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Escute as Aves da Mata Atlântica é lançada durante Passarinhada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
O evento aconteceu das 8h às 13h, no JBRJ - Foto: Kayra França/Instituto Incluir
Ouvir os pássaros pode ser o primeiro passo para protegê-los. Com essa proposta, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) recebeu, no último sábado (30), o lançamento da campanha "Escute as Aves da Mata Atlântica", que une ciência, educação ambiental e participação social em defesa de um dos biomas mais biodiversos do mundo, onde o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é responsável pela gestão de 128 Unidades de Conservação (UCs) federais.
A iniciativa, coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do ICMBio, integra as ações do Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves da Mata Atlântica (PAN Aves da Mata Atlântica) e realizou a Passarinhada Atlântica no JBRJ como uma das ações da campanha. A programação reuniu observadores de aves, pesquisadores, educadores, famílias e visitantes em uma manhã de atividades voltadas à interpretação ambiental e à valorização da biodiversidade.
Mais do que um convite para observar aves, a campanha propõe uma reflexão sobre o papel desses animais na manutenção dos ecossistemas e sobre a urgência de proteger os ambientes onde vivem. Com o lema “Nosso plano é evitar a próxima extinção”, a iniciativa destaca que conservar significa também proteger a vida humana. No Brasil, 120 milhões de pessoas vivem nos domínios da Mata Atlântica.
"Escutemos as aves da Mata Atlântica antes que não as escutemos mais. Para prevenir uma próxima extinção, acreditamos no apoio a projetos científicos e iniciativas de conservação, no fomento à agricultura sustentável, no fortalecimento do ecoturismo, na criação de políticas públicas para conservação, na divulgação de informações e no pertencimento", narra a atriz e ativista Dira Paes, no filme manifesto da campanha.
A mensagem sintetiza a proposta da mobilização nacional: aproximar a sociedade das aves da Mata Atlântica e demonstrar que a conservação depende de ações articuladas entre governos, pesquisadores, organizações da sociedade civil, setor produtivo e cidadãos.
Para o analista ambiental do Cemave e coordenador do PAN Aves da Mata Atlântica, Eduardo Araujo, a conservação das aves está diretamente ligada à manutenção dos serviços ambientais essenciais para a sociedade.
"Quando falamos em conservar as aves, estamos falando também de preservar florestas, recursos hídricos, equilíbrio climático e qualidade de vida para milhões de pessoas. A campanha nasce justamente para aproximar a sociedade dessa responsabilidade e mostrar que todos fazem parte dessa conservação", afirma Eduardo.
O coordenador do PAN também fez questão de ressaltar, durante a manhã no Jardim, o caráter “genuinamente coletivo” da campanha, com destaque ao envolvimento e condução realizada majoritariamente por mulheres.
Reconectar pessoas e natureza
Presente em 17 estados brasileiros, a Mata Atlântica abriga mais de 890 espécies de aves, das quais cerca de 215 são exclusivas do bioma. Apesar dessa riqueza, a degradação dos habitats naturais coloca dezenas de espécies em risco.
A campanha surge justamente para ampliar o engajamento da sociedade na proteção dessas aves e de seus ambientes. O manifesto lançado nacionalmente lembra que restam menos de 30% da cobertura original da Mata Atlântica e reforça a necessidade de agir coletivamente para evitar novas perdas irreversíveis.
Ao longo do evento, os participantes foram convidados a experimentar diferentes formas de conexão com a natureza. A programação incluiu observação de aves guiada, oficina artística, roda de conversa, exposição fotográfica e uma intervenção poético-musical inspirada nos sons e nas histórias do bioma e sua gente.
Presente no lançamento da campanha, o autor e ativista indígena Daniel Munduruku destacou a importância de reconstruir a relação entre as pessoas e a natureza por meio da escuta e da sensibilidade.
"Só consegue ouvir de fato os pássaros, e todos os outros seres da natureza, quem consegue se despojar de uma objetividade ocidental e linear, que nos aprisiona na vaidade de acreditar que somos superiores à natureza. Ouvir os pássaros certamente nos dá a oportunidade de nos ressacralizarmos, de nos tornarmos pessoas integradas a esse grande coração e alma que é a natureza", afirmou Daniel Munduruku, embaixador da campanha, durante o evento no Jardim Botânico.
Um refúgio de biodiversidade em meio à cidade
Localizado em uma das maiores áreas verdes urbanas do Rio de Janeiro, o Jardim Botânico se transformou em uma grande sala de aula ao ar livre para falar sobre conservação.
Em um contexto em que mais de 70% da população brasileira vive em áreas inseridas no domínio da Mata Atlântica, espaços verdes urbanos desempenham papel fundamental na aproximação das pessoas com a biodiversidade. Além de contribuírem para a qualidade ambiental das cidades, áreas como o Jardim Botânico funcionam como refúgios para a fauna silvestre e como ambientes de educação e sensibilização ambiental.
Mesmo cercado pela dinâmica de uma metrópole, o espaço abriga diversas espécies de aves da Mata Atlântica. Durante a passarinhada, os participantes tiveram a oportunidade de observar e ouvir espécies frequentemente registradas na área, como o sabiá-laranjeira, o sanhaçu-cinzento, o bem-te-vi, a cambacica, o periquito-rico, o tiê-sangue e diferentes espécies de beija-flores.
A atividade foi conduzida pelo ornitólogo Henrique Rajão, professor do Departamento de Biologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), que destacou a importância das áreas verdes urbanas como espaços de conservação, educação ambiental e reconexão das pessoas com a natureza.
Mobilização em todo o bioma
Embora o lançamento nacional tenha ocorrido no Rio de Janeiro, a Passarinhada Atlântica ultrapassou as fronteiras da capital fluminense.
Como a Mata Atlântica está presente em outros 16 estados brasileiros, diversas atividades simultâneas foram realizadas em UCs federais e outras áreas naturais espalhadas pelo país, fortalecendo o caráter coletivo da mobilização.
Entre os locais que aderiram à iniciativa estiveram o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná; o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal e o Parque Nacional do Descobrimento, na Bahia; a Reserva Biológica da Mata Escura, em Minas Gerais; e a Floresta Nacional de Silvânia, em Goiás, entre outras áreas protegidas.
Conservação com acessibilidade
Um dos destaques da campanha é o compromisso com a acessibilidade e com a democratização do acesso à interpretação da natureza.
Partindo do princípio de que a experiência com a natureza é um direito de todas as pessoas, a Escute as Aves da Mata Atlântica foi concebida para ser acessível desde sua plataforma digital até as atividades presenciais. O site conta com recursos de acessibilidade, materiais adaptados e conteúdos desenvolvidos para ampliar o alcance das mensagens de conservação.
No evento realizado no Jardim Botânico, a participação do Instituto Incluir garantiu recursos de acessibilidade ao longo da programação. Também foram disponibilizados intérpretes de Libras, materiais acessíveis e ações voltadas à ampliação da participação de pessoas com deficiência.
Dona Rosa acompanhou o filho Rômulo na atividade e destacou o caráter positivo de momentos como este, não somente para o filho, mas também para si e demais mães, ao terem momentos fora do contexto urbano. “É muita novidade e, principalmente para as crianças autistas, essa experiência é ótima. Ele está vendo coisas diferentes, bonitas, tirando fotos. Chegar em casa e poder dividir animado com o irmão”, coloca.
O Instituto Incluir tem por missão promover a inclusão e a autonomia por meio do acesso democrático a direitos fundamentais, valorizando a diversidade humana e contribuindo para a preservação da vida por meio da educação, cultura, esporte, sustentabilidade e proteção ambiental.
O que é o PAN Aves da Mata Atlântica?
Os Planos de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PAN) são instrumentos de gestão elaborados de forma participativa para organizar e priorizar ações voltadas à conservação da biodiversidade brasileira.
Coordenado pelo Cemave, o PAN Aves da Mata Atlântica reúne mais de 50 instituições parceiras e estabelece metas para reduzir as ameaças que afetam as aves mais vulneráveis do bioma.
Atualmente, 139 espécies estão contempladas pelo plano, sendo 114 classificadas como ameaçadas de extinção em âmbito nacional.
As ações incluem proteção e recuperação de habitats, pesquisa científica, monitoramento populacional, educação ambiental, combate ao tráfico de animais silvestres, fortalecimento do ecoturismo, promoção de atividades produtivas sustentáveis e apoio à formulação de políticas públicas voltadas à conservação.
Ao conectar ciência, gestão e participação social, o PAN busca garantir que as futuras gerações continuem ouvindo os cantos que fazem da Mata Atlântica um dos patrimônios naturais mais importantes do Brasil.
Comunicação ICMBio
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(61) 2028-9280




