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ICMBio fortalece agenda de refaunação e restauração de ecossistemas
Evento ocorreu entre os dias 5 e 7 de maio de 2026. Foto: Luiza Tedesque.
ICMBio avançou na consolidação de uma agenda estratégica voltada à refaunação e à restauração de ecossistemas, tema considerado essencial para ampliar a efetividade das ações de conservação da biodiversidade, especialmente em Unidades de Conservação (UCs) e áreas prioritárias para a proteção de espécies ameaçadas.
As atividades foram promovidas por quatro Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do ICMBio: o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação em Biodiversidade e Restauração Ecológica (CBC), o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE), o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB) e o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e a Virginia Tech, dos Estados Unidos.
A programação teve início em abril com um webinário transmitido pelo canal do ICMBio no YouTube, dedicado à apresentação de experiências, desafios e potenciais da refaunação. Em seguida, entre os dias 5 e 7 de maio, foi realizada uma oficina presencial na Sede do Instituto, em Brasília, com o objetivo de qualificar a atuação de gestores do Instituto, através das trocas de experiências com pesquisadores e demais profissionais envolvidos com o tema.
Ciclo de palestras e discussões em grupos temáticos
No primeiro dia da oficina, um ciclo de palestras reuniu especialistas para discutir experiências nacionais e internacionais, desafios técnicos, possibilidades de aplicação e caminhos para fortalecer a refaunação como instrumento de restauração ecológica. Nos dois dias seguintes, os participantes trabalharam em grupos temáticos para aprofundar conceitos, critérios e diretrizes que deverão subsidiar a elaboração de um documento orientador para apoiar futuras ações do ICMBio.
Participaram da iniciativa 60 pessoas, entre analistas ambientais, servidores públicos, professores, pesquisadores, representantes de organizações da sociedade civil e instituições do Brasil e do exterior. A diversidade de perfis e experiências contribuiu para ampliar o diálogo técnico e institucional, fortalecendo uma abordagem integrada para o planejamento de ações de refaunação em diferentes contextos e escalas territoriais.
Para Alexandre Sampaio, coordenador do CBC/ICMBio, a refaunação representa uma agenda inovadora por articular a recuperação da vegetação ao retorno da fauna em áreas degradadas ou afetadas por processos de defaunação. Segundo ele, a oficina também representa um passo importante para a definição de parâmetros institucionais que orientem a atuação do ICMBio no tema.
Essa é uma agenda inovadora, porque traz a conjugação da revegetação com o retorno da fauna em áreas onde está acontecendo o processo de defaunação ou onde houve degradação de forma geral dos ecossistemas. O objetivo é restabelecer o funcionamento desses ambientes, nos quais a fauna é um componente essencial, destacou Alexandre.
“Nós estamos estabelecendo critérios para qualificar a atuação do ICMBio na agenda da refaunação. A partir desses critérios, deveremos elaborar toda a política do Instituto nesse sentido e, com isso, iniciar a prática de refaunação nas Unidades de Conservação ou naquelas áreas importantes para a conservação de espécies ameaçadas”, complementou Alexandre.
Envolvimento de diferentes setores
Priscila Amaral, do CEMAVE/ICMBio, ressaltou a importância da escuta qualificada e da construção coletiva durante a oficina.
“Ouvimos diferentes instituições e diferentes esferas. Está sendo muito importante para a gente fazer um alinhamento sobre os conceitos e os critérios. A dinâmica que foi proposta está sendo bastante funcional porque permite escutar pessoas com experiências diversas e discutir temas essenciais para o avanço dessa agenda”, afirmou Priscila.
A participação de diferentes atores também favoreceu o intercâmbio de experiências e a identificação de estratégias capazes de orientar os próximos passos do ICMBio. Para representantes da academia e de instituições parceiras, a aproximação entre ciência, gestão pública e atuação territorial é fundamental para que a refaunação seja conduzida com segurança, responsabilidade e efetividade.
“Essa iniciativa do ICMBio, trazendo a Academia para conversar sobre o processo de refaunação é muito positiva e produtiva”, avaliou Selene Nogueira da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), na Bahia.
Gisele Winck, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também destacou o caráter colaborativo da oficina:
“É muito gratificante participar dessa iniciativa do ICMBio. Momentos como esse, com diferentes olhares e experiências, proporcionam uma interação muito rica e ajudam a formular diretrizes mais consistentes.”

- Ciclo de palestras envolveu experiências nacionais e internacionais de diversos setores. Foto: Rubem Jayro.
A importância de falar sobre refaunação
A agenda da refaunação ganha relevância no contexto da restauração ecológica porque reconhece que recuperar ecossistemas não significa apenas recompor a vegetação. A fauna desempenha funções essenciais para o equilíbrio ambiental, como dispersão de sementes, polinização, controle populacional de outras espécies e manutenção de processos ecológicos. Por isso, o retorno planejado de espécies a ambientes onde foram extintas localmente ou tiveram suas populações reduzidas pode contribuir para restaurar funções ecológicas e aumentar a resiliência dos ecossistemas.
Para Claudia, do ICMBio em Juazeiro, a oficina teve especial importância para a realidade das UCs federais. Segundo ela, “esse momento representa uma oportunidade para direcionar uma padronização das ações necessárias para proporcionar o retorno de espécies da fauna para garantir o equilíbrio quando se fala em Unidades de Conservação.”
Ao reunir Centros de pesquisa, universidades, organizações parceiras e gestores públicos, o ICMBio reforçou seu papel na construção de ações para conservação da sociobiodiversidade. O documento orientador resultante da oficina deverá contribuir para padronizar critérios, reduzir riscos, fortalecer a tomada de decisão e apoiar iniciativas futuras de refaunação em UCs federais e outras áreas estratégicas.


