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Extremos climáticos
Editorial
Quando se fala em mudança climática, aquecimento global e emissão de gases poluentes, normalmente, o assunto não costuma edificar a repercussão merecida na sociedade por conta do afastamento das consequências que muitos não vislumbram dentro de sua realidade local. Um estudo que traça diagnósticos sobre os impactos dessa perigosa transformação no litoral cearense e nordestino ilustra de maneira mais prática a gravidade da questão, podendo as constatações deste evocar a atenção de todos para a magnitude do problema.
O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), por meio de uma pesquisa que analisa o impacto, a vulnerabilidade e a adaptação das cidades costeiras em decorrência de alterações no clima, afirma que, nas localidades litorâneas, já se identificam as sequelas do evento. E mais: projeta que a população cearense deverá encarar períodos cada vez mais quentes e secos.
Uma vez que o aquecimento global siga em aceleração, os cientistas destacam que fenômenos extremos, como ressaca do mar e estiagem, serão gradativamente mais comuns na Região, questão deveras preocupante. Ciclo após ciclo, o Ceará sofre de forma aguda com a escassez ou a má distribuição das precipitações pluviais, o que influencia diretamente a vida de milhões de habitantes e breca o desenvolvimento econômico e social.
Se tais intempéries se tornarem ainda mais frequentes e avassaladoras, os efeitos negativos para o Estado são imensuráveis. Como ainda não está claro se o mundo conseguirá reduzir a propagação de gases do efeito estufa, fica evidente que Ceará e os estados contíguos necessitam de planos que os deixem preparados para as ocorrências da natureza.
O governo estadual prepara metas para reduzir a ejeção dos gases poluentes, em consonância com os objetivos da Organização das Nações Unidas (ONU), para contribuir, ainda que em escala muito restrita, com a batalha contra o aquecimento. Conforme o Observatório do Clima, em 2015, o Ceará lançou à atmosfera 29 milhões de toneladas dessas substâncias degradantes, em torno de 50% a mais do que em 2005. O volume é bem menos expressivo do que o apresentado por outras unidades da Federação e menor ainda quando se considera a gigantesca emissão gerada por outras nações, mas é necessário que cada instância, por menor que seja, faça sua parte.
À disposição do Estado, estão fontes abundantes de energia renovável, dos ventos e do sol. Estas matrizes podem constituir o futuro energético das próximas gerações, e o Ceará goza de condições para ser um dos líderes no segmento. Falta, é claro, baratear a tecnologia para massificar a produção limpa.
Com o tempo, a tendência é que as matrizes eólica e solar se tornem mais acessíveis para empresas e até mesmo para o consumidor residencial, o que desafogaria as matrizes não renováveis. A anunciada saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris enfraqueceu a empreitada de frear o aquecimento global, mas, de modo geral, as demais nações estão engajadas para enfrentar o problema. É preciso abrir os olhos para o fato de que uma decisão tomada em Washington pode causar efeitos no litoral e sertão cearenses.
A questão climática é relevante para cada indivíduo e deve ser tratada e discutida de forma cada vez mais aprofundada. Relegá-la é entregar às próximas gerações um mundo pior.