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Bate-papo: Uma trajetória de dedicação no DNOCS
Neste mês de junho, em que é celebrado o Dia do Servidor Público Aposentado, o DNOCS destaca a história de uma mulher cuja trajetória é marcada por compromisso, carinho e uma forte ligação com a Autarquia.
Luciene Moura Fernandes, 67 anos, dedicou 38 anos de sua vida ao DNOCS, com atuação destacada na área de contabilidade. Desde sua aposentadoria, em 2019, ela continua sendo presença constante — nas lembranças dos colegas, nos corredores do prédio e na memória afetiva de quem teve o privilégio de conviver com ela.
A seguir, um bate-papo com Luciene, repleto de histórias, experiências e a essência de quem ajudou a construir a história do DNOCS.
Como foi sua trajetória no DNOCS?
Olha, foi uma jornada longa e intensa. Trabalhei quase 38 anos no DNOCS, e boa parte desse tempo foi no setor de contabilidade. Tive fases muito puxadas, principalmente quando estávamos com equipes pequenas. Eu dizia que ia trabalhar até os 75 anos... e quase fui! Era muito compromisso. Ainda me lembro do esforço para aprender o SEI, já quase me aposentando, fiz o curso em casa. Minha filha, que já era adulta, até escreveu um texto dizendo que eu tinha levado trabalho do DNOCS até o fim. E era verdade. Eu era muito comprometida.
Quais lembranças guarda com mais carinho?
Ah, são tantas! As festas de aniversário do DNOCS eram momentos marcantes — era a semana toda de comemorações, feira de projetos, apresentações culturais, o coral do Seminário (do qual eu fazia parte)... Era uma alegria só. Nós tínhamos até uniforme do coral! Era bonito de ver. Também guardo com carinho as amizades que construí. Tenho amigos que conheci ainda jovem, quando entrei, e que fazem parte da minha vida até hoje. O DNOCS era mais do que meu local de trabalho — era minha casa. Foi onde cresci, aprendi, vivi momentos que levarei comigo para sempre.
Como tem sido a vida após a aposentadoria?
Muito ativa, graças a Deus! Participo de vários projetos voltados para pessoas idosas. Faço pilates, hidroginástica, terapia ocupacional, estimulação cognitiva... E participo de dois clubes de leitura — um deles é facilitado por um colega do DNOCS. Estamos lendo até A Divina Comédia! Além disso, sou delegada de base do Sindicato dos Servidores Federais. Quase não paro em casa. Meu marido vive dizendo que antes, quando eu trabalhava, eu tinha mais tempo! Mas estar aposentada me permitiu redescobrir prazeres que o cansaço de anos de trabalho acabava adiando.
Você sente saudades do DNOCS?
Sinto sim, e muita. Sempre que posso, dou um pulo lá. Almoço com colegas, converso com o pessoal da Quitanda, encontro as meninas do quinto andar. Costumo dizer que saí do DNOCS, mas o DNOCS não saiu de mim. Voltar lá é como reencontrar uma parte importante de mim mesma. Minha irmã diz que pareço mais presente agora, mesmo aposentada, do que antes! Eu continuo ligada nos grupos, nas conversas, nos encontros.
Qual foi o maior desafio durante sua vida profissional?
Conciliar o volume de trabalho com a maternidade foi, sem dúvida, uma das partes mais difíceis. Minha filha, ainda criança, muitas vezes teve que lidar com minha ausência. Ela dizia que eu a troquei pelo DNOCS, e essa frase ficou marcada. Chegava tarde, cansada, mas ainda assim sentava pra corrigir as tarefas dela. Era uma rotina muito puxada. Mesmo com as dificuldades, nunca deixei de tentar ser mãe presente.
O que mais te surpreendeu na aposentadoria?
A variedade de coisas que existem pra gente fazer! Me surpreendi com o tanto de projetos interessantes que existem para pessoas da minha idade. Achei que ia descansar, mas acabei preenchendo meus dias com leitura, encontros, debates, cinema, atividades físicas... E o melhor: tudo isso ao lado de pessoas incríveis. Estou conhecendo lugares, lendo clássicos que sempre quis, e me redescobrindo como alguém cheia de curiosidade e vontade de viver.
Tem algum projeto recente que te deu orgulho?
Sim! Participei da Marcha das Margaridas em Brasília — uma marcha nacional de mulheres agricultoras que me emocionou muito. É um evento muito simbólico, de luta e de memória. Estar ali, com tantas mulheres fortes, foi transformador. Também me orgulho do grupo que debate a finitude da vida, algo ainda tabu na nossa cultura. Discutir isso com outras mulheres tem sido um exercício profundo de sensibilidade.
Você mencionou que gosta de viajar. Alguma viagem especial?
Ah, conhecer as cidades históricas de Minas Gerais foi um sonho realizado! Era um desejo antigo meu e do meu marido, e conseguimos fazer essa viagem no ano passado. E temos planos de ir à Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato. Também já fomos para Petrolina e Juazeiro. Viajar se tornou nosso projeto de vida. Não precisa ser longe — o importante é ir, ver, viver.
Qual conselho daria para quem está perto de se aposentar?
Planeje-se, sim, mas não tenha medo. A aposentadoria pode ser libertadora. Não significa parar — significa recomeçar com mais liberdade. Busque projetos, vá atrás dos seus interesses, cultive suas amizades. A vida continua, e pode ser ainda mais rica.
Se pudesse voltar no tempo, escolheria o DNOCS de novo?
Com toda certeza. O DNOCS foi o lugar onde cresci, aprendi, amadureci. Se eu fosse jovem de novo, começaria tudo outra vez ali. Acolhedor, desafiador, cheio de vida. Tenho orgulho de ter feito parte dessa história.
Gostou do bate-papo?
Luciene Moura Fernandes participou com brilho do nosso Bate-papo, nesta edição um espaço de memória e reconhecimento. Com ela, o “Bate-papo com Aposentado” traz leveza, emoção e muita inspiração. Que venham os próximos!