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Workshop identifica plantas de UCs da Amazônia
Publicado em
13/03/2018 15h33
Especialistas reunidos no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro iniciaram a identificação de 4.500 amostras coletadas no âmbito do Programa Monitora do ICMBio.
Durante os sete dias do workshop, um grupo de 23 profissionais, formado por taxonomistas do JBRJ, alunos de mestrado e doutorado da Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT/JBRJ), bolsistas do projeto e pesquisadores e técnicos do New York Botanical Garden (NYBG), trabalhou na identificação das amostras arbóreas coletadas em 11 UCs da Amazônia.
projeto de monitoramento começou bem antes, com a instalação de 30 parcelas permanentes distribuídas pelas UCs de norte a sul e de leste a oeste da Amazônia brasileira. Em seguida, duas equipes lideradas pelo pesquisador Douglas Daly, do NYBG, e sob a coordenação de campo do pesquisador Flávio Obermüller, passaram seis meses coletando amostras nessas parcelas e seus arredores. Ao todo, as expedições foram a sete estados – Acre, Pará, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Maranhão. O herbário do JBRJ, parceiro na iniciativa, é o responsável pelo recebimento das amostras, que passam a fazer parte de seu acervo. As duplicatas serão enviadas para o NYBG e para herbários próximos das UCs onde foram feitas as coletas. Esta fase do trabalho contou com recursos do Arpa e também da Fundação Moore, por meio do Projeto de Monitoramento Participativo, coordenado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE).
Já a etapa de identificação possibilitou não apenas saber quais espécies estão presentes nessas parcelas, mas também a estrutura das comunidades de plantas que elas abrigam. Entre os achados mais interessantes até agora, por exemplo, estão duas amostras de Siparuna ficoides, planta que era conhecida somente por quatro coletas, sendo duas delas do mesmo indivíduo. Com esses e outros dados provenientes do monitoramento, os gestores podem acompanhar de que maneira as espécies estão respondendo às ameaças e fatores de pressão sobre elas – como as mudanças climáticas e a presença de espécies invasoras, possibilitando um melhor planejamento do manejo, conservação e uso sustentável da flora nativa.
Maior bioma em área, abrangendo 49,29% do território brasileiro, a Amazônia ainda apresenta muitas incógnitas no que se refere à diversidade de sua flora (vide artigo publicado em jbrj.gov.br/node/838). No levantamento realizado pelo grupo da Flora do Brasil 2020 (floradobrasil.jbrj.gov.br), o bioma aparece como segundo mais rico do país em número de espécies, atrás da Floresta Atlântica, que ocupa apenas 13,04% do território nacional. Porém, os cientistas sabem que há uma lacuna no número de espécies amazônicas registradas nos estudos. E esse problema se deve, em grande parte, à escassez de coletas na Região Norte.
Segundo a curadora do herbário RB, Rafaela Forzza, que participou de duas destas expedições, embora as parcelas forneçam uma amostragem mínima diante das áreas gigantescas em que estão inseridas, o trabalho realizado é um passo inicial para gerar listas de espécies para as UCs abrangidas pelo projeto. “Foram coletadas muitas amostras complementares especialmente no Parna Juruena (MT/PA) e no Parna Tumucumaque (AP)”, destacou.
Texto e fotos: Claudia Rabelo Lopes (Ascom/JBRJ)
Comunicação ICMBio
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