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Comunidades tradicionais e Unidades de Conservação: união de povos marca abertura do XII Sapis e VII Elapis
A UnB recebe até segunda-feira (22) o evento - Foto: João Stangherlin/ICMBio
O XII Seminário Brasileiro e o VII Encontro Latino-americano sobre Áreas Protegidas já ultrapassam mais de oitocentos participantes, lotando o auditório da Universidade de Brasília com pesquisadores, representantes de comunidades tradicionais e servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Na noite de segunda-feira (18), a Majé Dyyakapiró, da aldeia Cipia (AM), deu início saudando os ancestrais na língua da etnia Dessana. Em seguida, a mesa de abertura foi composta pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, pelo presidente do ICMBio, Mauro Pires, por Maria Cecília Wey, do Conselho Mundial da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), além de representantes de comunidades tradicionais e da comissão organizadora.
“Estamos aqui falando de democracia, participação social, e é muito bom ver tantas pessoas participando. Esse evento é uma construção de anos. Uma experiência inicialmente brasileira, que se expandiu para a América Latina, o que demonstra o avanço de debates importantes. Todo esforço é para que seja entendido o que um país como o Brasil, com sua diversidade ambiental e cultural, tem para mostrar para nós mesmos e para o mundo”, colocou o ministro.
“Ou seja, como construir uma política que de fato leve a articulação dos povos tradicionais, ciência, ambientalistas e governo, a se envolverem em um processo realmente inovador onde a conservação ambiental não é antagônica ao desenvolvimento social, ao contrário, são integradas”, fechou Capobianco.
Segundo o ministro do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Brasil tem avançado na conservação dos territórios onde vivem populações tradicionais. Ele destacou que essa é uma realidade e avaliou que o Sapis promove a conexão entre diferentes setores da sociedade diretamente envolvidos no interesse fundamental de construir um país que avance na conservação junto aos povos que vivem em seus territórios.
Entre os trabalhos inscritos, a maior representatividade está vinculada aos centros de pesquisa, diretorias e gerências regionais do Instituto Chico Mendes, com mais de 130 autores. O presidente do ICMBio, Mauro Pires, reconheceu o esforço dos servidores e colaboradores na missão de conservação da natureza.
“No dia a dia, eles (os servidores) estão cuidando da natureza, e fazem isso com as pessoas. Às vezes, cuidar significa enfrentar ameaças de morte e a ilegalidade do garimpo dentro de uma Estação Ecológica. Mas cuidar da natureza também significa dialogar e reconhecer que não podemos agir apenas de acordo com aquilo que achamos correto: precisamos seguir a legislação e fazer isso junto às comunidades”, afirmou Pires.
Neste ano, o Sapis e Elapis trazem o tema “Territórios, Áreas Conservadas e Sociobiodiversidade: caminhos para a equidade e a paz”, alinhado às premissas do ICMBio.
“A temática da inclusão social nas áreas protegidas é extremamente importante para o país. O valor intrínseco da biodiversidade precisa ser considerado, e isso não é contraditório à inclusão social, pelo contrário. O que veremos aqui, durante o evento, é que há muita proteção associada aos povos e comunidades tradicionais”, reforçou o presidente do ICMBio.
Ana Paula de Oliveira, membro titular do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), falou sobre a importância da preservação dos territórios tradicionais.
“É nesses territórios que vivemos. Neles estão nossas histórias, nossa cultura e nossa ancestralidade. Nós, representantes, somos esses territórios vivos!”, exclamou Oliveira.
O XII Seminário Brasileiro e o VII Encontro Latino-americano sobre Áreas Protegidas seguem até a próxima sexta-feira (22), com uma ampla programação de minicursos, oficinas, mesas de conversa, simpósios e conferências.
“A gente espera que, com esse evento, possamos construir uma visão latino-americana para o próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), que acontecerá no Panamá, no ano que vem”, afirmou Carlos Saito, presidente do Conselho Consultivo do Seminário.