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Curso com servidores do Ibama aborda uso de IA e geotecnologias nos processos de Recuperação Ambiental
Curso da USP capacitou servidores do Ibama e do MMA quanto ao uso de geotecnologias e de Inteligência Artificial na recuperação ambiental - Foto: ESALQ/USP
Brasília/DF (02/01/2026) - Um curso realizado entre os dias 14 e 19 de dezembro do ano passado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP), abordou o uso de Inteligência Artificial (IA) e de geotecnologias no planejamento e no monitoramento das ações de recuperação ambiental e restauração florestal.
A capacitação, voltada para servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) que atuam no tema Recuperação Ambiental, apresentou a aplicação integrada das ferramentas de geotecnologia e de IA no planejamento, execução e monitoramento da restauração florestal. As atividades combinaram aulas teóricas e exercícios práticos, além de favorecerem um ambiente de troca qualificada entre docentes e participantes, aspecto destacado pelo professor da ESALQ/USP, Matheus Pinheiro Ferreira.
Recursos tecnológicos como imagens de satélite, drones, sistemas de informações geográficas (SIG) e modelos de IA permitem analisar grandes volumes de dados espaciais, identificar áreas prioritárias para restauração, acompanhar a recomposição da vegetação ao longo do tempo e avaliar a efetividade das ações implementadas. Nesse sentido, o professor Paulo Guilherme Molin, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e responsável por coordenar o Centro de Pesquisas e Extensão em Geotecnologias (CePE-Geo), destacou a aplicação desses recursos nas políticas públicas. “Essas ferramentas permitem melhor leitura do território, acompanhamento temporal da recomposição da vegetação e maior suporte técnico à tomada de decisão”, explica Molin.
Uso recente da IA
As geotecnologias, por exemplo, vêm sendo utilizadas na restauração florestal há cerca de 20 anos, especialmente com a ampliação do acesso a imagens de satélite de média e alta resolução e com o avanço dos sistemas de informações geográficas. A IA, por outro lado, foi adotada para esse fim mais recentemente, potencializando essas aplicações nos últimos anos com o desenvolvimento de algoritmos capazes de automatizar análises, reconhecer padrões de cobertura vegetal e monitorar a dinâmica da restauração em diferentes escalas espaciais e temporais. Antes do uso de ambas as ferramentas, o planejamento e o monitoramento da restauração florestal eram fortemente baseados em levantamentos de campo pontuais, análises manuais e acompanhamento local das áreas restauradas. Embora essenciais, essas abordagens apresentavam limitações quanto à escala de análise, à periodicidade do monitoramento e à integração de informações espaciais, o que dificultava a avaliação contínua e comparável dos resultados alcançados.
Com a implementação da IA e das geotecnologias no processo, há um evidente ganho de eficiência e escala no monitoramento das áreas em restauração, da melhoria na identificação de falhas ou gargalos nos processos de recomposição da vegetação, da possibilidade de acompanhamento temporal contínuo e, ainda, na produção de indicadores ambientais mais consistentes. Também há maior transparência, rastreabilidade das ações de restauração e qualificação técnica das decisões adotadas pelos órgãos ambientais.
Para o futuro, são esperados avanços ainda maiores nos processos de recuperação ambiental, que incluem a ampliação do uso de modelos de IA para automatização de análises, o aprimoramento do monitoramento contínuo da restauração florestal, a integração de diferentes bases de dados ambientais e o fortalecimento da capacidade institucional do Ibama para uso dessas ferramentas no apoio às políticas públicas. Espera-se também aproximação das instituições públicas com as universidades e que cursos como esse sejam cada vez mais fomentados.
Na avaliação de Vivian Vilela, analista ambiental do Departamento de Florestas do MMA, a capacitação representou uma oportunidade relevante de atualização técnica e de troca entre profissionais de diferentes instituições. Segundo ela, o curso permitiu aprofundar conhecimentos sobre o uso de geotecnologias e inteligência artificial aplicadas à restauração florestal, além de contribuir para a compreensão de como essas ferramentas podem ser incorporadas de forma prática às rotinas institucionais de planejamento e monitoramento ambiental.
A capacitação foi viabilizada com recursos do Projeto ASL, com apoio do MMA e da Conservation International (CI). A realização do curso reforça a importância da cooperação entre instituições de ensino, órgãos ambientais e projetos estratégicos, como o ASL, para o fortalecimento da agenda de restauração florestal no país, especialmente diante dos desafios relacionados à recuperação de áreas degradadas e aos impactos das mudanças climáticas.
Saiba mais sobre Recuperação Ambiental na página dedicada ao tema no site do Ibama.
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