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Equipe do ICMBio integra expedição da Marinha à Ilha de Trindade/ES
As expedições da Marinha podem ser por períodos variáveis
A Marinha do Brasil – por meio da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) – promove expedições à Ilha de Trindade-ES – localizada a 1200 Km da costa capixaba. Nessa última, de curto período (3 dias, fora o período de deslocamento), a analista ambiental e gestora da Base Avançada do Centro TAMAR/ICMBio em Regência, Linhares-ES, Andreia Quandt, juntamente com servidores do NGI Grandes Ilhas Oceânicas, pesquisadores da Fundação Projeto TAMAR e pesquisadores do Programa Ecológico de Longa Duração nas ilhas oceânicas (PELD-ILOC), pôde acompanhar as atividades nessa 151a edição da Expedição.
Essas expedições da Marinha, que são regulares, tem como objetivos, além do abastecimento da ilha, a promoção de expedições científicas por meio do PROTRINDADE – Programa de Pesquisas Científicas da Ilha da Trindade. O tempo dessas Comissões varia entre 10 a 12 dias. Já a permanência dos pesquisadores e servidores do ICMBio na ilha oscila entre 3-5 dias, um mês, dois meses ou até mais tempo.O foco é apoiar as atividades de proteção, pesquisa e conservação na ilha, que além de abrigar uma base da Marinha que conta com o POIT (Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade) e com a EMIT (Estação Meteorológica da Ilha da Trindade), e a ECIT (Estação Científica da Ilha da Trindade), integra as Grandes Unidades Oceânicas geridas pelo ICMBio: a Área de Proteção Ambiental (APA) do Arquipélago de Trindade e Martim Vaz e o Monumento Natural (MONA) das Ilhas de Trindade e Martim Vaz e do Monte Columbia.
A CIRM, em parceria com a Marinha, abre vagas para pesquisadores e instituições como ICMBio – ocasião na qual são enviados servidores que atuam em pesquisas ou atividades de monitoramento – a exemplo das temporadas reprodutivas das Chelonias mydas (tartarugas-verdes) – coordenadas pela Fundação Projeto TAMAR – ONG sem fins lucrativos que integra a rede de instituições parceiras do Centro TAMAR/ICMBio na execução de ações do PAN Tartarugas Marinhas.
“Minha função principal nessa expedição foi representar as unidades de conservação da ilha e atuar como interface entre os pesquisadores, a equipe da CIRM e os militares da Marinha. Durante a ida, no navio, realizei uma apresentação sobre as Grandes Unidades Oceânicas e, como representante do Centro Tamar, também apresentei o trabalho do Centro Especializado, incluindo aspectos relacionados à reprodução das tartarugas marinhas na Ilha da Trindade”, explica Andreia.
Durante a estadia, Andreia acompanhou as atividades de pesquisadores, incluindo visitas a locais de estudo e interação com a equipe da Marinha, além de colaborar com os pesquisadores da Fundação Projeto Tamar, responsáveis pelo monitoramento reprodutivo das tartarugas marinhas na ilha.“Esta temporada reprodutiva apresentou um número reduzido de desovas. Apesar disso, em parceria com a Fundação Projeto TAMAR, pudemos promover uma atividade de acompanhamento do nascimento de filhotes e a abertura de ninhos com os pesquisadores e militares da Marinha. Durante a atividade, foram encontrados um pequeno número de filhotes retidos no fundo dos ninhos, e aproveitamos para explicar aos presentes como se dá o processo de desova das fêmeas e de nascimento desses filhotes e foi realizada a soltura de alguns. Todos adoraram a atividade!”, contextualizou a gestora do Centro TAMAR em Linhares-ES.
A fotógrada Flávia Zagury estava na mesma expedição fotografando pelo Projeto Onda – do Programa Ecológico de Longa Duração nas Ilhas Oceânicas - PELD ILOC (@peld_iloc) em Trindade/ES – que trabalha com ciência cidadã, capacita alguns militares para fazer monitoramento. Inclusive houve o lançamento do 4º Guia Ilustrado: Biodiversidade Geodiversidade - Trilha da Cratera, Gruta e Praia do Príncipe no local, com a trilhas sendo feitas pelos pesquisadores e militares da Marinha.
O Guia faz parte de um almanaque desenvolvido pelo projeto ONDA ILOC - Observadores da Natureza para o Desenvolvimento Sustentável nas Ilhas Oceânicas, que promove educação ambiental com moradores e, no caso de Trindade, militares das ilhas.
O conteúdo do guia para cada uma das principais trilhas da ilha é desenvolvido em parceria com os militares-cidadãos que estão a serviço na ilha. A impressão e divulgação é apoiada pelo ICMBio. Confira esta e outras publicações no site das Grandes Unidades Oceânicas.
Acesse o Guia na íntegra clicando aqui.
SAIBA MAIS - O que é PELD? PELD é uma rede de pesquisa científica de longo prazo, financiada no âmbito do programa PELD do CNPq, que estuda a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas marinhos das ilhas oceânicas brasileiras. Ele reúne pesquisadores de várias universidades e instituições para monitorar continuamente essas áreas desde cerca de 2013. Na Ilha da Trindade e Martin Vaz, o PELD ILOC – projeto científico estratégico – que monitora peixes, algas, corais e invertebrados ao longo do tempo; avalia impactos de mudanças climáticas, pesca, poluição e outras pressões humanas; gera dados contínuos (séries históricas), essenciais para entender como o ecossistema muda e subsidia políticas públicas e ações de conservação marinha. Já o Projeto Onda é uma iniciativa de pesquisa e monitoramento ambiental ligada aos ecossistemas marinhos brasileiros — especialmente em ilhas oceânicas como Trindade — e frequentemente articulada com programas maiores como o PELD ILOC.
Fotografias: Flávia Zagury (@flaviazagury) - Comunicação Centro TAMAR/ICMBio


