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Projeto de Integração do Rio São Francisco: A importância de um projeto de engenharia social
Elias Fernandes Neto - Engenheiro Civil - Diretor
Geral do Dnocs.
Nos últimos cinco anos, muito se tem dito sobre o Projeto de Integração do Rio
São Francisco. Hoje, muitos dos aspectos do projeto, devido a numerosos debates,
se encontram bem esclarecidos. A compreensão do alcance global dos objetivos
finalísticos, porém, diminuiu. Há muita desinformação. Ser contra ou a favor,
pura e simplesmente, é patentear o desconhecimento da questão substantiva - a
escassez da água na região.
A população do semi-árido, sobretudo o do nordeste setentrional, e os estudiosos
e especialistas do tema sabem que a convivência com o meio-ambiente da região
passa, sem dúvida, pela segurança hídrica continuada. Há dependência da regular
oferta d'água, que garanta o abastecimento humano, a dessedentação dos animais e
a produção de alimentos e, impeça o avanço da desertificação.
Em todos os debates, valorizam-se, somente, pontos de vistas antagônicos. Os
debatedores não se dão conta dos ruídos de comunicação e da desinformação que
lançam no seio da população em geral, sobretudo, da população diretamente
beneficiada pelo projeto.
Por exemplo, pouco se divulga que menos de 2% da vazão do São Francisco será
aduzida para os canais. E mais, hoje esse volume de água vem sendo lançado ao
mar. E não irá representar nenhuma diminuição de oferta d'água para os moradores
da população das bacias doadoras.
Outro aspecto importante, pouco divulgado, refere-se ao sistema de bombeamento
de água para os canais da interligação de bacias, que só irá ocorrer nos
períodos de carência hídrica, ou seja, nas irregularidades do ciclo hidrológico
do semi-árido. Não haverá bombeamento contínuo ao longo do ano.
Pouco se fala sobre a situação atual do Rio Jaguaribe, do estado do Ceará,
considerado o maior rio seco do mundo. O Rio, com mais de 600 km de extensão,
está renascendo com a perenização decorrente da construção de barragens, como o
Castanhão, Orós e Banabuiú e com a adoção de medidas de revitalização e
preservação ambiental ao longo do seu curso.
Portanto, o grande objetivo do Projeto de Integração do Rio São Francisco será,
- além da garantia da segurança hídrica para a região, a promoção da integração
das diversas regiões do Brasil, para diminuir as desigualdades regionais, criar
oportunidades de ocupação e renda e recuperar as condições de equilíbrio do
eco-sistema do semi-árido.
A importância do Projeto de Integração do Rio São Francisco, particularmente
para o Ceará, está na oferta regular dos recursos hídricos, capaz de garantir o
abastecimento d'água de toda a região metropolitana de Fortaleza, beneficiando
3,5 milhões de habitantes, bem como de assegurar o suporte hídrico necessário
para viabilizar a sustentabilidade das atividades econômicas instaladas ou a
instalar nas principais regiões do Estado e de atrair novos investimentos para
as atividades hidro-piscico-agrícola.
Doravante, o Projeto de Integração do Rio São Francisco precisa ser debatido,
definitivamente, sob o ponto de vista da sua mais ampla concepção, ou seja, da
engenharia social com foco na segurança hídrica, alimentar, de sustentabilidade
econômica e social e com conteúdo de estratégias de desenvolvimento regional,
com manejo sustentável dos recursos naturais em padrões de segurança eficientes,
no balanceamento equilibrado das disponibilidades e necessidades entre bacias
superavitárias e deficitárias dos recursos hídricos na região do semi-árido.
Incentivar, democrática e responsavelmente, os debates junto aos diversos
segmentos da sociedade, para uma ampla compreensão destes objetivos,
constitui-se hoje no maior desafio para todos que se preocupam com as atuais e
futuras gerações. Por uma questão de justiça social e de solidariedade humana, é
impossível imaginar qualquer cenário atual ou futuro para a população do
semi-árido, sobretudo para o nordeste setentrional, sem o Projeto de Integração
do Rio São Francisco.