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Ministro da Integração discute política nacional de secas em evento sobre mudanças climáticas
O ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, discute nesta
sexta-feira (dia 16) uma abordagem proativa da política de secas no evento
internacional sobre mudanças climáticas - Adaptation Futures -, às 9h no hotel
Vila Galé, em Fortaleza, que tem a participação do DNOCS. A programação prevê a
presença do governador do Ceará, Cid Gomes, Mariano Laplane, do Centro de Gestão
e Estudos Estratégicos (CGEE); Deborah Wetzel, do Banco Mundial, Slaeem Huq, da
Provia e José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
A seguir, Donald Wilhite, da Universidade de Nebraska, autoridade mundial
numa abordagem proativa da política de secas, dará a palestra principal, seguida
de debate com o ministro Francisco Teixeira;Michel Jarraud, da Organização
Meteorológica Mundial; Monique Berbut, da Convenção das Nações Unidas de Combate
à Desertificação (UNCCD) e José Graziano da Silva, da Organização Mundial para
Agricultura e Alimentação (FAO). Pela tarde, o painel sobre perspectivas de
política nacional de secas será abordado por José Machado, do Ministério da
Integração Nacional; Erwin De Nys, do Banco Mundial; Joaquin Andreu, que
discutirá a experiência da Espanha e Mario Lopez Peres, que relatará o modelo do
México.
Preparativo para as discussões, o Banco Mundial realizou na quinta-feira
workshop para jornalistas sobre Gestão de Risco de Desastre – Iniciativas de
Prevenção e Monitoramento das Secas, conduzido por Erwin De Nys, especialista em
Recursos Hídricos e Frederico ferreira Pedroso, especialista em Gestão de Riscos
de Desastres. O seminário, que apresentou iniciativas para prevenção da seca no
Nordeste e a gestão de outros fenômenos naturais no Brasil e serviu como
introdução para o painel da sexta-feira, contou com a participação da Assessoria
de Comunicação do DNOCS e outros jornalistas da imprensa local.
Frederico Ferreira Pedroso observou que o Brasil não tem projeto exclusivo
de gestão de desastres, apenas componentes com este enfoque e discorreu sobre as
diferenças de agir com reatividade ou proatividade diante da realidade de crise.
Segundo ele, desastres custam caro e atingem mais a população carente, a exemplo
da enchente em Pernambuco e Alagoas em 2010 que, conforme estudo do Banco
Mundial, comprovou que causou prejuízo de R$ 3,4 bilhões. O mundo tem por ano
prejuízo de US$ 3,5 trilhões, disse ele, ao defender metodologia de gestão de
riscos e desastres adotada pelo Banco Mundial que envolve estudos analíticos e
capacitação e ou assistência técnica dos entes atingidos.
A seca, observa Erwin De Nys, é um evento extremo não tão imediato como a
enchente, terremoto ou tsunami, se instala lentamente e causa impacto. Nos
últimos 30 anos, os EUA tiveram US$ 250 bilhões de prejuízo com secas e em data
mais recente, a seca de 2012 causou prejuízo de US$ 70 bilhões ao país. Por
isso, segundo ele, o país mudou o paradigma do que antes era uma reação de
gestão de crise para uma ação, com a prática de uma gestão proativa.
Em 1999 os EUA lançaram um plano de secas com um monitor de secas por
iniciativa dos técnicos que resultou em um mapa, um dos 10 sites mais
consultados pela Internet no país, com validação local, que permite monitorar o
estágio da seca e adotar medidas conforme o estágio de gravidade, visualizado em
escala de quatro níveis. O Banco Mundial patrocina o projeto de assistência
técnica Preparação para as secas e resiliência às mudanças climáticas, que num
primeiro nível promove um diálogo sobre a política nacional de convivência com o
semiárido e preparação às secas.
O segundo nível se concretiza em um projeto piloto de preparação para as
secas no Nordeste constituído por um Monitor de Secas do Nordeste e planos
locais de preparação, que envolve a sociedade em torno de indicadores e
indicação de ações a serem tomadas conforme o estágio de instalação da seca. Um
experimento está em andamento na bacia hidrográfica do rio Piranhas-Açu, no Rio
Grande do Norte e Paraiba, e no açude Cruzeta. Outra enfoca o abastecimento
urbano em Fortaleza e no Agreste pernambucano e uma terceira enfoca a
agricultura de sequeiro em um município do Ceará.