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Técnicos do DNOCS participam de seminário sobre mudanças climáticas
Os técnicos do Dnocs, Raquel Cristina Vieira Pontes, José Alberto de Almeida,
Adbeel Goes Filho e Josimeuba Josino Soares que participam do II Seminário sobre
Mudanças Climáticas: Implicações para o Nordeste, no Centro de Treinamento
Passaré, do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), em Fortaleza, relatam que a
diminuição da disponibilidade hídrica, será a principal consequência das
mudanças climáticas para o Nordeste brasileiro,
região de maior vulnerabilidade no país às alterações do clima.
De acordo com Raquel Pontes, o climatologista Paulo Nobre, do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), afirmou por ocasião da abertura do
seminário (24), mesmo que os modelos climáticos atuais ainda não sejam
confiáveis sobre o nível de precipitações, apenas o aumento de temperatura já é
suficiente para causar impacto à quantidade de chuvas na região.
Entre os impactos previstos para o Nordeste, disse a técnica, estão o aumento da
erosão, a redução da recarga da água superficial, o aumento no número de dias
secos, de ondas de calor e noites quentes. Para Paulo Nobre, do Inpe, “Será
preciso aumentar nossa competência para estudar e entender esses fenômenos, para
termos bases de dados confiáveis para nos planejarmos”. Conforme o
climatologista, todas as regiões tropicais são muito vulneráveis às mudanças
climáticas por terem temperaturas mais altas. Qualquer aumento de temperatura
nestes locais implica em maior demanda de água, o que é um grande problema para
uma região já com deficiência hídrica como o Nordeste brasileiro e com problemas
de desertificação. “A agricultura da maneira como é feita hoje, ficará
inviabilizada, por conta disso, é preciso pensar em outras alternativas
econômicas para a região, como a produção tecnológica”, salientou Paulo Nobre.
A importância do planejamento para adaptação nesta região do país é urgente não
apenas por sua vulnerabilidade climática, mas também pela vulnerabilidade
econômica do Nordeste, região onde o Produto Interno Bruto (PIB) nunca
ultrapassou o índice do restante do País, segundo mostrou o economista da
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Gustavo Maia Gomes. Disse também que
fatores como o aumento certo de temperatura, além da probabilidade de eventos
extremos, como maiores períodos de seca e verânicos, podem mais uma vez inverter
a tendência, leve, porém contínua, desde o início dos anos 90, de
desenvolvimento na região. Segundo ele, apesar de uma diminuição dos
investimentos públicos neste período, há indícios de retomada desses
investimentos, principalmente através do Plano de Aceleração do Crescimento
(PAC), que destinou à região 25% de seus recursos para grandes projetos de
infra-estrutura, além de investimentos privados, ligados ao turismo,
infra-estrutura e exportação.
As pesquisas necessárias que deverão estar entre as recomendações do seminário,
segundo Raquel Pontes, devem contar com o apoio do BNB, Embaixada do Reino
Unido, Fundação Esquel Brasil, Instituto Interamericano de Cooperação para a
Agricultura( IICA) e Centro de Gestão de Estudos Estratégicos.
O seminário é promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, conta com a
participação de 50 especialistas em semi-árido, entre cientistas, técnicos de
governo, especialistas em clima e desenvolvimento regional, onde discutem até
hoje (26), medidas de mitigação e adaptação da região Nordeste às mudanças
climáticas, sobretudo nas áreas sujeitas à desertificação.
As recomendações desses especialistas deverão dar origem a um documento com um
balanço sobre o que diz a ciência sobre mudanças climáticas no Nordeste, a
vulnerabilidade e possíveis impactos e recomendações de políticas públicas para
solução do problema. O documento será entregue oficialmente às autoridades
logo após o seminário, no mesmo dia 26, durante a I Conferência Regional sobre
Mudanças Climáticas: Implicações para o Nordeste, que contará com a presença do
ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc e representando o diretor-geral do DNOCS,
Elias Fernandes, estará o coordenador de planejamento e gestão estratégica, José
Alberto de Almeida.