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Marcas do bem
BDCTAMAR se consolida com quase 8 mil marcas distribuídas a 27 instituições na última temporada reprodutiva
Desde os anos 1980, ainda na estrutura do IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), depois IBAMA, e atualmente ICMBio o Centro TAMAR aplica ou distribui de forma controlada as marcas — popularmente conhecidas como anilhas metálicas — para subsidiar pesquisas com tartarugas marinhas. Ao longo do tempo, essa ferramenta, seguindo metodologia internacional, consolidou-se como essencial para o monitoramento das cinco espécies que frequentam a costa brasileira.

- Marca para a aplicação em tartarugas marinhas no Brasil com a identificação Governamental. (Crédito: Danilo Afonso)
A marcação permite acompanhar fêmeas em processo de desova, registros por captura intencional em mergulhos ou incidental em artes de pesca, além do monitoramento de encalhes — quando os animais chegam às praias debilitados ou mortos.
Produzidas em aço inoxidável, as marcas apresentam alta durabilidade (algumas mais de 30 anos) e, após inseridas na nadadeira, raramente se perdem, sendo ideais para o acompanhamento de animais marinhos altamente migratórios ao longo de muitos anos.
“É como uma espécie de RG da tartaruga marinha, pelo código padrão que não se repete. Como são animais migratórios, podem ser encontrados em diversas localidades do mundo com essa marca. As informações são inseridas no Banco Nacional de Dados para a Conservação das Tartarugas Marinhas (BDCTAMAR), gerido pelo Centro TAMAR/ICMBio, tornando o Brasil uma referência ao subsidiar políticas públicas de conservação”, explica o coordenador Joca Thomé.
Segundo a bióloga Nairana Santos Fraga, bolsista do Centro TAMAR/ICMBio com doutorado em Oceanografia Ambiental pela UFES, a recaptura de indivíduos marcados possibilita identificar os animais ao longo do tempo, e permite acompanhar a distribuição espacial dos indivíduos, visualizar padrões de uso de habitats (áreas de alimentação e reprodução), migrações, padrões de crescimento e estudos populacionais. Todos estes colaborando de forma integrada na gestão e conservação das espécies.

- Denis Sana e João Camargo durante marcação de juvenil de tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) em Fernando de Noronha-PE.
Outro ganho importante é a possibilidade de identificar rotas migratórias, conexões entre habitats e impactos antrópicos, como captura incidental e mortalidade. As marcas utilizadas no Brasil possuem códigos alfanuméricos únicos, compatíveis com redes internacionais de pesquisa, o que possibilita o rastreamento de indivíduos em diferentes países.
“A distribuição das marcas é rigorosamente controlada pelo Centro TAMAR/ICMBio. Pesquisadores interessados devem submeter projetos de pesquisa ou manejo de fauna, obter autorização por meio do SISBIO-ICMBio, Monitora-ICMBio, ABIO-Ibama ou licenças similares emitidas por ógãos estaduais de licenciamento ambiental, e, somente após aprovação, solicitar formalmente as marcas. A concessão está condicionada à validade da autorização e ao compromisso de inserção dos dados no BDCTAMAR, garantindo padronização metodológica e rastreabilidade das informações”, como destaca a analista ambiental e gestora da Base Avançada do Centro TAMAR/ICMBio em Guriri, São Mateus-ES, Kelly Bonach.Assim, o uso de marcas está diretamente vinculado à autorização ambiental — sem a qual a atividade não é permitida — e à obrigatoriedade de registro dos dados no sistema oficial. A continuidade do fornecimento de novas marcas depende do correto envio dessas informações. Embora existam limitações, como a perda de marcas e a dependência de recaptura, a integração com técnicas como telemetria satelital e genética populacional amplia significativamente o potencial analítico e a qualidade dos dados gerados.
Confira outras matérias no Boletim Eletrônico do Centro TAMAR/ICMBio No 08 - Junho de 2026.
Comunicação Centro TAMAR/ICMBio
