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383 kg de moedas lançadas por visitantes são retiradas das Cataratas do Iguaçu (PR)
As moedas são compostas por ligas metálicas que sofrem corrosão em ambiente úmido, liberando substâncias potencialmente contaminantes na água e nos sedimentos - Foto: Urbia Cataratas/Eagle Eye Company
O Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, realizou mais uma operação de limpeza nas áreas próximas às Cataratas do Iguaçu, com foco na retirada de moedas acumuladas no leito do Rio Iguaçu. A ação contou com a participação da equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da concessionária Urbia+Cataratas, do Corpo de Bombeiros do estado, além do apoio de voluntários, que coletaram cerca de 383 quilos de moedas, além de itens pessoais dos visitantes como óculos, garrafas e bonés.
A operação é realizada periodicamente e depende de condições específicas de segurança, como a estabilidade no nível do Rio Iguaçu, com vazão entre 400 e 500 metros cúbicos por segundo (m³/s), que permite o acesso às áreas de acúmulo de resíduos. Geralmente, os trabalhos são realizados antes do início da visitação diária e mobilizam equipes especializadas, com treinamento específico para atuação em áreas de acesso restrito e de elevado risco.
As moedas passarão por uma triagem, mas levando em consideração ações de limpeza já realizadas, grande parte do material recolhido apresenta sinais de corrosão devido ao longo período de submersão na água. “Jogar moedas nas Cataratas do Iguaçu, por mais que seja uma crença para muitas pessoas ao fazer um pedido, é proibido no parque e representa um risco para o meio ambiente. Os metais contidos nas moedas podem contaminar a água e afetar a fauna aquática”, explica André Franzini, gerente de sustentabilidade da Urbia+Cataratas.
Segundo Carlos Vinícius Rodrigues, analista ambiental do Parque Nacional do Iguaçu, os principais riscos ambientais estão relacionados ao acúmulo desses materiais ao longo do tempo e aos seus efeitos sobre o ecossistema aquático. “As moedas são compostas por ligas metálicas como aço, cobre, níquel e zinco, que sofrem corrosão em ambiente úmido, liberando substâncias potencialmente contaminantes na água e nos sedimentos. Esse processo pode degradar micro-habitats aquáticos, especialmente aqueles associados ao substrato rochoso, além de representar riscos diretos à fauna, seja pela ingestão desses materiais, seja pela contaminação e possível redução da disponibilidade de alimento”, destaca.
O analista também ressalta que a retirada desses materiais tem papel fundamental na recuperação e manutenção da qualidade ambiental da unidade. “A ação busca interromper esse ciclo de degradação, restabelecendo um ambiente sem esses resíduos e contribuindo para a proteção dos ecossistemas aquáticos. Além das moedas, também são frequentemente removidos cadeados e fitas fixados nas estruturas da passarela, que contribuem para o acúmulo de resíduos e impactos ambientais”, diz.
As moedas em melhor estado de conservação serão destinadas ao apoio de ações ambientais desenvolvidas pelo parque. A retirada de moedas e outros resíduos metálicos é considerada fundamental para a preservação do Patrimônio Mundial Natural e para a manutenção do equilíbrio ambiental das Cataratas do Iguaçu.
A ação tem caráter corretivo e educativo, ao demonstrar a quantidade de material retirada e a complexidade da operação envolvida. Os mais de 380 quilos de metais removidos apenas nessa edição, se permanecessem no ambiente, poderiam continuar contribuindo para a contaminação da água, afetando a fauna e o equilíbrio ecológico da área.
O Parque Nacional e a concessionária mantêm o monitoramento contínuo dessas áreas e realizam novas ações de retirada sempre que há viabilidade técnica, segurança operacional e condições adequadas. Paralelamente, campanhas de conscientização e a presença de equipes nas áreas mais sensíveis contribuem para orientar os visitantes e reduzir a ocorrência desse tipo de prática.
A iniciativa reforça a importância da adoção de comportamentos responsáveis durante a visitação em unidades de conservação no geral, e no caso específico de Iguaçu, reconhecida como patrimônio natural e uma das sete maravilhas da natureza. A orientação é que os visitantes evitem deixar qualquer tipo de resíduo, contribuindo para a preservação ambiental e para a manutenção das condições naturais da unidade.
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