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DNOCS e o século XXI
Elias Fernandes - diretor geral do Dnocs
O Dnocs, convidado para a Conferência Mundial do Clima, em Copenhague, em 2009,
apresentou aos participantes do evento a experiência adquirida em 100 anos de
trabalho na viabilização da sobrevivência do homem em uma região inóspita
através da construção de barragens, perímetros irrigados, estímulo a
agropecuária e a piscicultura, dentre outros. A qualificação de técnicos e
servidores do órgão foi motivo de orgulho para todos os brasileiros. Indagado
sobre como foi possível manter mais de 30 milhões de pessoas vivendo em uma
região seca, de solo desfavorável, a resposta veio com o acervo de realizações
do Dnocs na implantação da infraestrutura hídrica na região.
Em 101 anos, o Dnocs construiu 327 barragens, em 10 estados brasileiros. Quase
30 bilhões de m3 de água acumulados, além de 622 reservatórios construídos em
cooperação. Os mais de 120 mil hectares dos perímetros irrigados recebem água
dos açudes, que molha a terra e faz brotar plantas e frutos, mudando a paisagem.
É renda para o produtor, receita no comércio e alimento na mesa das famílias. O
Ceará é o maior produtor de Tilápia do Brasil, com 30 mil t/ano, gerando emprego
e renda para os mais pobres. A receita da produção a partir de alevinos também
gera negócios fora do país com as exportações da pele de tilápia, no formato de
sandálias, bolsas e casacos cheios de estilo. Em 101 anos, o Dnocs aplicou no
semiárido brasileiro o equivalente a 20 bilhões de dólares, cerca de R$ 38 bilhões.
O PAC, que está permitindo ao Dnocs investir R$ 2 bilhões em 14 obras de
infraestrutura, mostra a importância do órgão. O bom desempenho na aplicação dos
recursos fez o departamento ter outros empreendimentos incluídos no PAC II,
entre eles: a conclusão das segundas etapas dos projetos Tabuleiros de S.
Bernardo (MA), Tabuleiros Litorâneos e Platôs de Guadalupe (PI), Baixo Acaraú,
Tabuleiros de Russas e Araras Norte (CE), Santa Cruz do Apodi (RN), além das
barragens Congonhas (MG), Oiticica (RN) e Fronteiras no Ceará. Em 2010, o Dnocs
realizou um feito esperado há 40 anos: concurso público. 97 servidores passaram
a integrar o quadro funcional do departamento. Na sede do órgão a biblioteca foi
modernizada, com recuperação do acervo histórico. A Flora Brasiliensis, presente
do imperador da Áustria a dom Pedro I, foi restaurada. Dezenas de livros
técnicos foram publicados.
O presidente Lula, até o final deste ano, vai poder entregar aos nordestinos
novas obras hídricas para reforçar a reserva de água nordestina. O açude
Taquara, no norte cearense, com capacidade para acumular 320 milhões de m3 de
água e o Figueiredo, no vale jaguaribano, que vai acumular 519 milhões de m3.
Também foi concluída a Barragem Piaus no Piauí e adutoras na Paraíba e no oeste
de Pernambuco. O Dnocs está presente também no projeto de Transposição das Águas
do Rio São Francisco e pretende se credenciar para ser o gestor do projeto,
fundamental para assegurar água suficiente para garantir o abastecimento da
população e a consolidação de projetos de infraestrutura no nordeste. Extinto do
governo FHC e ressuscitado pela bancada nordestina, o Dnocs recebeu injeção
financeira e os funcionários pugnaram pelo sucesso. O órgão que ensinou milhares
de pessoas a conviver com a estiagem e com o clima instável do semiárido tem
novo desafio: ajudar o país a lutar pela preservação ambiental. É o Dnocs do
século XXI.
OBS: Artigo publicado no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza-CE.