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Perímetro Jaguaribe Apodi não tem sistema de drenagem pluvial
Associação de produtores se mobiliza para recuperar a produção
O perímetro de irrigação Jaguaribe Apodi, em Limoeiro do Norte,
construído pelo extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento
(DNOS) não tem sistema de drenagem. Este foi o maior problema
encontrado na avaliação técnica do DNOCS, ao qual hoje está vinculado.
Uma chuvas de 100 milímetros produz um volume de 5 milhões de metros
cúbicos, que corresponde a um açude médio, comparou o engenheiro
Cicero Filho, ao visitar o perímetro na sexta-feira (22 de maio).
O técnico do DNOCS conta que, no seu relatório, vai recomendar a
abertura de 48 Km de drenos e a recuperação das estradas vicinais. O
coordenador da Federação das Associações do Perímetro Irrigado
Jaguaribe Apodi (Fapija), Raimundo César dos Santos, informa que numa
emergência para drenar a água acumulada dentro das plantações colocou
quatro escavadeiras que trabalharam cerca de 800 horas, das quais 50
doadas pela prefeitura de Limoeiro do Norte.
O produtor Antonio Wellington Ferreira Lima foi pego de surpresa pela
alagação dos 12 hectares de banana plantados, ora em fase de colheita
do primeiro cacho. Leva quatro dias para tirar 4 toneladas, o que
faria em um dia, e o peso do cacho caiu de 17 Kg para 15 Kg, ele
conta, ao contabilizar o prejuízo em R$ 30 mil, sem incluir o custo da
aplicação de adubo para colher o segundo cacho.
Dos 922,25 hectares plantados de banana, foram atingidos pela cheia
719,25 hectares, que somariam prejuízo total de R$ 13,77 milhões caso
não fossem drenadas as águas, estima o coordenador da Fapija. O
perímetro tem 20,45 hectares de goiaba comprometidos pela alagação;
16,15 hectares de ata; 182,25 hectares de sorgo; 81,5 hectares de soja
e 97,5 hectares de milho, contabiliza Raimundo César, que estima o
prejuízo total em R$ 15 milhões caso não fossem adotadas providências.
O perímetro tem cerca de 5 mil hectares, dos quais 750 com pivôs
que no inverno ficam parados, à espera da estiagem. "Se plantar na
chuva perde", diz o coordenador da Fapija, dando como exemplo o que
ocorreu este ano com áreas de soja, sorgo e milho, inundadas pela água
que ficou acumulada no solo sem escoamento.
De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos
(Funceme), em Limoeiro do Norte, as chuvas acumuladas no período de 1
a 26 de maio totalizam 205,2 mm, o equivalente a 168,9% acima da média
histórica que é de 76,3, de acordo com o medidos do sítio Malhada. A
visita técnica ao perímetro Jaguaribe Apodi ocorreu no dia 22, e no
dia 21 ao perímetro irrigado Morada Nova.
Conforme a Funceme, no mesmo período em Morada Nova foram registradas
chuvas de 207,2 mm, o equivalente a 145,1% acima da média histórica no
município, que é de 84,5%. Tanto em Morada Nova como em Limoeiro do
Norte foi decretado estado de emergência pela Prefeitura e Defesa Civil.