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Cavernas do RN poderão ter proteção ampliada com nova unidade de conservação
Após anos de atuação em prol da conservação do patrimônio espeleológico potiguar, com resultados como a criação do Parque Nacional da Furna Feia, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav) pretende ampliar as iniciativas para resguardar os ambientes subterrâneos na região. O estado que ocupa a quarta posição no ranking de regiões com mais cavernas no país poderá ganhar mais uma unidade de conservação (UC). Uma expedição coordenada pela Base Avançada no Rio Grande do Norte, junto com servidores do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio em Mossoró, percorreu cavernas e outros atrativos naturais onde deverá ser proposta a nova UC.
A região envolve os municípios de Felipe Guerra, Governador Dix-Sept Rosado, Caraúbas, Upanema e Apodi, e possui mais de 1000 cavernas cadastradas. Segundo os pesquisadores, está sendo avaliada a proposição de uma UC de Uso Sustentável - tal como uma Área de Proteção Ambiental (APA), que alia a coexistência de atividades econômicas tradicionais (como a mineração e agropecuária) com o manejo de áreas ainda bem conservadas e o fomento a atividades mais sustentáveis (como o turismo ecológico). No entanto, os estudos para a proposta estão em fase inicial e outras ideias que busquem conservar as cavernas da região ainda estão sendo avaliadas.
“Até o momento, a APA é a categoria que mais se adequa à realidade dos municípios. Apesar de ser bastante permissiva a atividades econômicas, regras específicas para áreas mais sensíveis podem ser inseridas dentro do próprio decreto de criação da unidade, como foi feito na APA do Boqueirão da Onça, região na Bahia onde estão as tocas da Boa Vista e da Barriguda, que são as duas maiores cavernas no Brasil. Neste caso, o próprio decreto de criação definiu um regime de uso mais restrito na área onde estão essas duas cavernas, com regras similares a uma UC de proteção integral. Também podemos pensar em propor um mosaico, com uma APA grande e com um Monumento Natural (uma UC de proteção integral), por exemplo, incluindo as áreas mais relevantes, principalmente no município de Felipe Guerra. Estamos avaliando o desenho ideal”, explicou o analista ambiental e coordenador da Base Avançada do ICMBio/Cecav no Rio Grande do Norte, Diego Bento.
A ideia de uma nova unidade de conservação federal potiguar
Segundo Diego, após a criação do Parque da Furna Feia, novas pesquisas indicaram que outras regiões, principalmente dos municípios de Felipe Guerra e Governador Dix-Sept Rosado, detêm um patrimônio espeleológico muito relevante, “do ponto de vista bioespeleológico até mais relevante que a área do parque. Então, surgiu a necessidade de avaliar melhor como conservar esse patrimônio”, afirmou.
Para Diego, uma unidade de conservação na região buscará garantir uma melhor gestão sobre o uso e ocupação do solo. Além disso, todos os empreendimentos que já são submetidos aos processos de licenciamento ambiental estarão alinhados também com a conservação do patrimônio espeleológico. “A região passará a contar com uma equipe do ICMBio cuidando da área e auxiliando outros órgãos ambientais, trabalhando junto para que a legislação ambiental seja cumprida”, explicou o analista ambiental.
Fomento ao uso sustentável
Com mais de 80 mil hectares, a região atualmente engloba mais de mil cavernas e é considerada a maior concentração de cavidades naturais subterrâneas do Rio Grande do Norte, e uma das maiores do Brasil. De acordo com Diego Bento, a delimitação da área incluirá todos os principais aglomerados de cavernas, muitas delas de máxima relevância, além dos principais lajedos existentes na região.
Assim, uma unidade de conservação de uso sustentável, como uma APA, permitiria conciliar a economia local atual com o incentivo ao uso sustentável do patrimônio espeleológico nas áreas mais relevantes, estimulando o espeleoturismo, o turismo de aventura e outras atividades que representem menores impactos ambientais. Esta estratégia tem funcionado no Parque Nacional da Furna Feia, que está se consolidando como um importante polo de turismo no Rio Grande do Norte.
Parque Nacional da Furna Feia ganha protagonismo no turismo sustentável
Com mais de 200 cavernas, o parque está localizado entre os municípios de Baraúna e Mossoró, abriu para visitação em 2025 e já nos primeiros cinco meses recebeu mais de 1.000 visitas. Criada em 2012, a unidade de conservação é um dos principais remanescentes da Caatinga do Rio Grande do Norte. Atualmente, os turistas podem visitar a Caverna Furna Nova e, em breve, poderão conhecer também o Abrigo do Letreiro, que recentemente teve seu Plano de Manejo Espeleológico aprovado. Além do Abrigo do Letreiro, que posteriomente contará com acessibilidade para cadeirantes, o parque está em vias de iniciar a estruturação da Furna Feia, principal caverna da região, para a visitação.
Em função de suas belezas naturais, o parque se tornou cenário da nova novela das 18h da Rede Globo, Nobreza do Amor, que estreou em março. Foram gravadas cenas no Abrigo do Letreiro, um importante sítio arqueológico que abriga painéis de pinturas rupestres, e na Furna Feia. Assim, o Parque Nacional da Furna Feia vem se destacando como protagonista na conservação e divulgação do carste potiguar, preservando a história e as belezas da região.