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Projetos Apoiados em 2024

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Publicado em 08/04/2026 11h54 Atualizado em 08/04/2026 15h53
    • Efeitos do fogo sobre a abundância e diversidade de vertebrados do Parque Nacional da Serra da Canastra.

      Coordenador do Projeto: Christian Niel Berlinck

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CENAP

      Os incêndios florestais estão entre as principais causas da degradação ambiental e perda de biodiversidade. Dentre as ações de prevenção de incêndios, o Manejo Integrado do Fogo (MIF) ganha cada vez mais destaque no Brasil e no Mundo. O MIF envolve pesquisa e monitoramento dos efeitos do fogo sobre o ambiente, sociedade e biodiversidade, ordenamento do uso do fogo para manutenção cultural e sustentabilidade econômica, aliado ao uso do fogo como um fator ecológico fundamental em ecossistemas pirofíticos, como nos ambientes savânicos no Cerrado brasileiro. Neste sentido, este projeto visa avaliar os efeitos do fogo sobre a abundância e diversidade de fauna de vertebrados em três diferentes tratamentos que apresentam regimes de fogo distintos: 1) época de ocorrência; 2) tamanho de área queimada, e; 3) frequência e intensidade. Serão avaliados, os efeitos do fogo sobre diversidade, abundância e estrutura das comunidades de vertebrados, antes e após a ocorrência de incêndios, queimas prescritas e queimas controladas, considerando a escala temporal e as funções ecológicas e atributos funcionais das espécies. O levantamento de campo integra transectos lineares para busca ativa, armadilhamento fotográfico, bioacústica e DNA Ambiental. Os resultados serão
      primordiais para que consigamos contribuir para o monitoramento dos efeitos do fogo e para a tomada de decisão de uso ou não do fogo nas práticas de gestão de áreas protegidas, de conservação da biodiversidade e de prevenção de incêndios florestais.
    • "Mais que uma profissão, um modo de vida” - identidade da pesca artesanal tradicional no litoral sul do Brasil e sua valorização na gestão de unidades de conservação

      Coordenador do Projeto: Erika Ikemoto

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CNPT/SC

      O que é ser caiçara, pescadora, pescador artesanal? A autoafirmação dessas identidades por esses povos e comunidades tradicionais (PCT) vem compondo processos de resistência frente a um histórico de negação de direitos fundamentais pelo Estado. Entre as conquistas, ainda parciais, alcançadas em alguns territórios estão acordos firmados no sentido da compatibilização de direitos ambientais e sociais em unidades de conservação de proteção integral, o monitoramento participativo de manejo de espécies listadas como ameaçadas de extinção, a formalização de unidades de beneficiamento de pescado, e a adequação da legislação ambiental estabelecendo processos autorizativos simplificados para PCT. Esta pesquisa se volta para essa tensão entre negação e conquista de direitos, entre invisibilização e reconhecimento dos modos de vida e visões de mundo caiçara e da pesca artesanal. Ela busca levantar informações, de forma participativa, sobre o modo de vida tradicional de forma a subsidiar o aperfeiçoamento das iniciativas de reconhecimento de direitos já em curso. Ela tem como recorte o litoral sul do país; em 2024 ela abrangeu mais especificamente povos e comunidades que possuem interface com o PARNA da Lagoa do Peixe, o REVIS da Ilha dos Lobos (RS) e a APA Cananéia-Iguape-Peruíbe (SP). Entre as demandas de reconhecimento de direitos já identificadas e possíveis caminhos para o seu atendimento estão: a revisão da lista de beneficiários e dos petrechos autorizados no âmbito do Termo de Compromisso da Pesca Artesanal no PNLP; mapeamento participativo do território da pesca artesanal e monitoramento da pesca artesanal do bagre (listado como ameaçado de extinção) no entorno do REVISIL; implementação efetiva e aperfeiçoamento das normativas ambientais que garantem o direito às práticas tradicionais de extração de caixeta (listada como ameaçada de extinção) e abertura de roças na APA CIP. A equipe da pesquisa está em busca por recursos para garantir sua continuidade pelos próximos anos, de forma a contemplar o aprofundamento dessas questões.

    • Levantamento amostral das onças pintadas no Parque Nacional da Amazônia

      Coordenador do Projeto: Greice Quele

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: Parque Nacional da Amazonia

      O projeto tem como objetivo ter uma estimativa da densidade populacional de onças pintadas no Parna da Amazonia, porém através do projeto também obtivemos dados de outras espécies que estão presentes no Parque, como o Gato-Mourisco, Mão Pelada, muitas espécies de aves, inclusive as de caça, em todas as câmeras tivemos a presença da Onça Parda e da Jaguatirica, assim como a Onça-Pintada. Esses dados refletem na importância que tem essa unidade e também na sua preservação. Vale ressaltar que o Parque tem o uso público estruturado e mesmo com uma grande presença de turistas nas trilhas, não inibiram o acesso desses animais nesses locais. As câmeras foram instaladas em pontos estratégicos, onde possuem lago, arvores frutíferas, trilhas abertas e cruzamentos de trilhas, visando uma captura mais recorrente desses animais e pensando na próximo passo desse projeto em instalar rádio colar em alguma onça-pintada e fazer o seu monitoramento. Foi de suma importante para a gestão da UC obter esses dados, principalmente para o monitoramento da nossa biodiversidade no Parque da Amazonia.

    • Contribuição de técnicas moleculares para levantamento de espécies vegetais consumidas por queixadas (Tayassu pecari) no Parque Nacional das Emas visando reduzir o impacto econômico negativo para a agricultura

      Coordenador do Projeto: Christian Niel Berlinck

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CENAP

      Queixadas (Tayassu pecari) são ungulados que se distinguem por formarem grandes grupos, podendo chegar a centenas de animais (KILTIE & TERBORGH 1983). No Parque Nacional das Emas, JÁCOMO (2004) trabalhando com 19 bandos de queixadas, estimou que os tamanhos dos grupos variaram de 15 a 150 indivíduos, com um tamanho médio de 83 indivíduos por grupo.
      A espécie está listada como Vulnerável (VU), na avaliação de espécies ameaçadas global e nacional (KEUROGHLIAN, A., et al, 2013; KEUROGHLIAN et al., 2012). ALTRICHTER et al. (2012) estimam que a espécie foi extinta em 21% da sua distribuição original nos últimos 100 anos e está particularmente em risco em ecossistemas mais xéricos, como na Caatinga, no Cerrado e Pampas.  Especificamente para o Cerrado cerca de 77% da área têm baixa e média probabilidade de sobrevivência da espécie e apenas 18% da distribuição atual da espécie no bioma foram considerados como área onde a espécie está conservada (TABER et al., 2008; ALTRICHTER et al., 2012).
      Os queixadas alimentam-se majoritariamente de frutas, sementes, brotos, raízes e folhas (KILTIE & TERBORGH 1983) e estão associados principalmente a florestas, sendo o Cerrado menos relevante na composição nutricional da espécie (DESBIEZ et al., 2010). No Parque Nacional das Emas (PNE) formações florestais são pouco representadas, sendo essas áreas encontradas ao longo dos cursos d’água e áreas úmidas, como por exemplo ao sul da UC.
      O PNE é um relicto da distribuição de queixadas no Cerrado, mas, assim como ocorre no mundo, a população de queixadas vem causando perdas econômicas consideráveis na região (ENDO et al., 2016). Identificadas como espécie-problema, são perseguidos pelos fazendeiros, que frequentemente caçam todo o grupo. Por exemplo, no PNE, de 16 grupos monitorados por Jácomo & Kashivakura (2003 apud IBAMA/MMA, 2004), oito tiveram o acompanhamento interrompido por abate dos animais.
      Desse conflito decorreu o ajuizamento de uma ação que levou à assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica n°2/2017- CR-10/CENAP/ICMBio, firmado entre ICMBio e Sindicato Rural de Chapadão do Céu para a elaboração de um plano de manejo da espécie.
      Uma das medidas propostas nesse plano (CENAP, 2018) e indicadas por MASSEI (2011) para redução de danos a lavouras é a manutenção das cevas dentro do Parque (diversionary feeding). Esta ceva pode ocorrer com alimentação de origem externa ou a partir de enriquecimento ambiental favorecendo espécies vegetais nativas, consumidas pelos queixadas, aumentando sua disponibilidade.
      Esta proposta visa identificar as espécies vegetais que compõem a dieta alimentar dos queixadas no interior e entorno do PNE por metabarcoding de DNA fecal, e assim analisar as preferências alimentares de espécies nativas durante o período da safrinha do milho, época de maior dano às plantações. Os resultados permitirão propor alternativas de alimentação e de manejo dos queixadas no intuito de reduzir ainda mais os danos econômicos.
    • Conhecimento Ecológico Local sobre espécies exóticas invasoras em Unidades de Conservação de uso sustentável no litoral de Santa Catarina

      Coordenador do Projeto: Kenia Maria De Oliveira Valadares

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CNPT

      Espécies exóticas invasoras (EEI) são organismos introduzidos em um novo ambiente fora de sua área de distribuição natural e que, uma vez estabelecidos, causam impactos negativos significativos sobre as espécies nativas, ecossistemas e até mesmo atividades humanas. A presença de EEI em unidades de conservação (UC) representa uma ameaça significativa para a biodiversidade e a integridade dos ecossistemas e sua introdução nessas áreas pode comprometer seus objetivos de conservação de diversas maneiras. O conhecimento ecológico local (CEL) desempenha um papel crucial na compreensão e manejo de EEI. O CEL refere-se à compreensão profunda que as comunidades têm sobre os ecossistemas em que vivem. Esse conhecimento inclui a interação entre as espécies nativas e o ambiente, as características sazonais, os ciclos de vida das plantas e animais, bem como os padrões de migração e reprodução. Este estudo visa investigar o conhecimento ecológico local das comunidades locais sobre espécies exóticas invasoras em UC de uso sustentável do litoral de Santa Catarina, especificamente na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APABF) e na Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim (APAA). Como resultados, foram feitas reuniões com as gestões das UC, bem como os primeiros contatos com lideranças comunitárias, visando alinhamentos quanto ao desenho da pesquisa e quanto ao processo de consulta livre, prévia e informada. Foram feitos os questionários para as entrevistas e obtidas as autorizações SISBIO. Foram elaborados os Termos de Consentimento Livre Prévio e Informado, que serão apresentados e discutidos junto às comunidades. Para os próximos passos, serão realizadas as coletas de dados e compilação dos mesmos para posterior análise.

    • Aves aquáticas do Pantanal Matogrossense.

      Coordenador do Projeto: Priscilla Prudente Do Amaral

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CEMAVE

      O projeto de pesquisa Aves Aquáticas do Pantanal mato-grossense busca o monitoramento sistemático e de longo prazo deste grupo de aves no Pantanal. O CEMAVE pretende estabelecer um projeto contínuo de investigação das populações de aves aquáticas deste bioma, podendo expandir a proposta original, a depender das oportunidades. É possível replicar métodos que permitam comparar a situação atual com levantamentos anteriores realizados por outros pesquisadores, em projetos que são modulares e podem agregar novos parceiros e novos objetivos a cada ano. No futuro, espera-se que a coleta mínima de dados possa ser realizada de forma consistente por membros locais da equipe do CEMAVE (bolsistas e servidores em teletrabalho), a baixo custo, trazendo informações bastante relevantes para a conservação dos ecossistemas. Em 2024, foram amostradas áreas úmidas em três expedições ao Pantanal Sul. Na BR-262, os dados foram coletados de forma comparável a pesquisa equivalente realizada em 2000 e os resultados demonstram uma redução de 80 a 100% na contagem de indivíduos, nos três meses amostrados. A área foi completamente afetada pelos incêndios e pela seca extrema; medições dos níveis dos rios que ocorrem desde 1900 demonstraram que 2024 ultrapassou o limite histórico de seca, resultando na quase inexistência de habitat para as aves aquáticos nas áreas amostradas, que eram conhecidas pelas grandes concentrações deste grupo, em especial nos meses mais secos do ano. Novas áreas de amostragem foram agregadas ao projeto. Espera-se que a continuidade do monitoramento e a inclusão de novas áreas permita-nos aprimorar a compreensão sobre a dinâmica e as tendências populacionais das aves aquáticas, como indicadoras da saúde das áreas úmidas, essenciais para a vida no planeta.

    • Diversidade Florística da Rebio do Córrego do Veado-Pinheiros/ES

      Coordenador do Projeto: Gabriel Fernando Rezende

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: Reserva Biológica do Córrego do Veado - ES

      A Reserva Biológica do Córrego do Veado, representa uma área de extrema relevância para a conservação da biodiversidade na Mata Atlântica. Essa região se destaca por sua elevada diversidade florística, embora ainda seja pouco explorada em termos de estudos botânicos detalhados. Os Catálogos de Unidades de Conservação foram desenvolvidos com o objetivo de auxiliar na gestão e no monitoramento dessas áreas protegidas, além de servirem como uma importante ferramenta para fomentar pesquisas científicas em regiões negligenciadas. Nesse contexto, o presente estudo teve como principal objetivo contribuir para a elaboração do Catálogo de Plantas da Rebio Córrego do Veado, reunindo informações essenciais sobre a flora local e promovendo sua divulgação científica. A construção do catálogo envolveu a análise de dados provenientes de levantamento bibliográfico, consultas a bancos de dados de herbários físicos e digitais, além de coletas botânicas realizadas diretamente em campo. Até o momento, foram registradas 529 espécies de plantas, distribuídas em diversas famílias botânicas, sendo as Fabaceae a mais representativa em termos de diversidade de espécies. Esses resultados ressaltam a importância da unidade de conservação para a proteção da flora da Mata Atlântica, fornecendo subsídios para ações de manejo e conservação, além de estimular novas pesquisas científicas na região .

    • Controle e monitoramento de Saguis invasores (Callithrix sp) na Serra Fluminense

      Coordenador do Projeto: Luis Felipe de Souza Carvalho

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: Reserva Biológica do Tinguá - NGI ICMBio Serra Fluminense

      O objetivo principal do projeto é realizar o controle e monitoramento da população de primatas não humanos invasores do gênero Callithrix sp (mico-estrela) na Serra Fluminense. Seguindo uma rigorosa metodologia, os animais são capturados utilizando armadilhas modelo Tomahawk em locais pré-estabelecidos pela equipe. Após a captura, os animais são conduzidos para uma unidade móvel clínico-cirúrgica (especialmente construída para receber os animais com segurança) onde são realizados procedimentos como biometria, pesagem, sexagem, marcação (com colar colorido e tatuagem), coleta de material biológico (sangue, fezes, urina, secreções, parasitas), avaliação clínica e esterilização dos animais (vasectomia e ligação de trompas). Após os procedimentos, e estando os animais com boas condições de saúde, os mesmos são retornados e soltos em seu local de captura, onde a equipe do projeto irá acompanhá-los no ambiente. Os animais serão recapturados periodicamente para pesquisa
      de doenças zoonóticas que eventualmente estejam circulando no ambiente como vírus (Arboviroses, Raiva, Herpesvírus e Hepatite), bactérias (Tuberculose, Salmonelose e Leptospirose), fungos (Esporotricose e Histoplasmose) e parasitas (Doença de Chagas, Leishmaniose, Toxoplasmose e Malária). O material biológico é enviado para instituições parceiras junto ao projeto (FIOCRUZ, Universidades). O projeto, pioneiro e inovador, possui inserção em 5 objetivos específicos e 11 ações do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e da Preguiça de Coleira, descritos a seguir:
      Objetivo específico 1: Restaurar, manter e aumentar o hábitat e sua conectividade em áreas importantes para a conservação dos táxons alvos do PAN.

      • Ação : Identificar áreas importantes para as espécies-alvo do PAN.
      Objetivo específico 2: Manejar Populações dos táxons alvo do PAN visando sua viabilidade.

      • Ação : Identificar populações fonte e receptoras para o manejo populacional integrado.
      • Ação : Identificar áreas potenciais para repovoamento dos táxons do PAN.
      • Ação : Realizar manejo populacional in situ de mico-leão-dourado, visando a viabilidade de suas populações, de acordo com as recomendações do GAT.

      Objetivo específico 3: Manejar primatas e preguiças alóctones em áreas importantes para a conservação de táxons do PAN e prevenir a colonização de novas áreas.

      • Ação : Identificar áreas importantes para controlar populações invasoras de preguiças e primatas – especialmente de Callithrix sp., Sapajus sp. e Leontopithecus chrysomelas –, inclusive híbridos decorrentes de introduções.
      • Ação : Desenvolver projetos-piloto e protocolos para controle/erradicação de populações invasoras e híbridas decorrentes de introduções.
      • Ação : Diagnosticar fatores relacionados ao estabelecimento de novas populações invasoras.
      • Ação : Desenvolver ações de capacitação e sensibilização – com ênfase em agentes públicos – para prevenir a introdução de novas populações invasoras.

      Objetivo específico 4: Avaliar e mitigar os impactos de doenças de importância para a conservação de primatas e preguiças da Mata Atlântica
      • Ação : Realizar estudos de potenciais ameaças e análises de risco de doenças nos táxons alvo.

      Objetivo específico 5: Desenvolver Estratégias de comunicação, sensibilização ambiental e de articulação multissetorial que favoreçam a conservação dos táxons alvo.
      • Ação : Desenvolver material didático-pedagógico e de divulgação dos táxons-alvo do PAN.
      • Ação : Estimular ciência-cidadã para auxiliar na identificação das localidades de ocorrência dos táxons-alvo e potencialidades e ameaças para sua conservação, inclusive com a popularização do SISSGeo.
    • Impactos de incêndios florestais sobre a biodiversidade no norte da Amazônia.

      Coordenador do Projeto: Thiago Orsi Laranjeiras

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: NGI Roraima

      Incêndios florestais têm emergido como uma das principais ameaças a biodiversidade amazônica, sobretudo em sinergia com o desmatamento e as mudanças climáticas. No norte da Amazônia brasileira, as campinaranas (florestas em solos arenosos e mal drenados) e as várzeas (florestas alagáveis pelos rios), ambas relativamente baixas e abertas, são especialmente vulneráveis. Após anos recentes de seca intensa, áreas queimadas já caracterizam a paisagem em muitas regiões, incluindo dentro de Unidades de Conservação. Entretanto, apesar da importância dessas florestas para a biodiversidade amazônica como um todo, os impactos dos incêndios têm sido pouco ou quase nada estudados. Nesse projeto, nós começamos a investigar. os impactos de incêndios recentes na diversidade de aves e borboletas frugívoras em um mosaico (de trechos herbáceos e arbustivos a bordas de manchas de florestas) de ecossistemas de areia branca e de várzeas, no Parque Nacional do Viruá, norte do Brasil. Nós temos conduzido amostragens padronizadas em mais de 40 locais, incluindo 12 parcelas nas várzeas e 22 parcelas permanentes nas campinas, envolvendo áreas queimadas e não queimadas. As amostragens consistem em pontos de escuta e captura com redes de neblina para as aves e em capturas com armadilhas com isca para as borboletas frugívoras. Desde 2022, já temos registrado mais de 250 espécies de aves e mais de 50 espécies de borboletas. De modo geral, ambos grupos biológicos mostram uma tendência de maior diversidade de espécies especializadas ou florestais com baixa abundância nas áreas não queimadas que nas queimadas (grande abundância de poucas espécies e muitas espécies generalistas ou de extensa distribuição geográfica). Esses resultados preliminares demostram o impacto da passagem do fogo, sugerindo que diferentes medidas de manejo devem ser aplicadas dependendo da capacidade de recuperação da vegetação. Por um lado, áreas mais abertas de campinas e as florestas de várzeas podem ter uma recuperação mais rápida, mas as consequências da recorrência do fogo nesses habitats ainda são indeterminadas.

    • Avaliação da influência do efeito de borda na dinâmica, na estrutura e no estoque de carbono da biomassa aérea de um trecho da Reserva Biológica do Córrego Grande.

      Coordenador do Projeto: Gabriel Fernando Rezende

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: Reserva Biológica do Córrego Grande

      Foi realizado um levantamento fitossociológico em três localidades diferentes da RBCG. Foram utilizadas 36 unidades amostrais (parcelas) com dimensões de 10m x 25m, totalizando 0,9 há, distribuídas em nove transectos, em três áreas: borda com eucalipto, borda com estrada, e no interior. Em 2024, sete anos após a primeira medição, foram inventariadas as parcelas, medindo-se as circunferências das árvores, a altura, contabilizando os indivíduos mortos e incorporando os recrutas. Os indivíduos recrutados foram identificados e tombados no herbário CAP (UFES).
      Foram cinco campanhas de coleta de dados em 2024, mas oito parcelas não tiveram as alturas medidas devido a dificuldades logísticas. A amostragem inventariou 2388 indivíduos, uma redução de 38 em relação a 2017. A área basal total também diminuiu de 33,42 m2.ha-1 para 26,06 m2.ha-1.
      As dez espécies arbóreas com maiores valores de importância foram lideradas por Guapira opposita (Vell.) Reitz., seguida por Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand, Eriotheca candolleana (K.Schum.) A.Robyns, Joannesia princeps Vell., Macrolobium latifolium Vogel, Annona dolabripetala Raddi. Virola officinalis Warb., Eschweilera ovata (Cambess.) Mart. ex Miers, Pogonophora schomburgkiana Miers ex Benth. e Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret. G. opposita continua sendo a espécie com maior valor de importância.
    • Ocorrência e distribuição do Bugio- preto (Alouatta caraya) na área de proteção ambiental Ibirapuitã (RS)

      Coordenador do Projeto: Fernando Luis Vieira da Maia

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: APA do Ibirapuitã.

      Ao menos seis grupos distintos de Bugio-preto (Alouatta caraya) foram registrados na Área de Proteção Ambiental (APA) de Ibirapuitã, como resultado do conjunto de esforços da equipe da APA e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB) ao longo do ano de 2024. O levantamento da espécie ocorreu dentro do âmbito do Projeto Ronco do Bugio e consistiu na busca ativa da espécie, considerando tanto o conhecimento local, avistamentos e rastros e vestígios, como as fezes.
      Os primeiros registros da espécie na APA de Ibirapuitã são considerados recentes (Jardim et al., 2019), e tem destacada importância para a conservação, especialmente como reservatórios genéticos. Neste projeto, a equipe percorreu localidades ao longo dos quatro municípios que compõem a Unidade (Santana do Livramento, Quaraí, Alegrete e Rosário do Sul). Cerca de 12 áreas previamente analisadas como interessantes para a ocorrência da espécie foram visitadas, com base em relatos e registros anteriores e estrutura vegetacional.
      O Bugio-preto é uma espécie amplamente distribuída em florestas e savanas ao longo do território brasileiro, sendo reconhecidos por suas fortes vocalizações, que atingem longas distâncias e são usadas também na demarcação de territórios entre grupos. Em termos de conservação, a espécie foi considerada Ameaçada no Brasil durante última Avaliação de Risco de Extinção realizada pelo CPB. Especialmente em algumas regiões, como o estado do Rio Grande do Sul, é classificada como Em Perigo (Decreto Estadual nº 51.797/2014). O Bugio-preto sofre principalmente devido à perda, fragmentação e desconexão de habitats, agravadas pela agricultura e pecuária, e sua vulnerabilidade a epidemias.
      Ainda, o Bioma Pampa segue como um dos menos protegidos do país em número de Unidades de Conservação e tamanho de área protegida. Na região, a presença destes animais é restrita às Matas de Galeria – florestas que se estendem ao longo de rios e córregos; enfatizando o papel da APA Ibirapuitã na proteção e conservação da diversidade do bioma. Nesse sentido, é de grande interesse localizar as populações restantes, bem como avaliar sua densidade.
    • Ocorrência e Distribuição do guariba-da-caatinga (Alouatta ululata) no Parque Nacional de Ubajara (CE)

      Coordenador do Projeto: Luciana Aires Barreira De Amorim

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: Parque Nacional de Ubajara.

      Ocorrência e distribuição do guariba-da-Caatinga (Alouatta ululata) no Parque Nacional de Ubajara (CE)
      O Parque Nacional de Ubajara é uma Unidade de Conservação Federal de Proteção Integral, de 6.302 hectares, abrangendo áreas dos municípios de Ubajara, Tianguá e Frecheirinha. O Parque está localizado na vertente leste da Serra da Ibiapaba e encontra-se do topo da encosta até a planície sertaneja, com níveis de altitude entre 900 e 386 metros, respectivamente. Dentre o bioma Caatinga, nessa área o tipo de vegetação que se sobressai é mata úmida a mata seca em um gradiente decidual.
      A vegetação é um dos importantes recursos naturais que caracterizam o Parque como Unidade de Conservação. Pode-se destacar o diferencial morfoclimático, conhecido como oásis em meio ao semiárido. O Parque Nacional apresenta, entre oitocentos e oitenta a setecentos metros de altitude, a Floresta Estacional Sempre-verde, respondendo por 18% da área total do PARNA. Já a Floresta Estacional Decídua desenvolve-se entre setecentos e quatrocentos metros de altitude e corresponde a 72,1% da área da UC. Finalmente, a Savana Estépica Arborizada na planície sertaneja abaixo de quatrocentos metros, corresponde a 9,9% do Parque.
      Três espécies de primatas estão presentes na região: macaco-prego (Sapajus libidinosus), sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) e guariba-da-Caatinga (Alouatta ululata). Potenciais predadores terrestres de primatas na área são jaguatiricas (Leopardus pardalis), gatos-do-mato (Leopardus tigrinus), onças-pardas (Puma concolor), iraras (Eira barbara) e raposas (Cerdocyon thous); (Falótico et al., 2024; Guedes et al., 2000).
      O guariba-da-Caatinga (Alouatta ululata) é uma espécie endêmica de primata, ocorrendo basicamente na região nordeste do Brasil nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão. Encontra-se ameaçada, na categoria “Em Perigo” (MMA, 2022). Devido a perda de habitat e a caça tem sido registrada a extinção local, principalmente em áreas do estado do Ceará (Freire Filho & Palmeirim, 2019).
      Não se tinha registro da ocorrência da espécie no Parque Nacional de Ubajara ao menos nos últimos 20 anos, até o ano de 2021. A partir de então houve uma visualização (Tatiane Valença, comunicação pessoal) e registros de vocalizações. O registro recente da presença da espécie no Parque Nacional de Ubajara, Unidade de Conservação de Proteção Integral é uma boa notícia para a conservação da espécie. No entanto, torna-se necessário obter maiores informações sobre a presença da espécie na área a fim de garantir sua proteção e continuidade.
      É uma das espécies integrantes do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Primatas do Nordeste (PAN-PRINE) e a presente proposta está relacionada a execução da ação 1.1 “Realizar, refinar e divulgar estudos sobre a ocorrência e distribuição de espécies do PAN”.
      Esta proposta também vem ao encontro das ações do GEF Terrestre que serão desenvolvidas no PARNA Ubajara para elaboração de protocolo de amostragem para primatas e xenartras do Bioma Caatinga do Programa de Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio (Programa Monitora).
      Os objetivos da pesquisa são: identificar as áreas de ocorrência do guariba-da-Caatinga (Alouatta ululata) no Parque Nacional de Ubajara e gerar informações para a implementação de protocolos de amostragem de Primatas do Bioma Caatinga do Programa Monitora, no escopo do GEF Terrestre.
      O trabalho será realizado através de busca ativa, utilização de armadilha fotográfica, pontos de escuta, uso de drone e com dados complementares de entrevistas a comunidade locais.
      Os resultados e produtos esperados são: confirmação da presença de Alouatta ululata na área do Parque Nacional de Ubajara; identificação das áreas de ocorrência da espécie no interior do Parque Nacional de Ubajara e gerar informações importantes para a definição de áreas elegíveis para teste de protocolos de amostragem (GEF Terrestre) e instalação das unidades amostrais do componente florestal do Programa Monitora.
    • Levantamento da captura incidental de espécies marinhas e esforço de pesca, a partir da coleta de dados e informações da atividade pesqueira do Sudeste e Sul do Brasil.

      Coordenador do Projeto: Antonio Alberto Da Silveira Menezes

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CEPSUL

      O levantamento de dados junto das pescarias constitui-se em um instrumento importante para a gestão dos recursos pesqueiros e definição de medidas para minimizar os impactos sobre as capturas incidentais, imprescindível para uma avaliação ecossistêmica voltada à conservação das espécies. Reconhece-se a necessidade de acompanhar as pescarias no Brasil, bem como avaliar o estado populacional de algumas espécies já em depleção e que são descartadas durante as pescarias e o acesso a estas informações é quase nulo.
      Assim, é fundamental a obtenção de dados e informações mais atualizadas sobre as espécies que são capturadas incidentalmente e suas abundâncias relativas, incluindo não só os peixes cartilaginos e ósseos, mas também outros grupos como as aves, tartarugas e mamíferos marinhos suas áreas de ocorrência a composição de tamanhos e sexos, épocas de capturas, bem como informações sobre as frota atuantes, com especial referência ao esforço empregado sobre estas.
      Sendo assim, o presente projeto tem por objetivo apresentar um modelo de acompanhamento para o ICMBio das frotas com redes de emalhe, espinhel e de arrasto direcionadas aos peixes demersais, com foco nos elasmobrânquios ameaçados de extinção e alguns teleósteos, por intermédio dos embarques de observadores científicos, além das análises de esforço de pesca das frotas em operação.
      Esta pesquisa também se coaduna com o Projeto Estratégico de Pesquisa do ICMBio (PEP, contribuindo aos eixos temáticos de Gestão pesqueira e cadeias produtivas em unidades de conservação de uso sustentável e Conservação das espécies ameaçadas. Também pode ser associado a implementação de planos de ação nacionais coordenados ou em implementação pelo CEPSUL, como o PAN Tubarões (1° e 2° ciclo), o PAN Corais e PAN Lagoas do Sul, colaborando com o alcance de seus objetivos.
    • Estimativa da base de presas para a onça-pintada (Panthera onca) na Estação Ecológica Jureia-Itatins: ferramenta para estimar a capacidade suporte para uma espécie de topo de cadeia criticamente ameaçada de extinção na Mata Atlântica

      Coordenador do Projeto: Lilian Bonjorne De Almeida

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CENAP

      A população da onça-pintada no bioma Mata Atlântica foi classificada como criticamente ameaçada de extinção, sendo estimados cerca de 300 indivíduos em todo o bioma. Esforços no sentido de manter ou ampliar as populações deste predador de topo, por meio de reforço populacional ou reintroduções de indivíduos em áreas em que não há mais registro da onça-pintada, mas são classificadas como adequadas à espécie, são estratégias de conservação cada vez mais necessárias. O aumento do conhecimento científico sobre a viabilidade destas estratégias de conservação é crucial para o planejamento de políticas públicas a serem adotas em unidades de conservação do bioma, como é o caso da Ecológica da Jureia-Itatins (EEJI) e áreas do entorno. Este projeto tem como objetivo a coleta de dados para a estimativa da capacidade suporte para a onça-pintada na EEJI, esforço ainda inédito para a espécie no Brasil, além de avaliar a conectividade funcional para a onça-pintada e suas presas, de forma a subsidiar o planejamento de políticas públicas locais e regionais. São objetivos específicos deste projeto: 1) avaliar os efeitos de fatores ambientais e antrópicos sobre a probabilidade de ocupação de espécies de presas potenciais da onça-pintada para que sejam identificadas ameaças potenciais às espécies e 2) estimar a densidade de presas da onça-pintada na EEJI. Os levantamentos de campo serão realizados por meio de grades de armadilhas fotográficas em diferentes regiões da EEJI. Assim, este projeto terá como resultado a geração de dados robustos e evidências científicas para orientar a tomada de decisão acerca da conservação da onça-pintada, bem como de suas presas potenciais tanto local como regionalmente.

    • Monitoramento da biodiversidade utilizando DNA Ambiental (eDNA) metabarcoding a partir de amostras de solo

      Coordenador do Projeto: Lilian Bonjorne De Almeida

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CENAP

      A técnica de eDNA metabarcoding permite a identificação de múltiplas espécies simultaneamente, a partir de amostras ambientais, como solo, água, ar, entre outras. Essa abordagem, por não necessitar de isolar e capturar os organismos, é considerada uma alternativa não-invasiva. Além disso, o eDNA metabarcoding também tem se mostrado complementar e tem superado as limitações de métodos tradicionais de identificação de espécies, permitindo o maior registro de espécies raras ou de hábitos elusivos, requerendo menos esforço amostral e tempo. Assim, essa metodologia tem sido utilizada para monitoramento da biodiversidade em diversos países, inclusive por órgãos ambientais. Atualmente, o monitoramento da biodiversidade brasileira tem sido realizado através do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, o Monitora, e é constituído por três subprogramas (e seus componentes): Terrestre (Florestal e Campestre e Savânico), Aquático-Continental (área alagável e igarapés) e Marinho-Costeiro (manguezal, ambiente recifal, praia, ilha, plataforma, talude continental e área oceânica). Nesse sentido, este projeto tem como objetivo realizar um estudo piloto para avaliar a possibilidade de integrar o eDNA metabarcoding como uma abordagem complementar aos protocolos do Programa Monitora. Este projeto está inserido no componente Florestal do subprograma Terrestre e prevê a coleta de solo, serrapilheira, água, iDNA (invertebrate-derived DNA) de moscas e amostras em massa (bulk samples) de insetos para levantamento de espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados na FLONA Tapajós. Essa Unidade de Conservação foi selecionada, pois já integra o Programa Monitora e já possui resultados tanto do protocolo básico, realizado por transecção linear, quanto do protocolo avançado, realizado por armadilhamento fotográfico, podendo subsidiar a comparação entre os resultados do monitoramento tradicional e do eDNA metabarcoding. Também pretende-se avaliar a viabilidade do uso da ferramenta eDNA metaborcoding em conjunto com os protocolos do Monitora, no ambiente aquático continental na unidade de conservação RESEX Rio Cajari (AP) que participa do Programa Monitora desde 2017, amostrando igarapés e riachos (subprograma Aquático Continental, componente Igarapé/Riacho).

    • Pesquisa e manejo do turismo interativo com cavalos-marinhos (Hippocampus reidi) no litoral nordeste brasileiro

      Coordenador do Projeto: Marcelo Derzi Vidal

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CNPT

      O projeto atua na pesquisa, monitoramento e ordenamento do turismo interativo com cavalos-marinhos (Hippocampus readi), atividade baseada na captura e contenção temporária de indivíduos em ambiente natural. Anteriormente desenvolvido em áreas de manguezal do Parque Nacional de Jericoacoara, cuja atividade de captura passou a ser proibida em meados de 2023, atualmente este modelo de turismo desenvolve-se na Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba (PI) e na Área de Relevante Interesse Ecológico de Maracaípe (PE). Resultados indicam a importância desta atividade na geração de renda de moradores do interior e/ou entorno destas Unidades de Conservação, mas também explicitam impactos negativos sobre o bem-estar dos cavalos-marinhos e sobre os parâmetros populacionais da espécie nas áreas onde a atividade turística se desenvolve. O estudo em andamento contribui para o melhor conhecimento do uso do ambiente por H. reidi e dos impactos negativos do turismo sobre a espécie, classificada como “Vulnerável” na Lista Brasileira de Espécies Ameaçadas de Extinção e inserida no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos, subsidiando o desenvolvimento de estratégias voltadas para minimizar estes impactos e aumentar os benefícios do turismo com esta espécie.

    • Ecologia de movimento de pumas no Parque Nacional da Serra de Itajaí e entorno como ferramenta para priorização de áreas visando a conectividade de remanescentes florestais de Mata Atlântica.

      Coordenador do Projeto: Lilian Bonjorne De Almeida

      Unidade responsável pelo desenvolvimento do projeto: CENAP

      Animais de topo de cadeia influenciam toda a cadeia trófica e por terem grandes áreas de vida podem auxiliar na indicação de áreas importantes a serem preservadas, de modo a manter a conectividade entre unidades de conservação. O puma é uma espécie classificada como vulnerável no estado de Santa Catarina, de forma que o enfoque na identificação de áreas prioritárias para a espécie também é relevante do ponto de vista da conservação de populações da espécie. Nesse sentido, esse projeto tenta auxiliar na indicação de áreas prioritárias para a manutenção da conectividade em uma paisagem que ainda possui uma cobertura florestal próxima a 50%, valor bem acima da média se comparado a muitas outras áreas no bioma Mata Atlântica. O fato de o estado de Santa Catarina apresentar um relevo acidentado em algumas regiões garantiu a existência de remanescentes florestais importantes para a conservação do bioma, tais como o Parque Nacional da Serra do Itajaí (PNSI), com 57374 ha, a Floresta Nacional de Ibirama (FNI), com 519 ha, a Reserva Biológica de Sassafrás (RBS), com 5229 ha e a Reserva Biológica da Canela Preta (RBCP), com 1889 ha. A baixa densidade na qual a espécie ocorre localmente no PNSI e as grandes áreas de vida (>10000 ha) reforçam a necessidade de manter a conectividade com outros remanescentes para garantir a dispersão e o fluxo gênico e a perpetuidade das populações de pumas. O puma é uma espécie-focal útil para garantir que um plano de conservação que mantenha uma área de hábitat suficiente para formação de corredores, podendo subsidiar as estratégias de conservação e motivar os esforços de conservação que beneficiam muitas outras espécies. Sendo um predador de topo de cadeia, o puma é uma espécie-chave para o equilíbrio dos ecossistemas e sendo ainda raras as pesquisas sobre a espécie no Brasil, com o monitoramento via satélite serão obtidos dados importantes que irão preencher uma grande lacuna existente no conhecimento da ecologia da espécie na região. A identificação dos hábitats preferenciais e dos corredores de dispersão poderão subsidiar o planejamento ambiental regional, a partir da definição de áreas prioritárias para a proposição de um corredor ecológico e de um mosaico de áreas protegidas, visando garantir sua sobrevivência a longo prazo.

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