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Corredores azuis para as tartarugas marinhas
Resolução da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS): Criação de 'Corredores azuis para tartarugas marinhas' garante novos rumos para as embaixadoras do Oceano.
A conservação dos habitats frequentados pelas tartarugas marinhas entra em um novo momento de urgência global. Esta foi a avaliação recente apresentada na 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), realizada de 23 a 29 de março, em Campo Grande (MS), e que contou com a participação do ICMBio, por meio do Centro TAMAR e outros Centros de Pesquisa e Conservação.
Problemas graves como a captura incidental na pesca foram debatidos pelos participantes do evento paralelo (side event) intitulado "Priorizando a Conservação Baseada em Áreas para Tartarugas Marinhas: Conectividade, Áreas Importantes para Tartarugas Marinhas - Alcançando os Resultados da 30x30 e da BBNJ", promovido pelo WWF - World Wide Fund for Nature (Fundo Mundial para a Natureza).
De forma geral, pelas discussões da Conferência, a captura incidental na pesca segue como a principal ameaça a todas as 7 espécies que ocorrem no mundo, enquanto mudanças climáticas, poluição e perda de habitat continuam pressionando populações em diversas regiões do planeta. No Brasil ocorrem 5 espécies de tartaruga marinha: oliva (Lepidochelys olivacea), verde (Chelonia mydas), cabeçuda (Caretta caretta), de pente (Eretmochelys imbricata) e de couro (Dermochelys coriacea).
A 15ª CMS deliberou pela criação das chamadas Marine Turtles Important Areas (MTIA) - chamadas de Corredores Azuis, para a proteção das espécies de tartarugas marinhas e suas rotas migratórias. Essas 'Áreas Importantes para Tartarugas Marinhas' estão sendo mapeadas com base em dados genéticos e de movimentação. A proposta busca orientar políticas públicas e fortalecer a conservação em escala internacional, especialmente em regiões compartilhadas entre países.
Entre as prioridades mais recentes está o reconhecimento das praias como "metaecossistemas" - ambientes interconectados que incluem dunas, zonas costeiras e ecossistemas adjacentes, fundamentais não apenas para a reprodução das tartarugas, mas também para o equilíbrio climático e ecológico. A degradação dessas áreas, impulsionada pela urbanização costeira, extração de areia e elevação do nível do mar, tem comprometido a resiliência desses sistemas e afetado diretamente o sucesso reprodutivo das espécies que deles dependem.

- Ilustração: Captura de tela do painel de controle do CPP: prioridades de conservação para tartarugas marinhas (https://www.seaturtlestatus.org/cpp-dashboard)
As discussões atuais se apoiam em uma trajetória de mais de duas décadas de cooperação internacional. Desde o final dos anos 1990, memorandos de entendimento no âmbito da CMS vêm articulando esforços regionais para proteger tartarugas marinhas, com foco na conservação de habitats e na redução de ameaças. Mais recentemente, planos de ação específicos por espécie passaram a orientar estratégias mais direcionadas, incorporando avanços científicos e novas pressões ambientais.
Entre os temas que ganharam destaque ao longo desse processo está a necessidade de compreender melhor as fases iniciais de vida das tartarugas. Filhotes, por exemplo, enfrentam uma jornada crítica desde a saída do ninho até o oceano aberto, sendo altamente vulneráveis a predadores, poluição plástica, luz artificial e eventos extremos associados às mudanças climáticas.
A avaliação apresentada na conferência reforça que, embora haja avanços importantes, o futuro das tartarugas marinhas dependerá da capacidade de integrar ciência, políticas públicas e cooperação internacional, além de fortalecer mecanismos de implementação e engajamento dos países. Diante de um cenário global em transformação, proteger essas espécies significa também preservar sistemas costeiros inteiros e os serviços ambientais que sustentam a vida marinha e humana.
Resumo - Decisão 25.5 - "Blue Corridors for Turtles" - Corredores Azuis para Tartarugas
Entre os principais pontos da decisão estão:
- Identificar áreas prioritárias;
- Incentivar o uso de dados científicos (como rastreamento por satélite) para mapear áreas de alimentação, rotas migratórias e zonas de reprodução;
- Integrar essas informações com políticas globais;
- Alinhar essas ações com metas internacionais como: o objetivo 30x30 (proteger 30% do planeta até 2030), o acordo de biodiversidade em alto-mar (BBNJ) e o fortalecimento de cooperação internacional.
Saiba mais no link direto da CMS: https://www.cms.int/document/marine-turtles-6
Confira outras matérias no Boletim Eletrônico do Centro TAMAR/ICMBio No 08 - Junho de 2026.
Comunicação Centro TAMAR/ICMBio