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Plano de ação e parceria com governo do Espírito Santo marcam nova etapa de melhorias no Parque Nacional do Caparaó (MG/ES)
Paisagem do Pico da Bandeira, um dos pontos mais altos do Brasil, localizado no Parque Nacional do Caparaó - Foto: Ricardo Machado
No alto das montanhas da Serra do Caparaó, onde trilhas conduzem ao Pico da Bandeira e a Mata Atlântica ainda se mantém preservada, o Parque Nacional do Caparaó inicia uma nova etapa de melhorias voltadas à visitação e à infraestrutura. Localizada na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, a unidade passa a receber um conjunto de ações destinadas a qualificar os espaços e ampliar o acesso ao público de forma sustentável.
Entre os destaques, está a parceria do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) com o governo do estado do Espírito Santo para a revitalização da estrada de acesso pela portaria de Pedra Menina, iniciativa estratégica para fortalecer o turismo e ampliar o acesso de visitantes ao parque pelo lado capixaba.
Criado em 1961, o parque protege importantes remanescentes de Mata Atlântica e abriga o Pico da Bandeira – um dos pontos mais altos do Brasil e um dos principais atrativos naturais da unidade. Com cerca de 31 mil hectares, aproximadamente 79% de área do parque está no Espírito Santo e 21% em Minas Gerais. A unidade abrange municípios como Iúna, Dores do Rio Preto e Ibitirama (ES), além de Alto Caparaó, Alto Jequitibá, Caparaó e Espera Feliz (MG).
O anúncio das ações ocorreu durante agenda institucional que reuniu o presidente do ICMBio, Mauro Pires, o então governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, além de autoridades estaduais e municipais. Na ocasião, o Instituto apresentou o Plano de Ação do parque, que prevê investimentos e intervenções voltadas à melhoria das estruturas de apoio à visitação.
Como parte desse processo, também foi celebrado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o ICMBio e o município de Ibitirama (ES), voltado à ampliação das oportunidades de turismo e ao estímulo ao desenvolvimento local.
Para o gerente regional do ICMBio na região Sudeste, Breno Herrera, o avanço das ações no parque está diretamente ligado à construção de parcerias institucionais. Ele destaca que acordos com municípios do entorno e o envolvimento da sociedade civil –por meio do conselho gestor, recentemente reativado – têm papel fundamental nesse processo. “Este acordo de cooperação técnica com o município de Ibitirama, somado a outras parcerias já vigentes, evidencia o compromisso coletivo em prol do Caparaó”, afirma.
Melhoria do acesso e qualificação da visitação
Um dos principais eixos das ações é a requalificação da estrada que liga a portaria de Pedra Menina à região da Casa Queimada, no lado capixaba do parque. A intervenção busca para melhorar as condições de acesso e proporcionar mais segurança e conforto aos visitantes.
A chefe do Parque Nacional do Caparaó, Adriana Carvalho, explica que atualmente apenas veículos com tração 4x4 conseguem percorrer parte do trajeto, o que acaba restringindo o acesso a alguns dos atrativos mais importantes da unidade. “Com a melhoria da estrada, outros tipos de veículos poderão acessar esses locais com mais facilidade, ampliando o número de visitantes que optam por conhecer o parque pelo lado capixaba”, afirma.
“Avaliamos aspectos como pressão de visitação em determinados períodos, impacto em trilhas, geração de resíduos, capacidade dos sistemas de saneamento e presença de espécies ameaçadas. Somente após essa análise criteriosa é que podemos avançar com segurança na ampliação da visitação”, explica a chefe do Parque, Adriana Carvalho.
As intervenções previstas incluem a criação de novos trechos em áreas com solo encharcado, onde há registros recorrentes de veículos atolados, além de melhorias estruturais em pontes ao longo do percurso. “Em alguns pontos será possível abrir novos caminhos, enquanto em outros serão necessárias soluções de engenharia para garantir mais segurança e melhores condições de acesso às áreas de visitação”, acrescenta Carvalho.
A obra será realizada em parceria com o governo do Espírito Santo, responsável pela recuperação da estrada. Ao ICMBio caberá implementar estruturas de apoio ao longo do percurso, como mirantes, sanitários e pontos de apoio aos visitantes.
Para Breno Herrera, a intervenção é essencial para melhorar a experiência do público no parque. “Essa reforma é indispensável para qualificar a visitação e permitir que, de forma mais adequada, mais pessoas tenham acesso a essas belezas naturais”, destaca.
As ações previstas no Plano de Ação resultam de um diagnóstico técnico realizado na unidade, que avaliou as principais estruturas de apoio à visitação. O estudo, conduzido pelo analista ambiental do ICMBio Fábio Faraco, analisou equipamentos como centros de visitantes, portarias, áreas de camping, trilhas e acessos aos atrativos.
“As ações previstas buscam recuperar, adaptar e modernizar as estruturas existentes, além de ampliar a acessibilidade e a segurança, conciliando o aumento da visitação com a conservação dos recursos naturais”, explica Faraco.
Na avaliação da chefe do parque, qualquer iniciativa de ampliação da visitação precisa ser precedida por análises detalhadas sobre a capacidade de suporte dos atrativos e os possíveis impactos provocados pela presença de visitantes.
Entre as intervenções previstas estão melhorias em trilhas, sinalização e infraestrutura de apoio, além da adequação de passarelas, guarda-corpos e decks de acesso, sempre com foco em segurança e acessibilidade aos visitantes.
Desenvolvimento local e fortalecimento das parcerias
As iniciativas também buscam fortalecer a relação entre o parque e os municípios do entorno, promovendo oportunidades de geração de renda e valorização de produtos locais. Para Faraco, o planejamento dialoga com demandas históricas da região e busca integrar de forma mais consistente o parque às dinâmicas econômicas locais.
Adriana Carvalho observa que a melhoria da infraestrutura e das condições de acesso tende a gerar impactos positivos em toda a cadeia do turismo regional. “Com o parque mais estruturado e alguns atrativos mais acessíveis, esperamos fortalecer o turismo regional, com aumento na procura por hospedagem, alimentação e transporte especializado”, afirma.
Ela destaca ainda que o aumento do fluxo de visitantes pode contribuir para valorizar outros atrativos naturais e culturais da região, além de fortalecer a economia dos municípios do entorno.
O plano também prevê investimentos em infraestrutura e gestão do parque, com recursos provenientes de diferentes fontes – incluindo emendas parlamentares, fundos de compensação ambiental e programas de apoio a parques nacionais. No total, os investimentos previstos somam cerca de R$ 11,9 milhões e serão destinados a ações de estruturação, melhorias operacionais e qualificação da visitação.
Entre picos, vales e trilhas que levam ao Pico da Bandeira, a expectativa é que as melhorias ampliem o acesso ao parque sem abrir mão da conservação – permitindo que cada vez mais visitantes conheçam de perto uma das paisagens naturais mais emblemáticas do país.
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