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Centros de pesquisa do ICMBio apresentam resultados estratégicos para presidente do Instituto e ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Na oportunidade os presentes também conheceram os laboratórios do CEPTA - Foto: Rogério Cassimiro/MMA
Os 14 centros de pesquisa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram, na última sexta-feira (15), uma reunião técnica com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, e o presidente do Instituto, Mauro Pires, no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Aquática Continental (CEPTA), em Pirassununga, São Paulo.
O encontro teve como objetivo apresentar os principais resultados alcançados pelos centros nos últimos anos, além de destacar o papel estratégico da pesquisa científica na conservação da biodiversidade, no apoio à gestão das unidades de conservação (UCs) federais e na formulação de políticas públicas de Estado. Durante a programação, os coordenadores apresentaram entregas, avanços, desafios e instrumentos técnicos que orientam ações de proteção de espécies e ecossistemas em diferentes regiões do país, com foco nos trabalhos desenvolvidos desde 2023.
“É uma atuação fundamental para o país, mas que ainda precisa ser mais conhecida e valorizada. Esses centros produzem conhecimento, apoiam a conservação da biodiversidade, desenvolvem soluções e contribuem diretamente para a proteção de espécies ameaçadas”, afirmou o ministro durante a visita.
Capobianco também destacou o papel dos centros no monitoramento da fauna, na elaboração de planos de ação e na recuperação de espécies e ambientes, reforçando o comprometimento das equipes com o avanço dos trabalhos.
Para a coordenadora do CEPTA, Carla Polaz, o encontro representou uma oportunidade de mostrar, de forma integrada, a dimensão da atuação dos centros de pesquisa do Instituto. “Foi um momento muito simbólico para nós, porque não é comum reunir os 14 centros de pesquisa do ICMBio em uma mesma agenda. Houve um esforço coletivo para organizar informações, sistematizar resultados e apresentar ao ministro a dimensão do trabalho desenvolvido pelos centros”, colocou.
Durante a visita, o ministro e o presidente do Instituto, junto aos demais coordenadores de centros, tiveram a oportunidade de conhecerem os laboratórios de Biotecnologia de Peixes, Genética, Ictiologia, Limnologia e Reprodução. No local, pesquisadores apresentaram as atividades desenvolvidas e explicaram como a pesquisa científica é aplicada especialmente pela conservação de peixes continentais.
Um dos casos de destaque desenvolvidos pelo CEPTA é a técnica conhecida como “barriga solidária”, método pioneiro de reprodução de peixes no qual cientistas transplantam células germinativas de espécies ameaçadas para peixes comuns, como o lambari, permitindo que estes gerem filhotes da espécie em risco de extinção.
Para o presidente do ICMBio, conferir de perto esta atuação e dos demais centros de pesquisa reforça a importância estratégica destes não apenas para o Instituto, mas para o país.
“A produção de conhecimento feita por esses profissionais é um dos grandes diferenciais do Instituto, é ciência de primeira linha, construída diariamente por pessoas que estão na vanguarda da conservação da biodiversidade”, frisou Mauro Pires, em consonância com o ministro.
Resultados dos centros de pesquisa
Para além de apresentar as áreas de atuação dos centros, o foco da reunião esteve nos principais resultados nos últimos anos. Entre os principais instrumentos coordenados com apoio dos centros estão os Planos de Ação Nacional para Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção (PANs), o Programa Monitora e o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE). Essas ferramentas ajudam a identificar espécies ameaçadas, mapear pressões, acompanhar populações da fauna e da flora e definir medidas para reduzir riscos à biodiversidade.
A publicação oficial da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção acontece a partir dos dados produzidos por estes centros, a partir destes diversos instrumentos.
Atualmente, os centros participam de 87 comitês e grupos de trabalho instituídos pelo ICMBio, além de mais de 100 acordos e grupos externos, muitos deles em parceria com universidades, instituições de pesquisa e organizações nacionais e internacionais. As equipes também prestam apoio direto a 171 unidades de conservação federais e participaram da criação de 18 UCs.
Na última década, foram produziram mais de 1,2 mil publicações científicas por estes centros, participando com protagonismo de sete convenções internacionais com a garantia da representação técnica brasileira em grupos de especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A articulação do encontro envolveu os centros, as coordenações, a Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (DIBIO) e a Presidência do ICMBio, em uma ação integrada para dar visibilidade às entregas e à importância da pesquisa para a conservação da biodiversidade.
O CEPTA
O centro soma mais de 1,7 mil espécies de peixes avaliadas, seis PANs, mais de 150 ações, mais de 30 pesquisas em andamento e atuação em mais de 20 Unidades de Conservação. Atualmente, uma das principais linhas de trabalho está concentrada na reprodução, manutenção em cativeiro, genética e biotecnologia para a conservação de peixes continentais.
Recentemente, foram as contribuições do CEPTA que possibilitaram uma importante conquista a nível internacional: a inclusão do pintado no Apêndice II da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), durante a COP15.
Os demais 13 Centros
O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sociobiodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais (CNPT) desenvolve ações voltadas ao monitoramento participativo, ao fortalecimento de povos e comunidades tradicionais e à gestão dessas áreas protegidas. A atuação inclui apoio a Unidades de Conservação (UCs) federais e estaduais, propostas de criação de unidades de uso sustentável e agendas relacionadas à governança, ao manejo sustentável e à adaptação à mudança do clima.
O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV) atua na proteção do patrimônio espeleológico brasileiro, com produção de conhecimento, apoio a pesquisas, elaboração de diretrizes técnicas e iniciativas voltadas à criação e manutenção de áreas protegidas. Entre os resultados apresentados estão 200 projetos apoiados, sendo 100 em execução, distribuídos em 16 estados, além de mais de 280 publicações técnicas e científicas e 72 instituições parceiras.
Na área de restauração ecológica, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Restauração Ecológica (CBC) apresentou avanços no mapeamento de áreas degradadas em UCs. Os dados indicam mais de 1,2 milhão de hectares com supressão vegetal, dos quais 653 mil hectares já foram mapeados e diagnosticados para receber projetos. As iniciativas alcançam 222 UCs federais, com 23,5 mil hectares contemplados em projetos de restauração ativa, regeneração natural assistida e sistemas agroflorestais.
Na Amazônia, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM) atua na conservação da biodiversidade aquática e na avaliação do risco de extinção de peixes continentais amazônicos. Entre 2018 e 2025, foram realizadas 17 oficinas, com 389 participações e mais de 1,9 mil espécies avaliadas. O centro também coordena e apoia Planos de Ação Nacional, ações de educação ambiental, atendimento a emergências ambientais e o monitoramento da biodiversidade aquática em UCs.
Os centros voltados à biodiversidade marinha e costeira também apresentaram resultados estratégicos. O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CEPENE), o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sul e Sudeste (CEPSUL) e o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Norte (CEPNOR) atuam na conservação de espécies e ambientes marinhos, no monitoramento dos impactos da pesca, na produção de subsídios técnicos para o ordenamento pesqueiro e na proteção de espécies ameaçadas.
Ainda no ambiente marinho, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade Marinha do Leste (Tamar) desenvolve ações de pesquisa, monitoramento, manejo e articulação nacional e internacional voltadas à conservação das tartarugas marinhas.
O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) atua na conservação de mamíferos aquáticos, com produção científica, apoio técnico à gestão, monitoramento de espécies e representação brasileira em fóruns internacionais. Já o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN) apresentou resultados relacionados à avaliação de espécies, apoio a UCs, expedições científicas, elaboração de pareceres técnicos, desenvolvimento de pesquisas e registros no SISMonitora.
A atuação dos centros inclui ainda o monitoramento de aves silvestres pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE); a pesquisa e conservação de primatas e outros mamíferos conduzidas pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB); e as ações do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), voltadas à conservação de mamíferos carnívoros e de outros grupos da fauna.
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