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Os sons da Serra do Cipó: ICMBio/Cecav integra pesquisa de monitoramento da paisagem sonora
Parque Nacional da Serra do Cipó (MG) - Foto: Maurício Andrade
Pelas serras, campos rupestres e uma paisagem emoldurada pelas nuances das sempre-vivas, das orquídeas e das diversas outras plantas que enfeitam o “jardim do Brasil”, como batizou o paisagista Roberto Burle Marx, pesquisadores têm buscado registrar os sons dos animais que fazem morada no Parque Nacional da Serra do Cipó, em Minas Gerais. O trabalho é realizado em parceria entre o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav), Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (ICMBio/Cemave) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA).
“Estamos trabalhando em um projeto piloto de monitoramento da paisagem sonora. Nesse projeto, gravamos o som do ambiente ao longo do ano para caracterizar as estações e ver o que muda de uma estação para outra e como elas mudam ao longo dos anos. Atualmente, temos 16 gravadores de bioacústica distribuídos pelo parque. Esses gravadores estão dispostos em quadro quadrantes aleatorizados. A ideia é que consigamos ter uma boa representação do padrão sonoro sazonal da unidade de conservação”, explicou o analista ambiental do ICMBio/Cemave, Ivan Campos.
O pesquisador explica que além da representação sazonal do som do ambiente, a ideia é que o estudo obtenha algumas informações acerca das populações de espécies de animais. “Temos uma lista de espécies de aves e de anuros que a gente quer identificar nas gravações. Também temos um estudo feito por uma colaboradora da UFLA que quer identificar, no maior grau possível, os morcegos da região, tanto no grid (área amostral externa), quanto nas proximidades e interior das cavernas”, afirmou o pesquisador.
A biodiversidade da Serra do Cipó
Composto por campos rupestres e matas, rios, cachoeiras, cânions, cavernas e sítios arqueológicos, o Parque Nacional da Serra do Cipó também resguarda um dos maiores níveis de endemismo vegetal do mundo. Além disso, a região abriga diversas espécies de aves e répteis, além de alguns animais ameaçados de extinção como lobo-guará, tamanduá-bandeira, onça-pintada e tatu-canastra.
Sobre os morcegos que vivem no parque, a bióloga e mestranda da UFLA, Laís Gomes, desenvolve uma pesquisa voltada à compreensão da diversidade de espécies e à avaliação do potencial do monitoramento sonoro da paisagem para ampliar o conhecimento sobre esses animais.
“Um dos meus objetivos neste trabalho é entender quais são e onde estão os morcegos da Serra do Cipó. Embora o protocolo não seja específico para esses animais, já identificamos que é possível detectar algumas espécies. Isso é especialmente relevante porque os morcegos fazem parte de um grupo fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas. A pesquisa também ganha importância por ser realizada em uma área bastante ameaçada: tanto os campos rupestres quanto as cavernas sofrem diferentes pressões. Alinhar o monitoramento sonoro da paisagem, realizado a longo prazo, com a detecção de morcegos é essencial, já que esses animais desempenham diversas funções e prestam inúmeros serviços ecossistêmicos”, disse Laís.
Todos os sentidos pela conservação
O analista ambiental e coordenador da Base Avançada do ICMBio/Cecav em Minas Gerais, Maurício Andrade, explica que durante as expedições para manutenção dos gravadores, também é feito um monitoramento visual e auditivo dos animais e da paisagem: “dentro e fora das cavernas a gente observa quais são as espécies que ocorrem nesses ambientes, como pererecas, morcegos, insetos e peixes”, explicou.
Maurício também conta que o projeto tem sido responsável pela descoberta de novas cavernas, que têm sido registradas no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie), que hoje traz os dados de mais de 30 mil cavernas no Brasil. É o caso da caverna Albangar, encontrada durante uma das expedições realizadas com o ICMBio/Cemave, no Parque Nacional da Serra do Cipó.

