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ICMBio anuncia categorização da Reserva Ecológica do IBGE como Estação Ecológica do Roncador (DF)
A assinatura aconteceu na própria reserva, com o presidente do ICMBio, Mauro Pires, e Marcio Pochmann, presidente do IBGE - Foto: Divulgação/IBGE
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) anunciou, nesta segunda-feira (29), a categorização da Reserva Ecológica do IBGE para Estação Ecológica (Esec). Com a mudança, a área passa a integrar oficialmente o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) como unidade de conservação federal, sob a cogestão do ICMBio e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recebendo o nome de Estação Ecológica do Roncador.
A medida regulariza a situação jurídica da área, criada em 1975, cuja categoria anterior — Reserva Ecológica, com status de “Área de Preservação Permanente de Interesse Científico” — não estava prevista na Lei do SNUC, de 2000. A área foi doada ao IBGE pelo Governo do Distrito Federal (DF) em 1961 para a instalação da sede do Terceiro Distrito de Levantamentos Geodésicos e Topográficos do Instituto, que hoje atua sob gestão do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO).
Localizada a 25 quilômetros do centro de Brasília, no centro-sul do DF, a unidade possui 1.391 hectares de Cerrado preservados e é reconhecida nacional e internacionalmente pela produção de conhecimento científico e monitoramento ambiental de longo prazo.
A inclusão da área protegida no SNUC amplia o respaldo legal para a sua proteção, fortalecendo as ações de preservação e manejo ambiental, garantindo a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade local, além de contribuir para o avanço das pesquisas científicas sobre o bioma e ampliar as possibilidades de investimento em conservação.
A área abriga mais de 4 mil espécies da fauna e flora, incluindo espécies ameaçadas e endêmicas do Cerrado, além de importantes coleções científicas, como um Herbário e uma Coleção Zoológica. Em quase cinco décadas de atuação, a reserva acumulou centenas de pesquisas, teses e projetos voltados à conservação da biodiversidade, mudança do clima, manejo do fogo e recuperação de ecossistemas.
Um importante herbário
Localizado dentro da nova unidade de conservação federal, o Herbário do IBGE foi fundado em 1977 e reúne uma das mais importantes coleções botânicas voltadas ao bioma Cerrado. O espaço abriga mais de 87 mil exemplares de plantas, além de coleções de fungos, madeiras e frutos, servindo de base para pesquisas científicas, identificação de espécies e formulação de políticas públicas de conservação ambiental.
Ao longo de quase cinco décadas, o herbário se consolidou como referência nacional e internacional em documentação da biodiversidade brasileira. Todo o acervo é informatizado e integra redes científicas como a Rede Brasileira de Herbários e o Index Herbariorum, ampliando o acesso de pesquisadores do Brasil e do exterior às informações produzidas na unidade.
O trabalho desenvolvido no herbário também contribui para a descoberta e descrição de novas espécies da flora brasileira. Entre os destaques recentes está a identificação da espécie Paepalanthus fonsecae, descoberta durante expedição científica em Goiás e reconhecida oficialmente em 2024. A estrutura da nova Esec ainda abriga pesquisas contínuas sobre espécies raras e ameaçadas do Cerrado, reforçando o papel da unidade na produção de conhecimento científico sobre o único bioma exclusivamente brasileiro.
