Ecologia e Conservação de Insetos
Os insetos polinizadores são pequenos animais responsáveis pela polinização de plantas, atuando diretamente na produção de frutos e sementes e ocupando um papel essencial na produção de alimentos e na manutenção da biodiversidade terrestre. Estima-se que cerca de 76% das culturas alimentares do Brasil dependem da polinização animal, sendo as abelhas as maiores responsáveis pelo processo de polinização (BPBES, 2019). Já em processos de restauração, a presença desses polinizadores contribui para a estruturação de comunidades vegetais mais resilientes, diversas e funcionais, contribuindo para o sucesso dessas iniciativas.
Abelhas são as maiores responsáveis pelo processo de polinização de culturas alimentares no Brasil. Na imagem 1, está presente uma abelha sem ferrão da espécie Melipona scutellaris; foto: Lindolfo Souto. Borboletas - representadas na imagem 2 pela subespécie Tithorea harmonia caissara - são bioindicadores essenciais em áreas de restauração; foto por: Luciano Bernardes.
A Atuação do CBC com Insetos Polinizadores
O CBC entende a importância dos insetos polinizadores na cadeia de produção de alimentos, nos processos de restauração da vegetação nativa e na resiliência das paisagens frente às mudanças climáticas e, por isso, atua diretamente na conservação desse grupo por meio do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Insetos Polinizadores Ameaçados de Extinção - PAN Insetos Polinizadores. Este PAN tem como objetivo promover a conservação das espécies de abelhas, borboletas e mariposas polinizadoras em risco de extinção, assim como a manutenção de seus habitats e a redução das ameaças que impactam essas espécies.
Atualmente, o PAN Insetos Polinizadores conta com 65 ações divididas em 8 objetivos específicos que tratam de temas como:
- Efeitos nocivos do uso indiscriminado de agrotóxicos;
- Promoção de conectividade e restauração de habitats;
- Redução da conversão de áreas naturais para atividades agropecuárias e industriais;
- Efeitos do fogo e das mudanças climáticas sobre as espécies;
- Promoção de manejo conservacionista de abelhas-nativas-sem-ferrão e incentivo à fiscalização de atividades;
- Controle e manejo de espécies exóticas invasoras.
O PAN Insetos Polinizadores atua diretamente na conservação dessas importantes espécies e tenta reverter o cenário de declínio observado ao longo dos últimos anos, através de pesquisa científica, recuperação de hábitats, práticas agroecológicas, educação ambiental e promoção de políticas públicas.
O PAN Insetos Polinizadores também conta com um Grupo de Assessoramento Técnico e uma ampla rede de colaboradores de Instituições de Pesquisa, Universidades Públicas e Privadas, Órgãos de Meio Ambiente estaduais e municipais, pesquisadores autônomos e muitos outros.
Monitoramento feito no âmbito do PAN Insetos Polinizadores. As atividades demonstradas foram realizadas em Poço das Antas - RJ (imagem 1) e Serra da Canastra - MG (imagem 2).
Áreas Estratégicas do PAN Insetos Polinizadores
Definição das Áreas Estratégicas do PAN Insetos Polinizadores: locais que apresentam uma ou mais características essenciais à conservação das espécies-alvo, relacionados à biologia e ecologia das espécies como riqueza, diversidade, endemismo ou grau de ameaça; ou ao ambiente, como grau de conservação dos recursos naturais e conectividade da paisagem. A definição de Áreas Estratégicas possibilita direcionar recursos e definir ações de conservação específicas para cada área, otimizando o processo de gestão do PAN e favorecendo a manutenção dessas espécies na natureza. A metodologia completa de elaboração das Áreas Estratégicas pode ser encontra no relatório técnico: “Mapa das Áreas Estratégicas do PAN Insetos Polinizadores” e você pode conhecê-las no mapa interativo.
Monitoramento de insetos polinizadores realizado pelo CBC na Serra da Canastra - MG.
Indivíduos de abelha jataí (Tetragonisca angustula); foto: Cesar Machado Nunes Teixeira.

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O CBC conta com o Laboratório de Pesquisa e Conservação de Insetos (LaPeCo), que desenvolve trabalhos relacionados à conservação e monitoramento de insetos em todo o Brasil. Nele, há uma coleção científica de insetos dedicada principalmente a borboletas, mariposas e abelhas, onde são preservados espécimes montados e amostras de tecidos em freezer -20 ºC. A Coleção Entomológica do CBC (CCBC) está cadastrada no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr) e está em processo de registro dos espécimes (veja o perfil da coleção no SIBBr).
Entre os projetos desenvolvidos no laboratório estão:
1) Pesquisas de longa duração para avaliação das tendências populacionais de insetos nos diversos biomas terrestres do Brasil, entre eles:
a) Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração da Área de Preservação Ambiental das Bacias do Gama e Cabeça de Veado - PELD - AGCV (colaboradores: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], AUniversidade de Brasília [UnB]);
b) Pesquisa em Biodiversidade na Amazônia Oriental – PPBio AmOr (colaboradores: Universidade Federal do Pará [UFPA] e Universidade de Bristol, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Síntese para a Biodiversidade Amazônica – SynBiAm).
2) Pesquisas para o monitoramento de insetos, entre os quais estão os testes metodológicos para implementação do alvo borboletas-frugívoras no componente campestre e savânico do Programa Monitora, que fez amostragens na Caatinga, no Pantanal e no Pampa. Ademais, testes de métodos para o monitoramento de abelhas compatíveis com os requisitos do Programa Monitora em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, do Instituto Nacional da Mata Atlântica e da Universidade Federal de Minas Gerais. Nessa mesma linha, também é estudado o efeito da urbanização sobre as comunidades de borboletas frugívoras do Cerrado.
3) Envolvimento da comunidade no projeto de Ciência Cidadã "Monitoramento cidadão de insetos polinizadores no DF", apoiado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Polinização – INPOL, eixo Interação com a Sociedade, em colaboração com a Universidade Federal do ABC.
4) A genômica de insetos é estudada em três eixos do projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), projeto desenvolvido pelo ICMBio em colaboração com o Instituto Tecnológico da Vale (ITV.) Os projetos desenvolvidos visam reduzir a deficiência observada nas bibliotecas de códigos de barras genético (barcode) de borboletas e abelhas, estudar a genômica populacional e descrever o genoma de referência (genoma completo) da borboleta-ribeirinha, Parides burchellanus e Bombus bahiensis.
5) Outros projetos em desenvolvimento no LaPeCo envolvem a conservação de papilionídeos na Amazônia e no Cerrado (colaboração com Swallowtail and Birdwing Butterfly Trust), os efeitos de agrotóxicos sobre insetos polinizadores na Caatinga (colaboração com Laboratório de Ecologia de Insetos da Universidade Federal do Vale do São Francisco [UNIVASF]), e na APA do Gama e Cabeça de Veado, os efeitos da luminosidade sobre a fauna de insetos noturnos (colaboração com The Rowland Institute at Harvard e University of Texas at El Paso) e os efeitos das chuvas extremas de 2024 no estado do Rio Grande do Sul nos insetos polinizadores ameaçados de extinção.
(Imagem 1) Caixa de borboletas que faz parte da Coleção Entomológica do CBC (CCBC). (Imagem 2) Equipe trabalhando no Laboratório de Pesquisa e Conservação de Insetos (LaPeCo).