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ICMBio fortalece cooperação internacional em agendas de tecnologia e monitoramento ambiental na América Latina
A ICTC foi concebida como um espaço internacional dedicado exclusivamente à tecnologia aplicada à conservação da natureza - Foto: Divulgação/ICMBio
Ao longo de fevereiro, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participou de intercâmbios internacionais realizados no Panamá e no Peru, voltados ao fortalecimento da cooperação regional e ao conhecimento de tecnologias aplicadas à conservação e ao monitoramento ambiental.
Para o coordenador-geral de Proteção do ICMBio, Ricardo Brochado, as agendas reforçam a importância da cooperação internacional e da inovação tecnológica para qualificar as ações institucionais. “O contato com diferentes ferramentas tecnológicas utilizadas em outros países evidencia oportunidades de aplicação e adaptação dessas soluções no contexto do Instituto, especialmente no monitoramento ambiental e na análise de dados relacionados a crimes ambientais”, destacou.
No Panamá, aprimoramento sobre rastreamento de embarcações pesqueiras
A primeira agenda foi promovida pela organização Global Fishing Watch, com foco no rastreamento de embarcações pesqueiras. A iniciativa reuniu representantes do ICMBio, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em atividades voltadas à troca de experiências sobre monitoramento, fiscalização e gestão da atividade pesqueira.
A programação incluiu reuniões técnicas, visitas institucionais e discussões comparativas entre os sistemas utilizados por diferentes países para o acompanhamento da atividade pesqueira em ambiente marinho. Dentre elas, a delegação realizou visitas à Autoridade de Recursos Aquáticos do Panamá (Arap) e ao Ministério do Meio Ambiente do Panamá (MiAmbiente).
O intercâmbio permitiu identificar desafios comuns, compartilhar soluções tecnológicas e discutir abordagens voltadas à gestão sustentável dos recursos pesqueiros e à conservação dos ecossistemas marinhos.
“O intercâmbio permite conhecer experiências e soluções tecnológicas que fortalecem o monitoramento da atividade pesqueira e subsidiam o processo de atualização do Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (PREPS)”, indicou o analista ambiental da coordenação de Fiscalização, Leandro Zago.
No Peru, tecnologias emergentes aplicadas à conservação em pauta
Na sequência das atividades, representantes do Instituto participaram na capital peruana, Lima, da Primeira Conferência Internacional de Tecnologia para a Conservação (ICTC), organizada pela Wildlabs. O encontro reuniu especialistas, organizações e empresas de diversos países para discutir o papel das tecnologias emergentes na proteção da biodiversidade.
Durante o evento foram apresentadas soluções como sensores acústicos inteligentes, dispositivos de bio-registro, DNA ambiental (eDNA), sensoriamento remoto por satélite e aplicações de inteligência artificial (IA) voltadas à conservação. Entre os exemplos debatidos estiveram plataformas capazes de integrar dados de satélite e diferentes bases de informação para detectar atividades suspeitas no ambiente marinho, contribuindo para o combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada.
Também foram apresentados sistemas que utilizam IA para identificar padrões associados ao tráfico de animais silvestres, a partir da análise de grandes bases de dados e do monitoramento de redes digitais.
Além da participação na conferência, integrantes do Instituto Chico Mendes cumpriram visitas institucionais ao Ministério da Produção (Produce), à Direção Geral de Capitanias e Guarda Costeira (Dicapi), ao Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernamp) e ao Ministério do Meio Ambiente do Peru (Miman). Também participaram de oficinas sobre ferramentas de monitoramento em campo e iniciativas internacionais voltadas à inovação no manejo integrado do fogo. As atividades permitiram conhecer tecnologias voltadas à coleta de dados, integração de informações e análise preditiva aplicada à gestão ambiental.
Para Brochado, estas experiências contribuem para iniciativas em desenvolvimento no ICMBio como o aprimoramento do Auto de Infração Eletrônico (AI-E) e o fortalecimento do uso de ferramentas de geoprocessamento e monitoramento remoto.
A chefe do Setor de Proteção Ambiental do Parque Nacional do Iguaçu, Patricia Kidricki Iwamoto, olha pelo mesmo prisma, de que o contato com essas soluções contribui para fortalecer o uso de dados na gestão das unidades de conservação (UCs). “No Parque, ferramentas de monitoramento já vêm sendo utilizadas para a coleta e análise de dados em campo, permitindo mensurar o esforço das equipes, avaliar ameaças e apoiar a tomada de decisões estratégicas. A integração dessas tecnologias fortalece o planejamento das ações de fiscalização e direciona a atuação às prioridades reais de proteção da unidade”, afirmou.
A chefe da Divisão de Gestão do Conhecimento do Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo, Ana Rafaela D’Amico, destacou que o intercâmbio também ampliou o acesso a iniciativas internacionais voltadas ao desenvolvimento de tecnologias e financiamento para ações de prevenção e manejo do fogo.
Segundo ela, o contato com novas ferramentas pode contribuir para aprimorar a coleta e análise de dados sobre ações de manejo e ampliar o uso de inteligência artificial na análise de informações científicas, fortalecendo a gestão baseada em evidências nas UCs.
A participação do ICMBio nas agendas reafirma o compromisso institucional com a incorporação de tecnologias inovadoras e com a cooperação internacional para fortalecer as ações de monitoramento, fiscalização e proteção da biodiversidade. A troca de experiências e o acesso a novas soluções tecnológicas ampliam a capacidade institucional de prevenir ilícitos ambientais e de promover uma gestão cada vez mais orientada por dados e evidências.
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