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Na Colômbia, ICMBio destaca boas práticas de Manejo Integrado do Fogo em evento internacional
O coordenador do Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF), João Morita, compôs mesa com destaque - Foto: Ramilla Yamanaka/ICMBio
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participou, nos dias 21 e 22 de abril, da I Exposição de Manejo Integrado do Fogo (ExpoMIF), realizada em Villavicêncio, na Colômbia, evento internacional que reuniu 53 boas práticas de Manejo Integrado do Fogo (MIF) desenvolvidas por dez países: Brasil, Colômbia, Bolívia, Peru, Venezuela, Equador, México, Itália, Estados Unidos e Espanha.
A exposição contou com a participação de governos, organizações da sociedade civil, brigadas comunitárias e voluntárias, universidades e instituições de pesquisa. As iniciativas foram previamente selecionadas, em fevereiro, para integrar uma plataforma virtual de boas práticas, que reuniu experiências de diferentes países da América Latina e de parceiros internacionais.
Das 53 práticas selecionadas, 22 são brasileiras, sendo quatro desenvolvidas pelo ICMBio em Unidades de Conservação (UCs) federais. As iniciativas apresentadas pelo Instituto foram implementadas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT), no Parque Nacional da Serra da Canastra (MG) e no Parque Nacional dos Campos Amazônicos (RO), envolvendo servidores, brigadistas e comunidades locais.
Durante o evento, os participantes puderam compartilhar experiências e conhecer estratégias adotadas em diferentes territórios para o uso planejado, técnico e integrado do fogo. “Foi uma oportunidade única não apenas de mostrar o que temos feito para fortalecer o Manejo Integrado do Fogo no Brasil, mas também de ouvir, aprender e somar esforços para promover boas ideias no contexto amazônico e nacional”, avaliou o coordenador do Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF), João Morita.
A ExpoMIF é impulsionada pela Cooperação Alemã (GIZ) e pela Cooperação Suíça (Cosude), por meio do Projeto CoRAmazonia, e conta com o apoio de aliados estratégicos como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), por meio do Centro Global de Gestão de Incêndios, do Projeto FiRe, o programa Amazonía+ da União Europeia, a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) da Colômbia e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O fogo como elemento ancestral e de pertencimento
A apresentação da prática desenvolvida no Parque Nacional da Serra da Canastra (MG) destacou o reconhecimento do uso tradicional do fogo pelos canastreiros no manejo do pasto para a produção do Queijo da Canastra. A iniciativa contribuiu para transformar a relação entre a gestão da UC e a comunidade local. “Com diálogo e entendimento sobre o uso tradicional do fogo, conseguimos reduzir conflitos e hoje os canastreiros são parceiros nas ações de manejo”, afirmou a analista ambiental Bianca Zorzi, que auxiliou na implementação da iniciativa.
Para a mestre queijeira Renata Almeida, produtora do queijo da Canastra, o conhecimento ancestral, aliado à técnica, à tecnologia e à pesquisa, contribui para a proteção dos biomas e para a permanência das comunidades tradicionais em seus territórios.
Outra experiência foi apresentada pelo Parque Nacional dos Campos Amazônicos (RO), desenvolvida por meio da parceria entre ICMBio, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Brigada Indígena Tenharim. A iniciativa envolve a realização de queimas prescritas em áreas de transição entre o Cerrado e a Amazônia, o que permitiu que os indígenas se apropriassem de regiões antes vistas apenas como áreas de passagem. Com isso, os Tenharim passaram a atuar de forma mais direta na proteção do próprio território, fortalecendo a vigilância e a conservação dessas áreas.

- Aliança interinstitucional e indígena foi o tema de apresentação da unidade rondoniense - Foto: Ramilla Yamanaka/ICMBio
Chapada dos Guimarães apresenta inovação e comunicação
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT) participou da primeira edição da exposição com duas boas práticas.
A primeira envolve o uso de arco e flecha para o manejo do fogo em áreas de difícil acesso. Utilizando materiais disponíveis na região, os brigadistas empregam a técnica para manejar o fogo em áreas íngremes, que podem ser inacessíveis até mesmo para helicópteros e drones.
Segundo o analista ambiental Luiz Gustavo Gonçalves, a iniciativa é simples, de baixo custo, eficiente e contribui para a segurança dos brigadistas, além de resgatar uma tecnologia utilizada ancestralmente. Já de acordo com o comunitário Claudemir Mamoré, que também participou da ExpoMIF, a equipe segue aprimorando os materiais e as técnicas com o objetivo de aumentar a eficiência da ferramenta durante as operações de manejo.
A segunda iniciativa apresentada pelo parque teve como foco o fortalecimento da relação com a imprensa local. Em abril de 2024, como parte do Programa de Comunicação em Queimas Prescritas da unidade, foi realizada uma Oficina de MIF para jornalistas.
A atividade foi promovida em parceria com o CEMIF e a Coordenação de Comunicação Social (CCOM) do Instituto Chico Mendes, com apoio do Serviço Florestal dos Estados Unidos. “O objetivo é qualificar os jornalistas para que utilizem conceitos e dados corretos, produzam pautas mais contextualizadas e compreendam a comunicação como um elemento estratégico do Manejo Integrado do Fogo”, explicou a servidora do CEMIF Ramilla Yamanaka, responsável pela apresentação da boa prática.
Comprovando sua aplicabilidade e bons resultados a oficina já foi replicada duas vezes no Parque Nacional de Brasília (DF), em parceria com a Rede Biota/Universidade de Brasília (UnB).
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