade em relação aos homens. Elas recebem renda menor, estão desempregadas em maior proporção, têm jornadas de trabalho mais curtas e empregos mais precários e menos formais.
A metáfora do teto de vidro alude aos obstáculos reais – embora possam parecer invisíveis, daí a referência ao “vidro” do teto – com que as mulheres se deparam no mercado de trabalho e que não permitem que elas assumam as melhores posições em termos de status e rendimento. Esses obstáculos consistem principalmente na discriminação contra mulheres no ambiente de trabalho, no assédio sexual e moral contra mulheres, na rede de contatos informais das quais os homens participam e de que as mulheres são excluídas, e na segregação sexual, que relega as mulheres aos setores corporativos de menor prestígio e possibilidade de ascensão.