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Perímetro Baixo Acaraú vai atrair indústria de polpa para sucos de frutas
O perímetro de irrigação Baixo Acaraú, do Dnocs, vai receber o reforço
de uma indústria do grupo Arbeit, com tem três fábricas de sucos em
São Paulo, para a produção de polpa de mamão, abacaxi, caju, goiaba,
acerola e maracujá. O controlador da empresa, Oscar Müller, disse na
sexta-feira, ao visitar o projeto, que pensa em fazer a unidade de
processamento para reduzir o custo de aquisição de polpa e que
pretende investir na aquisição de 200 a 500 hectares no perímetro.
Oscar Müller disse estar interessado em firmar contrato com o
produtor. "O que ele produzir, a gente compra", afirmou. Em 2008, o
Baixo Acaraú produziu R$ 9,4 milhões com fruticultura. Do total, R$
2,4 milhões são gerados pela banana; R$ 1,4 milhão pela melancia e R$
1,26 milhão pelo mamão; 1 milhão pelo milho em espiga, além de outras
24 culturas.
Para Antonio dos Santos, de um grupo de nove produtores que plantou 40
hectares de goiaba – em abril já começa a poda de produção -, o
empreendimento abre um leque na ocupação do projeto, que tinha como
preocupação atrair uma indústria. "Fico torcendo para que seu trabalho
dê certo", disse ele ao investidor paulista no auditório do perímetro.
Hoje, estão em produção 31% dos lotes do Baixo Acaraú, que tem área
irrigável de 8.426 hectares implantados na primeira etapa. Foi
iniciada em abril a implantação da segunda etapa do perímetro, já
executada em 10,36% da programação que prevê investimento de R$ 102
milhões até julho de 2010, disse Cristina Peleteiro, diretora de
Infraestrutura Hídrica do Dnocs, que acompanhou a visita com o diretor
de Desenvolvimento Tecnológico e Produção, Felipe Cordeiro.
Os lotes empresariais da segunda etapa serão licitados em parceria com
a Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), disse o diretor-geral
do Dnocs, Elias Fernandes. O presidente da Adece, Antonio Balhmann,
assegurou a Müller que o governo do estado dará toda a infra-estrutura
à indústria de polpa e incentivo fiscal para que tenha competitividade
fora do Ceará.
O investidor veio ao Ceará a convite do deputado Anibal Gomes, que
disse ter solicitado ao governador Cid Gomes um laboratório para
realizar no Baixo Acaraú a análise foliar hoje feita em São Paulo para
determinar a necessidade de nutrientes das plantas. O parlamentar
pediu também uma pista de pouso de aviões pequenos na região do
perímetro – os municípios de Acaraú, Marco e Bela Cruz. Segundo ele,
Cid autorizou o Instituto Centec para que levantasse os custos do
laboratório para análise foliar.
O presidente da Adece disse que a pista de pouso é útil para deslocar
empresários de Fortaleza para o perímetro e o laboratório para evitar
a dependência da análise foliar fora do Ceará. O grupo Arbeit tem
negócios nas áreas de energia, construção civil e indústria.
"Fiquei impressionado: é o melhor projeto de irrigação que já vi",
disse Oscar Müller. "Gostei do modelo da gerência independente do
Estado a cargo da organização dos próprios produtores do Distrito de
Irrigação. O perímetro tem controle fitossanitário. O produto tem
garantia de origem - é isento de doenças. Não conheço nenhum projeto
que tenha isso", afirmou.
Com 3.872 hectares, os pequenos produtores são donos de 478 lotes da
primeira etapa do projeto. Mais 91 hectares são de profissionais de
ciências agrárias e 3.248 hectares de 54 empresários. Para a segunda
etapa, estão previstos 2.520 hectares para 315 pequenos produtores;
608 hectares para 315 profissionais de ciências agrárias e 1.040
hectares para 13 empresas.