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FUNCEME anuncia prognóstico de chuvas para o semiárido nordestino
O anúncio da quadra invernosa de 2014, feito nesta terça-feira (dia 21) pelo
presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, Eduardo
Sávio Rodrigues, apontou uma probabilidade de 40 por cento de chuvas abaixo da
média histórica de fevereiro a abril – 5 por cento a menos do que foi anunciada
no ano passado para a estação de chuvas de 2013, um ano de seca. A previsão
abrange no semiárido nordestino os estados do Norte da Região Nordeste: Ceará,
parte do Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, o lado Oeste de Pernambuco.
Estas áreas são mais afetadas pela Zona de Convergência Intertropical, o sistema
de nuvens associado à estação de chuvas na região, explica Meire Sakamoto,
meteorologista da FUNCEME. O Centro Sul do Ceará, que já tem problema de pouca
chuva, vai sofrer mais ainda, disse ela. O prognóstico para esta parte do estado,
segundo a meteorologista, pode afetar a recarga dos açudes. Todavia, podem
ocorrer chuvas na faixa noroeste do Ceará, assinala.
A divulgação do prognóstico por Eduardo Sávio Rodrigues foi breve e seguida pelo
anúncio das ações - já realizadas e a realizar no Ceará - pelo secretário de
Desenvolvimento Agrário, Nélson Martins, que considerou “preocupante” o quadro
anunciado no prognóstico. A FUNCEME desde dezembro fornece informações à
Secretaria de Desenvolvimento Agrário em completa sintonia, e já havia entregue
um relatório detalhado para o planejamento das ações, disse o presidente da
Fundação.
O prognóstico indica ainda uma probabilidade de 35 por cento para a categoria
normal e de 25 por cento para a categoria acima do normal. “A previsão indica
maior probabilidade para a categoria abaixo da normal”, conclui o prognóstico
acerca dos 40 por cento anunciados. Um novo anúncio será feito na segunda
quinzena de fevereiro, com previsão das chuvas até maio, disse Nelson Martins. O
evento está agendado para a reunião climática a ser realizada no período pela
Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte.
A FUNCEME assinala que a variabilidade espacial é intrínseca à distribuição de
chuvas no setor norte do Nordeste do Brasil, devido a fatores diversos como
efeitos topográficos, proximidade em relação ao oceano, cobertura vegetal etc;
Observa ainda que especialmente em localidades com menores valores de
precipitação climatológica, a variabilidade temporal das chuvas pode provocar
uma maior frequência de veranicos. Segundo a Fundação, principalmente em áreas
com normais climatológicas mais expressivas, como regiões litorâneas ou
serranas, existe a possibilidade de ocorrerem eventos extremos de chuva.
“A variabilidade espacial é intrínseca à distribuição de chuvas no setor norte
do Nordeste, devido a fatores diversos como efeitos topográficos, proximidade em
relação ao oceano, cobertura vegetal etc. Em função disso e também da
variabilidade temporal, recomenda-se fortemente o acompanhamento das previsões
diárias de tempo, análises e tendências climáticas semanais divulgadas pelos
Centros Estaduais de Meteorologia”, afirma a nota distribuída no evento.
“A situação é muito preocupante e praticamente repetiu a previsão do ano passado
de escassez de chuvas”, afirma o chefe do Departamento de Monitoramento de
Reservatórios do DNOCS, André Mavignier, presente ao anúncio da estação de
chuvas com a chefe de
Gabinete do DNOCS, Raquel Pontes. Para ele, diante do quadro, é preciso que o
governo prepare um plano de ações e de respostas às necessidades que certamente
vão surgir num ano seco. Raquel Pontes considerou que diante do cenário
desenhado será necessário fazer adaptações aos programas em curso e destacou que
muitas das ações – carros-pipa e adutoras - estão baseadas na água existente nos
reservatórios. Ela defendeu o reposicionamento do DNOCS a partir das informações
divulgadas no prognóstico.
Nelson Martins disse que o Comitê da Seca, que reúne todos os órgãos
relacionados ao tema, continuará com as reuniões semanais às segundas-feiras no
quartel do Corpo de Bombeiros, com destaque para o grupo que está fazendo um
estudo sobre segurança hídrica. Também a Assembleia Legislativa está mobilizada
com a Comissão Especial da Seca presidida pelo deputado Wellington Landim,
presente ao anúncio do prognóstico, informou.
O secretário de Desenvolvimento Agrário destacou entre as ações o seguro da
safra, que este ano oferta 335 mil vagas no Ceará com garantia de pagamento de
R$ 850 em cinco parcelas mensais e possibilidade de continuar sendo pago em caso
de perda de mais de 50 por cento da safra. “Vão entrar R$ 600 milhões na
economia do Ceará”, disse ele. Outra medida anunciada por Nelson Martins é a
utilização dos perímetros irrigados do DNOCS para a produção de forragem,
segundo ele já tratada com o ministro da Integração Nacional, Francisco
Teixeira. A SDA, segundo o secretário, tem recursos para licitar 6 a 7 mil kits
de irrigação para forragem e prevê ainda a instalação de pivôs centrais para
irrigação.
A divulgação do prognóstico se deu após dois dias do XV Workshop Internacional
de Avaliação Climática para o Semiárido Nordestino. Participaram do evento
técnicos da FUNCEME, da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí
(SEMAR), da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (SEMAR), da
Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (AESA), da Agência Pernambucana
de Águas e Clima (APA, da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de
Sergipe (SEMARH), do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia
(INEMA), do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Centro Nacional de Monitoramento e
Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), do Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI), do International Research Institute for Climate and Society -
Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e Sociedade, dos Estados Unidos
(IRI), do Centro de Meteorologia do Reino Unido (UK Met Office, da Universidade
de São Paulo(USP), da Universidade Estadual do Ceará (UECE), da Universidade
Federal do Ceará (UFC) e da Universidade da Integração Internacional da
Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).