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Centro de Pesquisas valoriza criação de animais aquáticos
A preservação e o cultivo de peixes e outros animais aquáticos são atividades que remontam aos primórdios da civilização chinesa. Existem relatos referentes ao antigo Egito e outros à Europa da Idade Média, com a ação dos monges católicos. No Brasil, elas têm nome, endereço e data de nascimento: DNOCS, Nordeste, 1932. Assim foi a abertura da palestra do técnico Pedro Eymard Campos Mesquita, chefe do Centro de Pesquisas em Aquicultura Rodolpho von thering, durante a II Conferência da Caatinga.
Segundo ele, a ideia de cultivar peixes corporificou-se na ação do ministro José Américo de Almeida, ao convidar Rodolpho von Ihering para chefiar a Comissão Técnica de Piscicultura do Nordeste.
O cientista gaúcho se fez acompanhar de outros denodados estudiosos que trabalharam incessantemente, estudando a biologia, os hábitos alimentares e as estratégias reprodutivas de praticamente todas as espécies de peixes de água doce que existem nesta região, além de terem desenvolvido o método de reprodução induzida de espécies reofílicas, como é o caso da hipofisação, hoje utilizado em todo o mundo.
Esses estudos levaram a ações estratégicas, entre as quais se destaca a implantação de estações de piscicultura, construídas nas proximidades das barragens, cujas funções principais são a preservação da biodiversidade nativa, a introdução e adaptação de espécies de outras regiões do Brasil e do exterior e a difusão de conhecimentos tecnológicos gerados ou adaptados nas unidades de pesquisa.
Em termos práticos, garante Pedro Eymard, todo nordestino medianamente informado sabe que, para povoar um açude com piaus, curimatãs, pescadas, tilápias, tambaquis, tucunarés, carpas, pirapitingas, sardinhas, camarões, etc, o caminho certo é a estação de piscicultura do DNOCS.
Pedro Eymard acrescentou que o DNOCS conta com um moderno laboratório de Genética Molecular, que gerencia um banco genético in vivo e in vitro de todas as espécies, controlando ainda seu grau de endogamia, conservando a variabilidade genética e impedindo sua degeneração.
A reintrodução do pirarucu, o gigante da Amazônia, agora com nova roupagem do cultivo comercial, em cativeiro foi falado pelo técnico. Experimentos no Centro de Pesquisas em Aquicultura de Pentecoste indicaram que o pirarucu atinge, em média, 10 kg em apenas 1 ano de vida. As estações de piscicultura deverão ser os postos avançados desta nova experiência, que será repassada aos produtores no decorrer do processo.
“É importante dizer que o patrimônio intangível e mais valioso do DNOCS é o imenso cabedal de conhecimentos desenvolvido por seu corpo técnico, que tem servido de embasamento para o desabrochar da aquicultura como atividade econômica, geradora de oportunidades para o povo nordestino”, afirma ele.
Pedro Eymard é um defensor do Órgão e de seus técnicos: “ este é um patrimônio que não pode ser descurado, urgindo sua renovação, com a injeção de sangue novo, garantindo assim a possibilidade de mais cento e oito anos de trabalho profícuo, inovador e sustentado.