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Nova espécie de anfíbio é descoberta no Brasil
Espécie recém-descrita, Ololygon paracatu habita córregos de águas rápidas, ambientes ameaçados por degradação e uso intensivo da água - Foto: Alejandro Valencia-Zuleta
Uma nova espécie de anfíbio foi descoberta no Cerrado brasileiro, ampliando o conhecimento científico sobre a biodiversidade do bioma. A espécie, batizada de Ololygon paracatu, é endêmica do Cerrado e conhecida, até o momento, apenas em cabeceiras que ajudam a formar o Rio Paracatu, um dos mais importantes afluentes do Rio São Francisco.
A Ololygon paracatu é uma perereca de pequeno porte pertencente ao grupo Ololygon catharinae. Os machos medem entre 20,4 e 28,2 milímetros, enquanto as fêmeas variam entre 29,3 e 35,2 milímetros. A nova espécie se diferencia de parentes próximas por características morfológicas, acústicas e moleculares, confirmadas por análises científicas detalhadas.
A espécie é a oitava do gênero a ser descrita no Cerrado, ampliando a lista de anfíbios únicos desse bioma, considerado o segundo maior da América do Sul e um dos hotspots de biodiversidade (regiões que possuem alta concentração de espécies endêmicas) mais ameaçados do planeta.
Apesar de abrigar cerca de 5% de todas as espécies do mundo, o Cerrado apresenta uma taxa de destruição superior à observada em outros biomas brasileiros, o que aumenta o risco de perda de espécies antes mesmo que sejam conhecidas pela ciência.
A nova perereca foi encontrada exclusivamente no Cerrado do noroeste de Minas Gerais, em duas localidades próximas entre si, no município de Paracatu. Seu habitat é bastante específico, a espécie vive em matas de galeria associadas a córregos de águas rápidas e leito rochoso, ambientes fundamentais para a manutenção da biodiversidade e para o equilíbrio hídrico da região.
“A conservação dos córregos e riachos onde essa nova espécie vive é importante não apenas para sua sobrevivência, mas para a manutenção do próprio Rio Paracatu e seus afluentes”, alerta a pesquisadora.
O nome da espécie faz referência ao Rio Paracatu, cujo nome, de origem tupi-guarani, significa “rio bom”. A identificação da nova espécie teve início durante pesquisas realizadas no doutorado da pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN-ICMBio), Daniele Carvalho. Ao analisar exemplares previamente identificados como outra espécie, depositados na Coleção Zoológica da Universidade Federal de Goiás (ZUFG), surgiram dúvidas quanto à identificação de dois indivíduos que apresentavam diferenças morfológicas sutis.
Diante dessa suspeita, foram realizadas novas investigações, incluindo expedições de campo para localizar populações da espécie. Os novos indivíduos coletados foram submetidos a análises morfológicas, genéticas e bioacústicas, que confirmaram tratar-se de uma espécie inédita para a ciência.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participou do processo por meio da concessão da licença de coleta científica, realizada via Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (Sisbio), etapa fundamental para a realização das pesquisas de campo.
Entre as principais ameaças à Ololygon paracatu estão a mineração, a degradação ambiental e o uso intensivo da água para atividades agrícolas. Essas pressões afetam diretamente os córregos e riachos onde a espécie vive e comprometem a integridade da bacia hidrográfica do Rio Paracatu.
Segundo Daniele, a conservação desses ambientes é essencial não apenas para a sobrevivência da nova espécie. Ela destaca ainda que a escolha do nome da espécie busca chamar a atenção para os desafios ambientais enfrentados na região. “Esperamos que esse nome ajude a chamar a atenção para a crise hídrica e ambiental que assola essa importante bacia hidrográfica e que ameaça não apenas os anfíbios, mas toda a sociedade”, afirma.
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