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Defesa da reestruturação do DNOCS foi a tônica da inauguração da Coordenadoria no RN
A defesa da reestruturação do DNOCS para continuar a atuação de104 anos do
órgão no semiárido e a revitalização da Ribeira, em Natal, deram na sexta-feira
(dia 18) o tom da solenidade de inauguração da restauração do prédio da estação
ferroviária central, hoje sede da Coordenadoria do Departamento no Rio Grande do
Norte. O fortalecimento do DNOCS foi preponderante nos pronunciamentos do
diretor geral, Emerson Daniel Fernandes Júnior; do coordenador estadual, José
Eduardo Alves Wanderley; do presidente da Câmara Federal, Henrique Alves; do
ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho; do secretário nacional de
Irrigação, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira e da governadora Rosalba Ciarlini.
Participaram da solenidade, o primeiro evento das comemorações do
aniversário de 104 anos do DNOCS, o diretor de Infraestrutura Hídrica, Glauco
Mendes, o diretor Administrativo, Ivan Claudino e o ex-diretor geral Elias
Fernandes Neto, além do deputado estadual Gustavo Fernandes e do vereador Ubaldo
Fernandes, que representou o prefeito Carlos Eduardo Alves. Após o descerramento
da placa, o padre Inácio Henrique de Araújo Teixeira deu a bênção às
instalações. “O Brasil reconhece mais de um século de dedicação do DNOCS
devotada ao povo do Nordeste, pelo bem do povo do semiárido”.
Emerson Daniel relatou a luta para dar maior celeridade à reestruturação do
DNOCS e fez um apelo: “a minuta da Medida Provisória que foi estudada no
Ministério da Integração Nacional, agora no Ministério do Planejamento, precisa
chegar ao Congresso Nacional”. O DNOCS, segundo ele, foi a primeira grande
universidade do Nordeste, ao convocar cientistas do maior naipe para estudar
soluções para o semiárido. Conforme desenhado na Medida Provisória, com a
reestruturação o órgão terá departamentos próprios de projeto para oferecer
respostas prontas, para que consiga implementar os planos traçados.
Henrique Alves observou que “está andando a passos de tartaruga” o processo
de reestruturação, uma luta que dura meses, com a boa vontade do Ministério da
Integração Nacional, mas demora. O presidente da Câmara Federal informou que na
próxima audiência que terá com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior,
terça-feira (dia 22) vai defender concurso público para dar dinamismo e
consistência ao DNOCS com a contratação de 653 novos servidores.
“No pleito da reestruturação, temos muitas conquistas para o DNOCS”, disse
Henrique Alves. O deputado acrescentou ainda que há uma disputa por prioridades
no governo, todos querem mais e melhor. Porém, adiantou que vai defender as
conquistas previstas na minuta da Medida Provisória que saiu do Ministério da
Integração Nacional, antes de chegar ao Ministério do Planejamento. Não adianta
cortar muita coisa da minuta da Medida Provisória no Planejamento porque, se
cortar, quando chegar ao Congresso Nacional, os pontos cortados serão colocados
de volta – avisou o parlamentar.
Se os itens recolocados na Medida Provisória forem vetados ao sair do
Congresso, o veto será derrubado, advertiu Henrique Alves. “A Bancada do
Nordeste é das mais atuantes. Unida, é a maior em número no Congresso Nacional.
Vamos fazer valer a força do Nordeste, do Brasil e do DNOCS”, afirmou. O
deputado lembrou que o Nordeste tem um ministro de Estado, o presidente do
Congresso é de Alagoas, e o presidente da Câmara é do Rio Grande do Norte. “É
hora de mostrar o que o Brasil não quer enxergar”, afirmou.
O presidente da Câmara lembrou que o DNOCS já teve importância no passado,
era um verdadeiro Ministério do Nordeste. O parlamentar atribuiu que cabe a
todos um mea culpa pelo enfraquecimento do órgão, hoje com cerca de 1700
servidores, 80% em condições de se aposentar. “Quero ver um órgão do Sul ou
Sudeste passar por isso. Não passa. Há um preconceito contra o Nordeste”,
constatou.
Garibaldi Alves Filho citou o coordenador estadual do DNOCS ao afirmar que a
ação do DNOCS não deve ser realizada só por ocasião da grande seca. O
Departamento “tem função mais primordial de preparar a região para enfrentar os
efeitos da seca no dia a dia, fortalecendo sobretudo a estrutura hídrica”,
assinalou ministro da Previdência Social. Segundo ele, este trabalho o DNOCS tem
feito a duras penas com restrições orçamentárias ao longo dos anos, mas o seu
compromisso tem sido cumprido. O ministro lembrou que o DNOCS e a Sudene fizeram
parte de uma iniciativa do governo nos anos 60 para fazer face a uma
revitalização do planejamento de ações em favor do Nordeste.
Miguel Ivan Lacerda de Oliveira afirmou que é sabedoria reconhecer o que
representa um órgão de 100 anos, e assinalou que o momento reproduz a grande
metáfora do novo e o antigo. Para o secretário nacional de Irrigação, que na
solenidade representou o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, “o
novo é capaz, mas só trabalha bem com a experiência”, observou, ao destacar a
importância do DNOCS para o desenvolvimento do país.
Ao citar a contribuição dos servidores e da diretoria, Miguel de Oliveira
destacou que Emerson Daniel entrega resultados .“Como técnico, digo que é um
ganho para a instituição, porque vejo a seriedade como as coisas andam”,
acrescentou o secretário de Irrigação.
“O DNOCS tem parte importante na minha vida”, declarou Rosalba Ciarlini ao
lembrar que o seu avô, engenheiro especialista na questão da água, veio para o
Brasil para trabalhar no órgão. A governadora ressaltou o sentimento de valor
que representa o Departamento para a região semiárida. Segundo ela os técnicos e
trabalhadores do DNOCS são “a raiz do coração mais profundo fincada nesse solo
sagrado”. A história do Departamento está ligada ao objetivo da
sustentabilidade, avaliou.
Rosalba Ciarlini observou que o Rio Grande do Norte atravessa a maior seca
dos últimos 100 anos, tem 92% do seu território no semiárido e enfrenta a
situação de 74 cidades sem abastecimento de água. “Este é o nosso clima. No
futuro vamos ter seca, sim”, ela constatou. A governadora defendeu a necessidade
de água não só para beber como para produzir. “Mesmo com seca, podemos produzir
e ter vida de qualidade. É fundamental que sejam continuadas as obras
estruturantes”, assinalou, ao pleitear a liberação mais rápida de recursos do
PAC Seca.
José Eduardo Alves Wanderley avaliou que o DNOCS é o órgão federal mais
importante para o Rio Grande do Norte, por ter dado origem a cidades como Caicó,
Cruzeta e Pau dos Ferros. Sem a contribuição do DNOCS, para ele, o estado seria
talvez metade do que é hoje.
O coordenador estadual enfatizou que sem a contribuição do ex-diretor geral
do DNOCS, Elias Fernandes, a inauguração na nova sede da Coordenadoria em Natal
não estaria acontecendo, pois foi quem pensou em colocar a sede do órgão na
Estação Central ferroviária. “O prédio é do tamanho da história do DNOCS”,
assinalou, ao considerar que o DNOCS vai soerguer o nome e continuar a história.
José Eduardo Wanderley homenageou alguns funcionários que nominou por
trabalharem mais do que é pedido e do que é preciso.