Avaliação do Risco de Extinção de Espécies da Fauna Brasileira
O processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira, desenvolvido no ICMBio, visa atender ao Programa Pró-Espécies instituído pela Portaria MMA nº43/2014. Este processo consiste em avaliar o risco de uma espécie se tornar extinta no futuro próximo, dado o conhecimento atual das tendências populacionais, a distribuição, e as ameaças recentes, atuais ou projetadas. O método usado é aquele estabelecido pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) e adotado internacionalmente para elaboração das listas vermelhas de espécies ameaçadas.
Figura 1 – Categorias do método de avaliação do risco de extinção da UICN.
A avaliação é desenvolvida em parceria com a comunidade científica em diversas etapas, como por exemplo, compilação de dados, consultas on-line, oficinas de avaliação e validação e edição das fichas. A maioria destas etapas é executada por meio do Sistema de Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade (SALVE), sistema eletrônico desenvolvido pelo ICMBio especificamente para facilitar este processo. O SALVE funciona como uma base de dados das espécies avaliadas e como uma ferramenta para o controle e o acompanhamento das diferentes etapas do processo.
Avaliação de espécies coordenada pelo ICMBio/Cecav
O ICMBio/Cecav coordena a avaliação dos invertebrados troglóbios e dos morcegos. Quanto aos invertebrados troglóbios, 145 espécies foram avaliadas na oficina de avaliação, realizada em 2018 e que contou com a participação de 22 pesquisadores que atuam diretamente com biologia subterrânea e/ou com as espécies avaliadas. A oficina de avaliação de morcegos ocorreu em novembro de 2018, quando 181 espécies de morcegos constantes na lista da Sociedade Brasileira para Estudos de Quirópteros (SBEQ) foram avaliadas com a participação de 22 integrantes da comunidade científica.
Atualização da lista oficial da fauna brasileira ameaçada de extinção
A portaria MMA 148, publicada em 07 de junho de 2022, atualizou a Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. Em relação aos invertebrados troglóbios, das 145 espécies avaliadas em 2018, 75 espécies foram avaliadas pela primeira vez. Das 70 espécies já avaliadas anteriormente, 22 foram inseridas em categorias que indicam menor risco de extinção (mas permanecem ameaçadas), quatro saíram da lista de ameaçadas (a maioria foi categorizada como DD – Dados Insuficientes), 10 foram inseridas em categorias que indicam maior risco de extinção (duas delas entraram na lista de ameaçadas) e 34 permaneceram nas mesmas categorias de ameaça (Tabela 1).
Tabela 1 – Comparativo entre quantitativo de espécies de morcegos e invertebrados troglóbios avaliadas em cada ciclo.
Como a maioria das espécies troglóbias apresenta distribuição restrita, muitas vezes ocorrendo em apenas uma ou poucas cavernas próximas, é de se esperar que estejam sujeitas a um maior risco de extinção em função de impactos de atividades humanas na própria caverna ou no seu entorno. De fato, 89,7% das 145 espécies avaliadas foram inseridas em alguma categoria de ameaça (64 Criticamente Ameaçadas, CR; 39 Em Perigo, EN; e 27 Vulneráveis, VU) (Figura 2).

Figura 2 – Algumas espécies de invertebrados troglóbios, com as respectivas categorias.
Com relação à avaliação dos morcegos, quatro espécies estão ameaçadas de extinção: Furipterus horrens (F. Cuvier, 1828) e Natalus macrourus (Gervais, 1856) permanecem na categoria Vulnerável (VU); Lonchophylla dekeyseri Taddei, Vizotto & Sazima, 1983 continua na categoria Em Perigo (EN); e Lonchophylla bokermanni Sazima, Vizotto e Taddei, 1978 entra para Lista, na categoria Vulnerável (VU) (Figura 3). Outras quatro espécies que constavam na lista anterior saem das categorias de ameaça: Glyphonycteris behnii (Peters, 1865) passou a ser categorizada como Dados Insuficientes (DD) pela necessidade de melhores informações sobre sua taxonomia e distribuição; Lonchorhina aurita Tomes, 1863 passou a ser categorizada como Quase Ameaçada (NT) por ajustes na aplicação do método; Xeronycteris vieirai Gregorin & Ditchfield, 2005 passou a ser categorizada como Dados Insuficientes (DD) pela ausência de dados suficientes para calcular um possível declínio populacional, e pela falta de registros de ocorrência que permitiriam uma melhor delimitação da real distribuição desta espécie; e Eptesicus taddeii Miranda, Bernardi & Passos, 2006 passou a ser categorizada como Menos Preocupante (LC), porque novas e melhores informações apontaram a ocorrência da espécie dentro de unidades de conservação (Tabela 2).

A partir de agora, a lista passará a ser atualizada anualmente, conforme previsto na Portaria MMA 43/2014, baseada nas espécies que tiverem passado pelo ciclo completo de avaliação no período anterior. A mudança de estratégia permitirá que a lista reflita resultados mais atuais, com menor diferença de tempo entre a avaliação do risco de extinção de uma espécie e sua aplicação nas políticas públicas de conservação da biodiversidade.
Módulo público do SALVE
O módulo de acesso público do SALVE foi desenvolvido com o objetivo de divulgar ao público geral os resultados do processo de avaliação do risco de extinção. Na plataforma, é possível acessar dados gerais como distribuição, status de ameaça e a presença da espécie em unidades de conservação (UCs). Além disso, também é possível baixar uma ficha de ocorrência do animal, com os registros compilados pelos pesquisadores.
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