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Das cavernas à sala de aula: projeto promove educação e conservação do patrimônio espeleológico
Palestra de abertura da Semana do Turismo Pedagógico em Apodi. - Foto: divulgação
Conhecer o lugar onde se vive, entender mais sobre as paisagens, formações, a cultura e a origem de uma região. Esse é um dos propósitos de um projeto apoiado pelo Plano de Ação Nacional para Conservação do Patrimônio Espeleológico Brasileiro (PAN Cavernas do Brasil) e que tem levado às escolas o conhecimento sobre as cavernas. Fruto de uma pesquisa de Pós-doutorado do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a proposta se fundamenta na Educação Baseada no Lugar (EBL), buscando fortalecer o senso de pertencimento e a valorização do território, além de facilitar a disseminação do conhecimento científico nas comunidades.
À frente desse trabalho, o espeleólogo e pesquisador, Daniel Menin diz que “embora tenha identificado mais de uma centena de exemplos em que a espeleologia contribui para o desenvolvimento de competências e habilidades previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a estrutura curricular tradicional e as diretrizes de ensino adotadas por alguns estados, como São Paulo, nem sempre oferecem espaço ou incentivo para a implementação desse tipo de projeto”, afirmou.
Os caminhos do conhecimento subterrâneo
Iniciado em 2024, no Alto Vale do Ribeira, em São Paulo, o pesquisador busca expandir o trabalho para outras regiões com patrimônio espeleológico relevante: Amazônia, norte de Minas Gerais e sertão do Rio Grande do Norte. A ideia é compartilhar os conhecimentos acerca da biodiversidade subterrânea com professores e estudantes, promovendo uma transformação educativa baseada no fortalecimento do sentimento de pertencimento e na valorização do patrimônio local.
Em junho, a iniciativa percorreu os municípios de Apodi e Felipe Guerra, onde seus lajedos, cavernas e paisagens cársticas resguardam registros da ocupação humana, da megafauna, das variações climáticas ao longo do tempo e de importantes aspectos sociais e históricos. Participam do projeto estudantes do Ensino Fundamental II, do 6º ao 9º ano, além de uma turma do 1º ano do Ensino Médio, em Felipe Guerra. Ao todo, mais de 500 alunos estão envolvidos nas atividades.
Nos próximos meses, os docentes irão expandir a abordagem do tema em suas áreas de atuação, promovendo articulações entre o patrimônio espeleológico e diferentes campos do saber. Em outubro, será promovido um evento de encerramento, no qual serão compartilhados os trabalhos elaborados pelos estudantes das escolas participantes.
As experiências em sala de aula
De acordo com Daniel Menin, em praticamente todas as turmas que recebem o projeto é possível ouvir comentários surpreendentes. “Há alunos que sequer sabiam da existência de cavernas, mesmo vivendo em regiões cársticas, enquanto outros já conhecem nomes de animais da megafauna ou de diferentes espeleotemas”, afirmou o pesquisador.
Menin também conta que chamam atenção os comentários relacionados às escolhas profissionais. Segundo ele, para muitos estudantes, a ideia de ser cientista parecia algo muito distante e inacessível. “Outro tipo de reação bastante comum é o espanto ao descobrir a importância das cavernas sob diferentes perspectivas: ambiental, social, histórica, econômica, científica, turística e educativa”, diz. Além disso, os alunos frequentemente manifestam o desejo de visitar, explorar e conhecer pessoalmente esses ambientes”, disse.
Sobre o PAN Cavernas do Brasil
O PAN Cavernas do Brasil possui 44 ações, distribuídas em quatro objetivos específicos, visando cumprir o objetivo geral: prevenir, reduzir e mitigar os impactos e danos antrópicos sobre o patrimônio espeleológico brasileiro, espécies e ambientes associados, em cinco anos. Além disso, contempla 168 táxons nacionalmente ameaçados de extinção, estabelecendo seu objetivo geral, objetivos específicos, prazo de execução, formas de implementação, supervisão e revisão.

