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1 SEMANA DO BRASIL NA EXPO 2008
Presidente do DNOCS faz apresentação em comemoração aos 100 anos do órgão.
O Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), do Ministério de
Integração Nacional, comemora 100 anos. Parte da comemoração deste centenário
foi na Semana do Brasil na Tribuna da Água, onde o presidente da instituição,
Elias Fernandes Neto, fez, nesta terça-feira, a palestra "DNOCS 100 anos
construindo a segurança hídrica no semi-árido brasileiro".
Neto contou a história da seca no Nordeste e as ações governamentais, que
começaram no Segundo Império. "Hoje, completando 100 anos, o DNOCS se coloca
como um importante ativo governamental capacitado para desenvolver ações
definidas pela Política Nacional de Desenvolvimento Regional, pela Política
Nacional de Recursos Hídricos, pela Política Nacional de Irrigação e pelo
Programa de Ação Nacional e Combate à Desertificação".
Ele também destacou que o órgão avança nas pesquisas e nas ações de fomento à
aqüicultura em águas interiores inclusive no trabalho de melhoramento genético e
recuperação de espécies em processos de extinção. "A partir do início do governo
do Presidente Lula, novos programas são estruturados e outros já existentes
recebem uma maior ênfase. Registramos nessa linha o Programa Conviver
(Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Semi-árido)".
A palestra mostrou ao público como a seca vem influenciando a economia e vida
das famílias na região do semi-árido. "Com a seca, se desorganizam o comércio e
a economia, acarretando a concentração de rendas e o aumento do número de
pessoas pobres. O êxodo rural decorrente contribui para a desorganização
fundiária. Intuiu-se, pois, ao final do século XIX, que o principal remédio
contra os efeitos danosos das secas se daria pelo aumento dos estoques d'água e
pela educação do povo", contou o presidente do DNOCS.
Depois da apresentação do presidente, foi apresentado um vídeo também sobre os
100 anos do DNOCS.
Leia algumas partes da palestra:
"As chuvas, no semi-árido brasileiro, geralmente ocorrem entre janeiro e julho,
período pluvioso que os nordestinos denominam de "inverno", seqüenciado por
outro período - o "verão" - no qual não ocorrem precipitações pluviométricas.
Quando, por capricho da natureza, as chuvas deixam de cair, ou se precipitam
irregular e/ou esporadicamente, no período invernoso, de modo atemporal com
fases do ciclo vegetativo das plantas, nativas e cultivadas, assistem os
nordestinos o que denominam de "seca", que pode perdurar por um único ano, ou
pode ter duração plurianual. A escassez d'água ao longo da seca flagela o
sertanejo acometido pela fome, advinda com o aborto das safras, o esgotamento
dos estoques da safra anterior, a dizimação dos rebanhos de animais".
"Observemos que, no Nordeste, a fome só se instalava no exato intervalo do tempo
de duração das secas, pois, fora dos limites deste intervalo, a produção
agrícola era suficiente para atender a demanda da população nordestina ainda
pouco numerosa. Daí porque, no receituário preconizado à época para o combate às
secas, não entravam em linha de conta, medidas para aumentar a produção e as
produtividades agrícolas. O entendimento dominante era o de acumular água para
assegurar a vida das populações e dos rebanhos, tornando-se a política de
acumulação, caldo de cultura das aspirações dos sertanejos e das oligarquias que
os dominavam. A construção do Açude Cedro, iniciada em 1884 e paralisada em
1886, foi o primeiro resultado prático dessa política".
"Outras secas ocorreram, no final do 2° Império e no tempo da nascente República
(1888-89, 1900). Foram criadas, naquela época, várias "Comissões Técnicas", de
intermitente duração, para cuidar da açudagem, objetivando, também, utilizar
águas para irrigar. Mas, a irrigação não prosperou, tanto pela falta de
instrução e educação dos nossos camponeses, como pelo caráter da formação
sócio-econômica nordestina, herdado dos tempos coloniais, cristalizado pelas
elites despreparadas, adensadas em núcleos oligárquicos. O aumento da população
com crescentes taxas anuais de incremento implicou em que o Governo da
República, à época da presidência Nilo Peçanha, criasse a Inspetoria de Obras
Contra as Secas - IOCS".
"A chamada agroecologia tem seus alicerces fincados nessa fase, mercê do
trabalho de figuras como José Augusto Trindade, Guimarães Duque, Bastos Tigre,
dentre outros. Emergia a proposta de encontrar soluções mediante o
aproveitamento racional dos recursos naturais e humanos com vistas à sua
adequação ao meio e objetivando melhor rendimento e produtividade, melhor
distribuição da renda, e participação. Em dezembro de 1945 é promovida a
reformulação da IFOCS, transformando-a em Departamento Nacional de Obras Contra
as Secas - DNOCS, inserindo em sua nova estrutura, o Serviço Agro-Industrial e o
Serviço de Piscicultura".
"Com o advento do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, o DNOCS, sem
descurar das suas diversas ações desenvolvidas na escala do local, recebe a
responsabilidade de executar 12 obras estruturantes e de grande vulto.
Paralelamente, busca se qualificar para ampliar as suas ações dentro do Projeto
de Integração do São Francisco ao Nordeste Setentrional".
OBS: Esta matéria está de acordo com a original veiculada pelo setor de imprensa
da Expo 2008.