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Ministério da Saúde debate novas orientações para o tratamento da hepatite C em webinar
Nesta semana, foi realizado o webinar “Orientações sobre as Diretrizes de Tratamento da hepatite C conforme Nota Técnica nº. 280/2023”. Realizada pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, a ação teve o objetivo de evidenciar as orientações da referida Nota que, entre outras estratégias, atualiza os medicamentos disponíveis e esquemas terapêuticos para o tratamento da hepatite C no âmbito do SUS.
Voltado aos profissionais, gestores e demais profissionais de saúde que atuam com a temática de hepatites virais, o evento abordou as novas recomendações de monitoramento de pessoas com infecção pelas hepatites. Os médicos infectologistas Mário Gonzalez e Carlos Alberto Almeida Junior, a médica hepatologista Rosângela Teixeira, o farmacêutico Bruno Pinheiro Santos, consultores técnicos da Coordenação-Geral de Vigilância do HIV, Aids e das Hepatites Virais (CGAHV/Dathi/SVSA/MS) foram os responsáveis pelas apresentações.
Segundo Carlos Alberto, três pontos foram determinantes para a atualização das diretrizes. O primeiro deles se refere à redução dos custos na aquisição dos medicamentos sofosbuvir e daclatasvir. O segundo, por sua vez, está relacionado à possibilidade de outras combinações terapêuticas com os novos medicamentos. O terceiro, por fim, está diretamente ligado ao compromisso do Dathi com a Agenda 2030, que é a eliminação das hepatites B e C no Brasil. Além destas questões, outros temas foram abordados, tais como: cura da hepatite C como objetivo; utilização de antivirais de diferentes classes; adoção de esquemas eficazes para qualquer genótipo; e rapidez no tratamento.
Como citado, o webinar foi proposto a partir de diretrizes apontadas em Nota Técnica. O documento destaca temáticas como o retratamento da hepatite C, a recomendação de uma estratégia simplificada de estadiamento hepático, ou seja, a definição do grau de fibrose da doença hepática, que passa a contar com um novo escore laboratorial. Com as atualizações do tratamento, o manejo clínico da hepatite C passa a ser sumarizado e a disponibilidade da genotipagem é reafirmada.
A realização do evento ocorreu às vésperas do prazo definido - 1º de fevereiro de 2024 - para que toda a rede SUS adote as orientações contidas na Nota
Técnica para a solicitação dos medicamentos por meio do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom hepatites).
Publicado relatório da certificação da eliminação da transmissão vertical de HIV e sífilis em 2022 e 2023
O Ministério da Saúde publicou esta semana o Relatório Técnico da Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical de HIV e/ou Sífilis nos Estados e Municípios Brasileiros – 2022 e 2023. O objetivo da publicação é estimular o alcance das metas de eliminação da transmissão vertical dessas infecções, divulgando os municípios e Unidades Federativas que foram certificados nesses dois anos.
Para a coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis (Cgist) do Ministério da Saúde, Pâmela Gaspar, o processo de certificação reforça o compromisso brasileiro com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Seguimos no caminho para a eliminação das infecções transmitidas verticalmente no nosso país. Com o Programa Brasil Saudável, estamos unindo forças com municípios, estados e demais parcerias importantes para alcançar esses objetivos até 2030”.
Desde 2017, o Ministério da Saúde tem usado a estratégia da certificação subnacional da eliminação da transmissão vertical e concessão de selos de boas práticas rumo à eliminação da transmissão vertical, adaptada de iniciativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
O Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis publicou este ano um novo Guia e seu Suplemento com diretrizes adequadas à realidade brasileira para orientar os estados e municípios brasileiros com 100 mil habitantes ou mais no processo de certificação. Até o momento, 110 municípios e quatro foram certificados para a eliminação e/ou selos de boas práticas rumo à eliminação da transmissão vertical de HIV e/ou sífilis.
Neste ano, a certificação para eliminação da transmissão vertical de Hepatite B foi inserida ao processo de certificação. No dia 29 de novembro ocorrerá, em Brasília, a Cerimônia em que mais estados e municípios serão certificados por atingirem a eliminação e/ou selo de boas práticas rumo à eliminação da transmissão vertical de HIV, sífilis e/ou Hepatite B. No próximo ano, planeja-se a integração da certificação da eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas e do HTLV.
Lorany Silva
Ministério da Saúde
Países dialogam sobre desafios e progressos no alcance das metas 95-95-95 do Unaids
Com o objetivo de eliminar a aids como problema de saúde pública no mundo, o Brasil está entre os países signatários das metas 95-95-95 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids). Essas metas significam ter 95% das pessoas vivendo com HIV diagnosticadas; destas, 95% em tratamento; e das pessoas em tratamento, 95% com carga viral em supressão. O progresso e os desafios dos países no alcance desses objetivos, foi tema da mesa “Antes do tempo! Alcançar as metas para 2025” durante a 25ª Conferência Internacional de Aids realizada na última semana em Munique, na Alemanha.
O diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde (Dathi/MS), Draurio Barreira, mediou a mesa e abordou o cenário brasileiro. “No Brasil, perdermos quatro anos para o alcance das metas 95-95-95 devido a um governo conservador e que não acreditava na ciência. Mas estamos novamente no caminho e, com o Programa Brasil Saudável, acredito que iremos atingir nossos objetivos”.
Durante a sessão, representantes de diversos países destacaram o papel dos determinantes sociais como barreiras ao cuidado de pessoas vivendo com HIV ou aids. Murugesan Sivasubramanian, diretor de operações da Humsafar Trust – organização não governamental que promove os direitos LGBT –, abordou as chamadas metas 10-10-10. Ou seja, reduzir para menos de 10% o número de mulheres e outras pessoas vivendo com HIV que experimentam desigualdades e violências baseadas em gênero; garantir que menos de 10% dos países tenham ambientes legais e políticos restritivos, que negam ou limitam acesso aos serviços de HIV; e garantir que menos de 10% das pessoas que vivem ou convivem com o HIV sofram estigma e discriminação. “Se as pessoas são criminalizadas por sua sexualidade, elas não terão acesso às ferramentas de prevenção ou tratamento para o HIV”, afirma Murugesan Sivasubramanian.
A médica infectologista Edwina Wright, do Hospital Alfred, na Austrália, exprimiu a perspectiva da iniciativa Fast-Track Cities como exemplo de direcionamento de prevenção ao HIV. De acordo com ela, aderir ao movimento é uma forma de as cidades conseguirem acelerar o processo para alcançar as metas 95-95-95. Já a diretora-executiva do Conselho Nacional de Controle de Doenças Sindêmicas do Quênia, Ruth Masha, informou que, embora o seu país, de forma geral, tenha alcançado as metas da OMS, populações específicas como crianças e homens ficam para trás, o que reforça a necessidade de redefinir as metas e integrar o apoio à saúde mental para abordar as desigualdades.
Por sua vez, a primeira ministra substituta da Saúde da República da Armênia, Lena Nanushyan, discorreu sobre a exacerbação de um conflito militar como principal causa de uma epidemia oculta de HIV no país. Segundo ela, a Armênia tem enfrentado problemas sociopolíticos e econômicos, que acarretam ônus no orçamento destinado à saúde e atrasam o alcance das metas planejadas.
Doença avançada pelo HIV
Também durante a Conferência, o responsável pela área de cuidado e qualidade de vida na Coordenação-Geral de HIV e Aids do Dathi, Ronaldo Hallal, participou da mesa “Desbloqueando soluções: como lidar com a complexidade da doença avançada por HIV a partir do uso de ferramentas inovadoras para melhorar a qualidade de vida”.
Na ocasião, Ronaldo Hallal informou que o Brasil teve recentemente um período de retrocesso na resposta programática e de invisibilidade de populações vulnerabilizadas ao HIV e à aids. Ele explicou que, atualmente, mais de 800 mil pessoas recebem tratamento antirretroviral. O coordenador também ressaltou o cuidado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que proporciona acesso universal aos antirretrovirais e ao tratamento de infecções oportunistas.
Lorany Silva, Angela Martinazzo e Ádria Albarado
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde vai investir R$ 40 milhões em pesquisas para a eliminação de infecções e doenças determinadas socialmente
Nesta quarta-feira (31), o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgaram a chamada pública com o objetivo de apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) que tenham como prioridade a saúde da população brasileira afetada por infecções e doenças determinadas socialmente. A iniciativa faz parte das ações do Programa do Governo Federal Brasil Saudável – Unir para cuidar.
Os interessados devem encaminhar as propostas até o dia 2 de setembro deste ano. O edital completo está disponível neste link e contempla as seguintes infecções e doenças: 1. doença de Chagas; 2. esquistossomose; 3. filariose; 4. geo-helmintíases; 5. hanseníase; 6. hepatites virais; 7. HIV; 8. aids; 9. HTLV; 10. malária; 11. oncocercose; 12. sífilis; 13. tracoma; 14. Tuberculose; e, a transmissão vertical de HTLV, sífilis, hepatite B e HIV.
As propostas devem estar inseridas nos eixos de pesquisa novas tecnologias para prevenção, diagnóstico e tratamento; novas tecnologias de vigilância em saúde e ambiente; materno infantil – infecções e doenças de transmissão vertical; e estudos sobre populações que compõem as políticas de equidade. As propostas aprovadas serão financiadas até o valor máximo de R$ 300 mil se tratar-se de estudo secundário e, até R$ 1,5 milhão se primário e original. Além disso, os projetos serão financiados com recursos no valor global de R$ 40 milhões, sendo R$ 8 milhões em capital e R$ 32 milhões em custeio e bolsas.
De acordo com Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde e membro do Comitê Interministerial para a Eliminação de Infecções e Doenças Determinadas Socialmente – que originou o Programa Brasil Saudável – a iniciativa é mais uma das grandes entregas do Programa. “Temos trabalhado fortemente para respostas integradas às infecções e doenças dentro do Ministério da Saúde, além da articulação aos demais Ministérios que integram o Comitê e o Programa, pois acreditamos que as entregas de ambos serão grandes legados deixados pela gestão”.
A ação é financiada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde. “Estamos avançando nas ações intersetoriais para a eliminação de infecções e doenças determinadas socialmente e como todas as ações do Governo Federal, nossa base é a ciência, por isso a importância do fomento”, afirma Carlos Augusto Grabois Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde/MS.
Para Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS, o incentivo vai contribuir diretamente para as ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e vigilância das infecções e doenças que estão sob a responsabilidade da SVSA. “Os eixos e as linhas de pesquisa da chamada estão diretamente relacionados aos desafios da Secretaria para a eliminação de problemas de saúde pública no Brasil. Com o trabalho integrado e articulado, com certeza nossa resposta será mais efetiva”, afirma.
A ministra da saúde, Nísia Trindade, reforça a atuação da pasta ministerial para o alcance das metas e objetivos do Brasil Saudável. “A eliminação das infecções e doenças determinadas socialmente é uma pauta do Governo Federal e o Ministério da Saúde é o grande mobilizador da agenda. Com esse investimento para fomento à pesquisa, reiteramos nosso compromisso com a eliminação dessas doenças enquanto problemas de saúde pública no Brasil até 2030”.
Ádria Albarado
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde destaca cursos para profissionais no combate à Tuberculose
Para ampliar as ações de atenção, tratamento e controle da Tuberculose, o Ministério da Saúde (MS), por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), destaca cursos voltados para os profissionais de saúde no combate à doença.
Os cursos estão disponíveis na plataforma da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) no Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS (AVASUS) e no Campus Virtual da Fiocruz.
Para participar, basta acessar os ambientes virtuais de aprendizagem e fazer o cadastro. Não é necessário passar por processo seletivo. Os cursos têm carga horária que varia de 8h a 90h.
Conheça as capacitações:
Manejo da Tuberculose na Atenção Primária à Saúde para:
- População com HIV - Carga horária: 9 horas
- População em Situação de Rua - Carga horária: 9 horas
- População Geral - Carga horária: 10 horas
- População Indígena - Carga horária: 9 horas
- População Privada de Liberdade - Carga horária: 8 horas
- Curso para o manejo da ILTB, TB e TB-HIV em todos os níveis de atenção à saúde - Carga horária: 90 horas
- Manejo da Coinfecção Tuberculose-HIV - Carga horária: 60 horas
- Proteção Social das pessoas em situação de vulnerabilidade social com Sífilis, HIV/AIDS, Hepatites Virais, Tuberculose ou Hanseníase - Carga horária: 60 horas
- Enfrentamento ao estigma e discriminação de populações em situação de vulnerabilidade nos serviços de saúde - Carga horária: 35 horas
Ministério da Saúde
Tosse, febre e suor noturno: saiba como identificar a tuberculose
Caracterizada por ser uma doença com transmissão por vias aéreas, a tuberculose apresenta uma particularidade que poucas pessoas conhecem: ela pode aparecer em qualquer órgão ou sistema do corpo, como cérebro, rins, ossos e até pele. Apesar disso, a forma mais comum é a pulmonar, transmissível de uma pessoa para outra.
Sabe-se que a bactéria causadora da tuberculose pode permanecer no ambiente por um longo período, ainda mais quando o domicílio não é arejado. Por essa razão, ambientes ventilados e com luz natural direta diminuem o risco de transmissão. A etiqueta da tosse – cobrir a boca com o antebraço ou lenço descartável ao tossir – também é uma medida importante a ser considerada.
O diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, explica a importância da rápida identificação dos sinais e sintomas da tuberculose para interromper a cadeia de transmissão.
“As pessoas, muitas vezes, não conhecem a tuberculose, imaginam que é uma doença do passado, que já não existe. É muito comum ouvirmos isso. Então as pessoas pensam em pneumonia, gripe ou até covid, ou seja, qualquer manifestação respiratória, mas não pensam em tuberculose. Nunca é demais repetir que para uma tosse prolongada, com três semanas ou mais, deve se pensar em tuberculose”, alerta.
Neste sentido, quem convive próximo da pessoa doente e aspira a bactéria, também pode adoecer. Calcula-se que, durante um ano, em uma comunidade, uma pessoa com tuberculose pulmonar ativa, sem tratamento, e que esteja eliminando aerossóis com bacilos, pode infectar, em média, de 10 a 15 pessoas. Por isso, é fundamental ficar atento aos sintomas. As manifestações mais comuns, que merecem atenção, são:
- Tosse, seca ou produtiva (com catarro), por 3 semanas ou mais;
- Febre vespertina;
- Sudorese noturna;
- Emagrecimento.
Os exames para diagnóstico da tuberculose e os medicamentos utilizados para tratamento estão disponíveis no SUS. Procure uma unidade de saúde em caso de sintomas.
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Ministério da Saúde
Testes para detecção de clamídia e gonorreia são ofertados no SUS
A Rede Nacional de Laboratórios do Sistema Único de Saúde (SUS) passou a ofertar testes para detecção de clamídia e da bactéria causadora da gonorreia. No total, foram investidos R$ 3,3 milhões no contrato para a realização dos serviços. Pela primeira vez, os exames serão ofertados de maneira definitiva no sistema de saúde brasileiro. A iniciativa está alinhada à estratégia global da Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa o fortalecimento da vigilância das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e o conhecimento da magnitude da carga dessas doenças na população geral e nos grupos sob maior vulnerabilidade.
Desde 1997, o Ministério da Saúde (MS) mantém parceria com a Rede Nacional de Laboratórios do SUS para a realização de exames de quantificação da carga viral do HIV. Em 2011 e 2012, foram incorporados os exames de carga viral das hepatites B e C. Em acréscimo, desde 2018, a Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órtese, Prótese e Meios Auxiliares de Locomoção (OPM) do SUS conta com os exames de clamídia e gonorreia para média e alta complexidade.
Contudo, segundo a coordenadora-geral de ISTs do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS (Dathi/SVSA/MS), Angélica Espinosa Miranda, embora existisse a possibilidade de aquisição dos testes pelos estados e municípios, a elaboração de uma estratégia para a implantação da testagem nos serviços de apoio diagnóstico e terapêutico das Redes de Atenção à Saúde (RAS) do país como um todo era uma medida de extrema relevância. “Entre 2021 e 2022, o Dathi, por meio da coordenação-geral de ISTs, realizou a ‘Estratégia Piloto da Rede de Laboratórios de Biologia Molecular para Detecção de Clamídia e Gonococo’, em parceria com estados, municípios, laboratórios públicos e serviços de atenção à saúde. Essa ação subsidiou a incorporação definitiva dos exames junto à rede em 2023”, conta.
Nesse contexto, os testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) – sigla que vem do nome do teste em inglês, nucleic acid amplification tests – são ferramentas eficazes para a vigilância das ISTs, pois sua utilização permite detectar os patógenos em uma única amostra. Os exames são úteis para a testagem de pessoas sem sintomas, permitindo o diagnóstico em tempo oportuno e o tratamento correto. Além disso, eles também possuem grande relevância para os casos em que foi necessária a instituição do tratamento de acordo com os sintomas. Isso porque, nessas situações, o profissional de saúde pode coletar uma amostra da pessoa durante o atendimento clínico e verificar o resultado na consulta de retorno, avaliando se o tratamento inicial foi correto, se é necessária outra intervenção clínica e qual o melhor direcionamento do tratamento das parcerias sexuais. O diagnóstico precoce e o tratamento correto de clamídia e gonorreia diminuem os riscos de complicações como infertilidade, doença inflamatória pélvica, gravidez fora do útero, entre outras.
Até o momento, o tratamento para clamídia e gonorreia vinha sendo realizado no Brasil principalmente com base em sinais e sintomas, sem que ocorresse a identificação etiológica do patógeno. Para o diretor do Dathi, Draurio Barreira, o investimento na inovação é mais uma ação para atender as prioridades do MS no cuidado integral às pessoas com ISTs, em particular as mais vulnerabilizadas. “Nossa intenção é que os Centros de Testagem e Aconselhamento [CTAs] e os Serviços de Atenção Especializada [SAEs] em ISTs sejam os principais parceiros na adesão aos testes, pois são estratégicos por já atuarem com pessoas vivendo com HIV, pessoas em uso de PrEP [profilaxia pré-exposição ao HIV] ou com indicação para PEP [profilaxia pós-exposição ao HIV], profissionais do sexo e outras pessoas com maior vulnerabilidade às ISTs. Com investimento em inovação científica e tecnológica e em gestão participativa, e derrubando barreiras impostas pelos determinantes sociais, conseguiremos dar uma resposta adequada às ISTs”.
Desde março deste ano, 82 laboratórios da Rede Nacional de Laboratórios do SUS vêm sendo preparados pela empresa ganhadora do certame para que possam executar o exame molecular para detecção qualitativa de clamídia e gonococo. Até junho, houve a instalação de 80% dos equipamentos, além da realização dos treinamentos necessários. Com o investimento do MS, os serviços de saúde poderão realizar a coleta de amostras no âmbito do contrato firmado pela pasta ministerial e encaminhá-las aos laboratórios de referência.
Todos os itens necessários à realização da testagem deverão ser fornecidos pela empresa contratada pelo Departamento, tais como insumos, treinamentos, manutenção dos equipamentos e assessoria técnico-científica. A contrapartida dos estados envolveu ações como a indicação de laboratório com a estrutura física adequada para o recebimento dos equipamentos, a organização do fluxo local de testagem e a disponibilização de profissionais que executarão o exame no laboratório da rede, assim como o monitoramento e avaliação dos dados do Sistema de Gerenciamento Laboratorial (GAL). Além disso, as unidades federativas também são responsáveis por verificar a disponibilidade dos medicamentos na rede para o tratamento de clamídia e gonorreia, conforme preconizado no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com ISTs (PCDT IST).
Infecções sexualmente transmissíveis
As ISTs são responsáveis por altas taxas de morbidade e por elevados custos em saúde pública no mundo todo. A OMS estima que mais de um milhão de novos casos de ISTs curáveis não virais ocorram diariamente no mundo em pessoas com idade entre 15 e 49 anos. Somente em 2020, isso correspondeu a 374 milhões de casos. Destes, cerca de 7 milhões foram casos de sífilis; 82 milhões, infecções por gonorreia; 128 milhões, por clamídia e 156 milhões por tricomoníase. Aproximadamente metade desses casos estava concentrada em países classificados como de renda média-alta, e o Brasil é um deles.
Em pessoas do sexo masculino, as ISTs causadas por clamídia e/ou gonococo ocorrem quase sempre de maneira sintomática, causando corrimento uretral. Já em pessoas do sexo feminino, essa infecção é predominantemente assintomática. A detecção precoce e o tratamento oportuno de clamídia e gonorreia são fundamentais, pois os casos não tratados de maneira adequada podem gerar danos graves e até irreversíveis à saúde.
O uso da camisinha interna ou externa em todas as relações sexuais, ou seja, orais, anais e vaginais, é o método mais eficaz para evitar a transmissão das ISTs, do HIV, da aids e das hepatites virais B e C. Além do preservativo, outras medidas de prevenção são importantes e complementares para uma prática sexual segura. A Prevenção Combinada associa diferentes métodos – ao mesmo tempo ou em sequência – conforme as características e o momento de vida de cada pessoa para a prevenção às ISTs, ao HIV e às hepatites virais. Todos esses métodos podem ser utilizados isoladamente pela pessoa, ou combinados. Entre os métodos existentes na Prevenção Combinada, estão:
- Testagem regular para o HIV, hepatites B e C, sífilis e outras ISTs, que pode ser realizada gratuitamente no SUS;
- Prevenção da transmissão vertical (quando o patógeno é passado para o bebê durante a gravidez, o parto ou a amamentação);
- Tratamento das ISTs e das hepatites virais;
- Imunização para o HPV e para as hepatites A e B;
- Programas de redução de danos para usuários de álcool e outras substâncias;
- Profilaxia pré-exposição (PrEP);
- Profilaxia pós-exposição (PEP);
- Tratamento de pessoas que vivem com HIV/aids (PVHA). Vale lembrar que uma pessoa com boa adesão ao tratamento atinge níveis de carga viral tão baixos que é praticamente nula a chance de que ela transmita o vírus para outras pessoas. Além disso, quem toma o medicamento corretamente não adoece e garante qualidade de vida.
Ministério da Saúde participa de Congresso da UFMS
O Ministério da Saúde participou do 8º Congresso do Centro-Oeste sobre Doenças Infecciosas Emergentes, Reemergentes e Negligenciadas (Diern), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que aconteceu entre 18 e 22 de setembro, em Campo Grande/MS. Na ocasião, profissionais do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs (Dathi) fizeram um panorama sobre a situação atual da tuberculose e micoses endêmicas oportunistas no Brasil.
A médica infectologista Maria Adelaide Millington, da Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM/Dathi/SVSA/MS) realizou a conferência "Vigilância e controle de Micoses Endêmicas e Oportunistas no Brasil - Avanços, desafios e perspectivas". Ela apresentou todo o processo de estruturação da vigilância epidemiológica das micoses endêmicas e oportunistas, desde as dificuldades até os avanços alcançados, e abordou as perspectivas da implantação da vigilância e estruturação da rede diagnóstica. Além disso, falou acerca da disponibilização dos antifúngicos, dos critérios e fluxos para dispensação dos medicamentos. Mais informações sobre micoses endêmicas e oportunistas podem ser acessadas aqui.
Já a consultora técnica Juliana Oliveira (CGTM/Dathi/SVSA/MS) participou da mesa redonda “É possível eliminar a tuberculose como problema de saúde pública?”, ao lado de Cleide Aparecida Alves, da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MS) e Aline Aparecida Monroe (Rede TB; Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP). Em sua exposição, ela abordou algumas informações em relação ao cenário epidemiológico da tuberculose, com destaque para o impacto da pandemia da covid19 nos indicadores operacionais da doença no país, especialmente o de mortalidade.
Juliana também informou as principais estratégias desenvolvidas pela CGTM, a exemplo do Plano Brasil Livre da Tuberculose, as ações de fortalecimento da vigilância, diagnóstico e tratamento da Infecção Latente da Tuberculose (ILTB), recomendações programáticas para as coordenações dos Programas de Controle da Tuberculose, bem como iniciativas que reforçam a importância da proteção social no cuidado das pessoas que adoecem por esse agravo. Para saber mais sobre tuberculose, clique aqui.
Diern
O Congresso tem como temática as doenças infecciosas e parasitárias como Covid-19, arboviroses, infecções fúngicas, infecções sexualmente transmissíveis, tuberculose, leishmanioses, resistências a antimicrobianos, dentre outros temas. O evento é uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias (PPGDIP) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Saúde debate o monitoramento de casos de tuberculose em mês de conscientização
O tratamento preventivo da tuberculose foi tema de mais um webinar do Ministério da Saúde nessa terça-feira (26). Seguindo a programação de palestras do mês da tuberculose, o evento proporcionou diálogos voltados a estratégias de vigilância em saúde para a prevenção da doença no Brasil.
Com o tema “Sem prevenção não há solução: avanços e desafios para a vigilância e tratamento da infecção pelo Mycobacterium Tuberculosis no Brasil”, a iniciativa do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS) contou com a moderação de Nildo Barros e as palestrantes Geisa Cervieri e Liliana Romero, da Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias não Tuberculosas (CGTM/Dathi), e Silvana Zanella do Programa Estadual de Controle da Tuberculose do Rio Grande do Sul (Pect-RS). A conversa teve como temas principais a vigilância da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) – quando uma pessoa é infectada pelo M. tuberculosis e o bacilo permanece “adormecido” no indivíduo – e ferramentas que auxiliam no diagnóstico e tratamento preventivo da tuberculose.
Uma das tecnologias essenciais para a vigilância dos casos de ILTB é o Sistema de Vigilância Nacional da Infecção Latente de Tuberculose (IL-TB), plataforma inclusa no Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose. Desde sua implantação em 2018, o Sistema visa ampliar a coleta de dados sobre o panorama geral da ILTB e permite a geração de informações para o cálculo de indicadores, monitoramento e avaliação das ações de vigilância da ILTB.
Fernanda Dockhorn, coordenadora-geral da CGTM, reforça a importância da notificação da ILTB para um melhor entendimento da dinâmica da doença em território nacional. “A notificação e acompanhamento das pessoas que iniciaram o tratamento preventivo da tuberculose por meio do Sistema gera informações que representam, de forma mais fidedigna, a realidade do país, subsidiando a tomada de decisão por parte dos gestores”. Experiências como a do Rio Grande do Sul, relatadas por Silvana Zanella, mostram que o uso do IL-TB permite também conhecer o perfil clínico e sociodemográfico dos casos.
Geisa Cervieri e Liliana Romero deixaram expressas em suas apresentações que, mesmo com os avanços do país no controle da doença, ainda há muito a ser feito e que as intervenções no diagnóstico e tratamento preventivo da tuberculose possuem um papel essencial no cumprimento das metas de eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil.
A programação de palestras sobre a tuberculose se estenderá até o mês de abril, com mais datas a serem anunciadas no canal da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) no Youtube, onde serão disponibilizadas as apresentações.
Boletim Epidemiológico da Tuberculose 2024
Em março, foi lançado a nova versão do Boletim Epidemiológico da Tuberculose, atualizando o panorama da doença no país. O documento informa o progresso da resposta da doença em nível nacional, regional e estadual no contexto de compromissos globais e nacionais, além de refletir o protagonismo do governo brasileiro e seus parceiros na agenda internacional da eliminação da tuberculose.
Entre os avanços do Brasil na resposta à doença, estão a criação do Comitê Interministerial para a Eliminação da Tuberculose e de Outras Doenças Determinadas Socialmente (Ciedds) que, em 2024, passou a coordenar o Programa Brasil Saudável.
O Boletim mostra que em 2023, o país registrou 80.012 casos novos de tuberculose, com os estados de Roraima, Amazonas e Rio de Janeiro despontando com maior incidência de casos. A maior proporção dos casos (69,2%) ocorreu em pessoas do sexo masculino. Observa-se também um aumento no número de casos registrados entre pessoas pretas e pardas, passando de 57,1% em 2013 para 65,2% em 2023.
Confira o Boletim completo no link.
Atuação da enfermagem no Brasil e na França será tema de webinar promovido pelo Ministério da Saúde
Em alusão ao Dia Internacional da Enfermagem, o Ministério da Saúde realizará, nesta sexta-feira (24), o webinar internacional “A Atuação da Enfermagem na Eliminação do HIV, da aids, da tuberculose, das hepatites virais e das infecções sexualmente transmissíveis: Estratégias do Brasil e da França”. Resultado do estágio realizado pelo consultor do Ministério da Saúde, Elton Carlos de Almeida, por meio do Programa de Cooperação Técnica entre os dois países, o evento será transmitido virtualmente por meio da plataforma webinar, das 9h às 10h30, e será voltado para profissionais e gestores de saúde, organização da sociedade civil e universidades.
A abertura será realizada pelo diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DATHI/SVSA/MS) Draurio Barreira e o evento contará com apresentação de Vencelau Pantoja, primeiro Secretário Conselho Federal de Enfermagem. Samy Yahioui, enfermeiro coordenador do Comité Etude information Drogue - Addictions – Plantérose – Bordeaux/France, irá palestrar a respeito de testagem para hepatite C e doenças do fígado em pessoas que usam drogas, e o coordenador da l’Equipe Mobile Hepatites – Centre Hospitalier de Perpignan/France, irá explicar sobre a experiência da equipe móvel de hepatite e a prescrição de antivirais diretos contra hepatite C, pelo enfermeiro. Para conferir a programação completa, acesse: https://webinar.aids.gov.br
Para o coordenador-geral de Vigilância de HIV, Aids e Hepatites Virais do Dathi, Artur Kalichman, essa será uma oportunidade de compartilhar experiências entre profissionais brasileiros e franceses na resposta ao HIV, à aids, à tuberculose, às hepatites virais e a outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). “Neste evento, queremos viabilizar discussões em diferentes contextos para subsidiar a construção de ferramentas, e, assim, conseguir eliminar as doenças e infecções que estão sob responsabilidade do Dathi, como problemas de saúde pública, até 2030”.
O evento será moderado por Elton de Almeida. Segundo ele, compreender como o sistema de saúde francês se organiza, principalmente, para acolher e ofertar cuidado humanizado às populações mais vulneráveis à infecção pelos vírus das hepatites B e/ou C, do HIV e de outras ISTs irá possibilitar importantes discussões e reflexões para o contexto brasileiro, principalmente sobre como os serviços e profissionais de saúde estão mobilizados e preparados para atender esse público no seu cotidiano, considerando as peculiaridades territorial, cultural e políticas, na perspectiva da integralidade.
Ministério da Saúde disponibiliza compilado de documentos que amparam a prescrição de PrEP e PEP por enfermeiros(as) e farmacêuticos(as)
O Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi) do Ministério da Saúde reuniu documentos referenciais que amparam a prescrição das profilaxias pré e pós-exposição de risco ao HIV (PrEP e PEP) por enfermeiros(as) e farmacêuticos(as) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa visa informar e apoiar a atuação desses(as) profissionais de saúde na rede e possibilitar a ampliação da oferta das profilaxias.
A PEP foi incorporada ao SUS em 1990 como forma de prevenção à transmissão do HIV em casos de acidentes com materiais biológicos. A partir de 2015, a indicação foi expandida em situações de violência sexual e exposição sexual consentida. Já a PrEP está disponível desde 2018 e, a partir de 2022, foi ampliada para quaisquer pessoas sexualmente ativas com 15 anos ou mais. Em 2020 e 2021, o Dathi, em conjunto com os Conselhos Federais de Enfermagem e Farmácia, passou a orientar a prescrição de ambas as profilaxias por profissionais dessas áreas, com o objetivo de diminuir o número de novas infecções por HIV no Brasil.
De acordo com o coordenador-geral de Vigilância de HIV, Aids e Hepatites Virais (CGAHV/Dathi/SVSA/MS), Artur Kalichman, a prevenção é um dos pilares para o controle da infecção por HIV no Brasil. “Esta gestão está trabalhando para facilitar o acesso aos métodos de prevenção ao HIV e com o cuidado da população, entendendo que, para isso, precisamos de uma resposta multiprofissional”.
O documento dispõe de orientações nacionais, estaduais e municipais, bem como informações que embasam a oferta e seguimento das profilaxias pelos profissionais da Enfermagem e Farmácia, observando as recomendações dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapeutas de PrEP e PEP vigentes.
Clique aqui para acessar o documento.
Lorany Silva e Ádria Albarado
Ministério da Saúde
Protagonismo da sociedade civil é destaque em programação de exposição que marca 40 anos da resposta brasileira ao HIV e à aids
No dia 4 de dezembro, no Túnel Sesi Lab, será realizado o debate “Vozes, lutas e conquistas: a sociedade civil na resposta à aids”, com o objetivo de valorizar o protagonismo de organizações da sociedade civil e do controle social na formulação e implementação de políticas públicas de HIV e aids, refletindo sobre como essa participação fez do Brasil uma referência mundial.
O evento é aberto ao público, mas para participar é necessário realizar inscrição no site da exposição, pois as vagas são limitadas. O encontro visa refletir sobre como a intensa participação popular foi crucial para os avanços e conquistas alcançadas. A ação contará com as seguintes pessoas convidadas:
- Adriano Caetano – Programa Brasil Saudável/MS
- Bruna Ravena – Fonatrans
- Bruno Kauss – Unaids
- Jaciara Pereira – RNP+ Brasil
- Jair Brandão – Dathi/SVSA/MS
- Jean Vinicius – Coletivo LGBT (MNU)
- Wendel Alencar – Dathi/CGHV/SVSA/MS
Para Draurio Barreira, a atividade é uma das principais na programação. “Nossa gestão reativou vários comitês e comissão de participação e controle social por reconhecermos as contribuições fundamentais para a resposta brasileira. Neste momento celebrativo e de novos desafios a serem superados, não poderia ser diferente”.
Exposição 40 anos da resposta brasileira à aids
Em 2025, o Ministério da Saúde comemora oficialmente os 40 anos da resposta nacional à epidemia de aids. Muitos foram os avanços da pauta, além dos diversos desafios ao longo dessas quatro décadas. Para marcar esta data, o Ministério da Saúde realiza, no Sesi Lab, a Exposição 40 anos da resposta brasileira à aids.
A mostra é um convite para reviver a história, resgatando as ações, estratégias, projetos e políticas públicas que colocaram o Brasil como referência global, destacando a parceria fundamental com a sociedade civil. A Exposição é aberta ao pública e poderá ser visitada entre os dias 2 de dezembro de 2025 e 30 de janeiro de 2025.
Acesse a programação completa da Exposição.
Talk show aborda 40 anos de inovação na prevenção ao HIV e à aids
Ao longo dos 40 anos da epidemia de HIV e aids o Brasil avançou consideravelmente nas abordagens e estratégias de prevenção à infecção e à doença. Para discutir os avanços históricos, o Ministério da Saúde promoverá, no próximo dia 5, o talk show “Da camisa de vênus à PrEP: 40 anos de inovação na prevenção do HIV”.
O evento promoverá um debate sobre a evolução das ferramentas e estratégias de prevenção ao longo das últimas quatro décadas, partindo da centralidade no preservativo (conhecido popularmente como “camisa de vênus” nos anos 1980 e 1990) até as modernas abordagens da Prevenção Combinada, que incluem as profilaxias pré e pós-exposição de risco ao HIV, PrEP e PEP).
A atividade faz parte da programação do Dezembro Vermelho – mês e cor internacionais de conscientização sobre HIV e aids – de 2025 promovida pelo Ministério da Saúde e é aberta ao público, mas para participar é necessário realizar inscrição no site. As vagas são limitadas. Os especialistas convidados são: Alexandre Grangeiro, Mikaella Reis e Vera Paiva.
Exposição 40 anos da resposta brasileira à aids
Em 2025, o Ministério da Saúde comemora oficialmente os 40 anos da resposta nacional à epidemia de HIV e aids. Muitos foram os avanços da pauta, além dos diversos desafios ao longo dessas quatro décadas. Para marcar esta data, o Ministério da Saúde realiza, no Sesi Lab, a exposição 40 anos da resposta brasileira à aids.
A mostra é um convite para reviver a história, resgatando as ações, estratégias, projetos e políticas públicas que colocaram o Brasil como referência global, destacando a parceria fundamental com a sociedade civil. A Exposição é aberta ao pública e poderá ser visitada entre os dias 2 de dezembro de 2025 e 30 de janeiro de 2025.
Acesse a programação completa da exposição.
Cinema Mostra Aids celebra 40 anos da resposta brasileira à epidemia com sessões no Sesi Lab
Como parte das atividades deste Dezembro Vermelho, o Sesi Lab receberá a 13ª edição da Cinema Mostra Aids. Com sessões nos dias 6, 7, 9 e 11 de dezembro, o evento integra a programação da exposição “40 anos da resposta brasileira à aids”.
A mostra homenageia a trajetória coletiva que consolidou o Sistema Único de Saúde (SUS) como uma referência mundial no cuidado, tratamento e promoção da qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e aids. O evento é aberto ao público, mas para participar é necessário realizar inscrição no site da exposição. As vagas são limitadas.
Criada em 1997, a Cinema Mostra Aids utiliza a linguagem cinematográfica e audiovisual como ferramenta para abordar a temática, estimular o debate e refletir sobre os desafios, conquistas e transformações relacionadas ao HIV.
A curadoria deste ano selecionou nove títulos, incluindo longas, médias e curtas-metragens de produção nacional e internacional. Os filmes abordam as diversas facetas da epidemia, desde seu início na década de 1980, o impacto do estigma, a luta do ativismo, e os desafios contemporâneos, como a influência da PrEP na sexualidade e a persistência do preconceito mesmo com os avanços no tratamento.
Filmes em Exibição
A seleção de 9 títulos que compõem a 13ª Cinema Mostra Aids inclui:
- Poder falar – uma autoficção (Dir. Evandro Manchini, Brasil, 2022)
- The normal heart (Dir. Ryan Murphy, EUA, 2014)
- Indetectável, intransmissível: o futuro da aids (Ministério da Saúde, Brasil, 2023)
- Longevidade posithiva (Dir. Evandro Manchini, Brasil, 2022)
- 120 batimentos por minuto (Dir. Robin Campillo, França, 2017)
- Posso te beijar? (Dir. Diego Oliveira, Brasil, 2018)
- Sete faces de uma guerra – o brasil contra a aids (Dir. Paulo Markun, Brasil, 2003)
- O cartaz positivo (Bossa Nova Films, Brasil, 2015)
- Tente entender o que tento dizer (Dir. Emília Silveira, Brasil, 2019)
Sobre o Grupo Pela Vidda/SP
O Grupo Pela Vidda/SP (Grupo Pela Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids) celebrou 36 anos de resposta à aids em agosto de 2025. A organização atua nacionalmente por meio do ativismo, da comunicação, da prevenção, do acolhimento e de ações voltadas à comunidade.
Exposição 40 anos da resposta brasileira à aids
Em 2025, o Ministério da Saúde comemora oficialmente os 40 anos da resposta nacional à epidemia de aids. Muitos foram os avanços da pauta, além dos diversos desafios ao longo dessas quatro décadas. Para marcar esta data, o Ministério da Saúde realiza, no Sesilab, a exposição “40 anos da resposta brasileira à aids”.
A mostra é um convite para reviver a história, resgatando as ações, estratégias, projetos e políticas públicas que colocaram o Brasil como referência global, destacando a parceria fundamental com a sociedade civil. A exposição é aberta ao pública e poderá ser visitada até 30 de janeiro de 2025.
Acesse a programação completa da exposição aqui.
Brasil reforça protagonismo na diplomacia da saúde em painel sobre os 40 anos da resposta à aids
O Ministério da Saúde participou, nesta sexta-feira (5), no SESI Lab, em Brasília, do painel “Diplomacia da Vida: o Brasil como potência”, parte da programação da exposição “40 anos da resposta brasileira à aids”. O debate reuniu representantes do Ministério da Saúde, do Itamaraty, de organismos internacionais e da sociedade civil para discutir o papel do Brasil na arquitetura global da saúde, especialmente na agenda de HIV e aids e direitos humanos.
O diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Draurio Barreira, moderou o painel e destacou a trajetória brasileira na construção de políticas baseadas na universalidade, equidade e defesa dos direitos humanos. “O Brasil escolheu caminhos próprios em momentos decisivos, sempre afirmando o acesso universal e a saúde como direito humano. Essa tradição nos consolidou como referência mundial”, afirmou.
Representando o Ministério das Relações Exteriores, Igor Barbosa, chefe da Divisão de Saúde Global/MRE, ressaltou que o protagonismo brasileiro é resultado direto do marco institucional garantido pela Constituição de 1988 e da atuação consistente do SUS. “A Constituição Cidadã e o SUS nos colocam em posição única no mundo. Onde vamos, falamos com orgulho de um sistema que integra acesso universal, não discriminação e justiça social — princípios que não são óbvios em muitos países”, afirmou. Ele também relembrou avanços promovidos por negociações internacionais lideradas pelo Brasil, como a Declaração de Doha, que assegurou o direito dos países de priorizar a saúde pública no acesso a medicamentos.
Marise Ribeiro, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Saúde, destacou que a cooperação entre o Ministério da Saúde e o Itamaraty foi essencial para transformar a experiência brasileira em referência global. “A política nacional de HIV e aids projetou o Brasil internacionalmente e mostrou que era possível garantir acesso universal em um país em desenvolvimento. Isso só foi possível graças à ação conjunta da sociedade civil, da diplomacia e do Ministério da Saúde”, afirmou.
A diplomata também ressaltou áreas nas quais o Brasil pode retomar a liderança global, como doenças negligenciadas, tuberculose, arboviroses, malária e negociações de preços de medicamentos, inclusive para doenças crônicas. “Se o Brasil não assumir a dianteira, dificilmente outro país o fará. Temos capacidade produtiva, diplomática e moral para avançar na cooperação internacional e ampliar o acesso a tecnologias em saúde”, completou.
Ao encerrar o painel, Draurio Barreira reforçou a importância da retomada do papel ativo do Brasil nos fóruns internacionais. “O Brasil voltou ao cenário global para reafirmar que a saúde é um direito e que seguimos comprometidos com a defesa da vida e com a resposta ao HIV e à aids”, concluiu.
João Moraes
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde reconhece êxito de experiências locais na prevenção do HIV e da aids
O Ministério da Saúde premiou, na última semana, as cinco mais bem avaliadas experiências inscritas na Chamada Pública para Mapeamento de Experiências Exitosas na oferta da Prevenção Combinada ao HIV. O edital buscou identificar, valorizar e dar visibilidade às iniciativas desenvolvidas em diferentes territórios do país, fortalecendo as políticas públicas de saúde e contribuindo para o compromisso de eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030.
Para o diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS), as experiências selecionadas também servirão de inspiração e referência para outras iniciativas do Sistema Único de Saúde (SUS), estimulando a disseminação de estratégias inovadoras e eficazes de prevenção. “A resposta brasileira ao HIV e à aids completou 40 anos e ao longo desse período, sempre tivemos o SUS, a ciência e a sociedade civil atuando para que superássemos os desafios e alcançássemos as conquistas que tivemos. Na atual gestão, não poderia ser diferente. As ações da ponta e todo o aprendizado que acumulam, podem fazer a diferença em diferentes lugares”, comenta Draurio Barreira.
No total, cerca de 100 experiências foram selecionadas e vão integrar uma publicação do Ministério da Saúde sobre o tema. Os(as) autores(as) das cinco mais bem avaliadas foram premiados(as) com passagens e diárias para conhecer a exposição “40 anos da resposta brasileira à aids” e participar da programação alusiva ao Dezembro Vermelho deste ano – realizadas em Brasília-DF – além de recebem placas de reconhecimento pelos projetos. “Esse reconhecimento teve uma grande repercussão para os autores das experiências, mas, principalmente, para a gente [CGHA], pois nos lembrou a importância de nossas políticas serem embasadas em evidências científicas, mas também na experiência de quem está na ponta fazendo prevenção nos territórios”, reconhece Artur Kalichman, coordenador-geral da CGHA.
Conheça as experiências premiadas:
- CTA/SAE Juara-MT Itinerante no Vale do Arinos: uma integração entre SUS e privado para orientações sobre prevenção combinada e testagem de IST em diferentes espaços
- Ocupe SUS Juventudes – Observatório de Práticas de Promoção, Prevenção e Assistência com foco em Saúde Sexual e IST/HIV/Aids
- Um Modelo de Prevenção Combinada do HIV e AIDS: o papel da Clínica do Homem na combinação do tratamento de IST com diagnóstico precoce e tratamento antirretroviral no mesmo dia
- Posithivas na Prevenção
- Primeira Linha de cuidados - Secretaria Municipal de Saúde de Oiapoque
As demais experiências que serão incluídas na publicação sobre Prevenção Combinada ao HIV estão disponíveis no resultado final do edital.
Oficina em Porto Alegre avança na construção da linha de cuidado das hepatites virais no Rio Grande do Sul
Encerrada nesta quarta-feira (10), em Porto Alegre (RS), a oficina de construção da linha de cuidado das hepatites virais no Rio Grande do Sul reuniu gestores, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil, com o objetivo de avançar na organização dos fluxos e estratégias de atenção às hepatites virais no estado.
O Ministério da Saúde (MS) vem promovendo ações direcionadas ao fortalecimento das estratégias de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, em alinhamento com a meta proposta pela OMS e pactuada pelo Brasil.
Desde 2024, estão sendo realizadas oficinas em diversos estados brasileiros. As atividades nos territórios visam disponibilizar ferramentas que apoiem gestores e profissionais de saúde no processo de construção da linha de cuidado das hepatites virais, de acordo com a realidade e as necessidades locais. Em 2025, foram promovidas oficinas nos estados do Amazonas, Roraima e Rondônia, sendo que a última do ano ocorreu em Porto Alegre. As oficinas seguem as diretrizes do Guia de Eliminação das Hepatites Virais, alinhadas à proposta do programa Brasil Saudável, e caracterizam-se como uma ação intersetorial de construção coletiva da linha de cuidado das hepatites virais, com representações de diversas secretarias do MS, além das coordenações estaduais e municipais de hepatites virais e de outras áreas estratégicas, profissionais da rede de saúde local, representantes de conselhos e ativistas de movimentos sociais.
Segundo o coordenador-geral de Hepatites Virais do MS, Mário Peribañez Gonzalez, “o objetivo da estratégia é garantir que as melhores práticas de atenção sejam implementadas, considerando a realidade de cada território. Essas oficinas desempenham um papel fundamental na construção de um sistema de saúde mais justo e integrado, com foco na descentralização do diagnóstico e tratamento das hepatites virais, construído de forma colaborativa e com a participação de entes de todas as esferas da gestão”.
Durante os três dias de atividade, os participantes trabalharam em grupos temáticos voltados à gestão, prevenção, diagnóstico, tratamento e vigilância. A metodologia adotada favoreceu a construção coletiva das estratégias.
A parceria entre o Ministério da Saúde e as coordenações estaduais e municipais de hepatites virais amplia a capacitação necessária para profissionais de estados e municípios e tem se constituído uma estratégia essencial para alcançar a meta de eliminação das hepatites virais no Brasil até 2030.
Os próximos passos da oficina incluem a discussão para pactuação da linha de cuidado, com definição de responsabilidades entre a atenção primária, os serviços especializados e a vigilância, além da elaboração de planos locais de ação.
As hepatites virais no RS
Entre 2019 e 2024, o Rio Grande do Sul registrou avanços importantes no enfrentamento às hepatites virais: houve redução de 51,8% nos óbitos por hepatite C e queda de 30% nos casos da infecção, conforme o Boletim Epidemiológico das Hepatites Virais 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde.
As hepatites A, B, C, D e E são infecções transmissíveis que afetam o fígado e exigem notificação compulsória. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta exames, incluindo testes rápidos, tratamento e estratégias de busca ativa em populações vulneráveis, como pessoas privadas de liberdade, usuários de álcool e outras drogas e pessoas que vivem com HIV.
O SUS também disponibiliza vacinas contra as hepatites A e B nas unidades de atenção primária. Já para a hepatite C — que não possui vacina, o tratamento oferecido pelo SUS tem taxa de cura superior a 95%.
João Moraes
Ministério da Saúde
Brasília sedia 132ª Reunião da Comissão Nacional de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs
O Ministério da Saúde realizou em Brasília (DF), na terça-feira (2), a 132ª Reunião da Comissão Nacional de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (CNAIDS). O encontro reuniu autoridades e representantes de entidades nacionais e internacionais, gestores e sociedade civil, que atuam na linha de frente ou no incentivo aos cuidados e direitos de pessoas vivendo com essas infecções e doenças, para discutir políticas públicas e o planejamento da resposta às epidemias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Organizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS), o evento integra a programação do “Dezembro Vermelho” que contempla, ainda, a campanha “Nascer sem HIV, Viver sem Aids”, lançada na segunda-feira (1º de dezembro) e a celebração dos 40 anos de resposta nacional ao HIV e à aids. As ações reforçam o compromisso institucional do MS e o investimento nos avanços da pauta e na meta de eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030, além de promover a inovação e a sustentabilidade da atuação.
A CNAIDS foi criada em 1986 e interrompida em 2019, e retomou as atividades - após reestruturação do atual governo - em abril de 2024. Foram debatidos, durante a 132ª edição da reunião, entre outros temas, o papel da Comissão na atual conjuntura, a utilização dos recursos do incentivo nos territórios e o controle social; o balanço da gestão de 2025; avanços, desafios e perspectivas do HIV e da aids; e também as temáticas da tuberculose, das micoses endêmicas; das microbactérias não tuberculosas; hepatites virais e ISTs.
Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, ainda há um risco crescente, em escala global, para as doenças mencionadas. No entanto, o Brasil pode contribuir não apenas no debate, mas nas ações que apresentam bons resultados. “Estamos num momento muito precário globalmente e o Brasil pode contribuir, uma vez que possui políticas públicas que, comprovadamente, estão dando certo no combate a essas doenças infecciosas que carecem de atenção. Acredito que estamos no único país que conheço onde os movimentos sociais influenciam a política pública diretamente. Isso é muito representativo”, enfatizou.
O diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Draurio Barreira, agradeceu a presença dos participantes advindos de diversos estados da Federação e apresentou os principais pontos da agenda de 2025, bem como a previsão para as ações de 2026. Após uma rodada de apresentações, convidou os presentes para expressarem de que forma acreditam que a CNAIDS pode ser mais efetiva, de modo a reforçar a participação social nas decisões.
Entre as instituições que integraram o debate, estiveram a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), a Healthcare Foundation (AHF), a Associação
Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP Brasil), o Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais (MBHV), a Rede Brasil de Pessoas Idosas Vivendo com AIDS, a Rede Trans Brasil, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, entre outras.
A CNAIDS A Comissão Nacional de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (CNAIDS) foi oficialmente criada em 1986, com papel consultivo dentro do Ministério da Saúde na elaboração de ações governamentais relacionadas às doenças mencionadas. É composta por representantes da sociedade civil, comunidade científica e instâncias do governo, e responsável, principalmente, por expor e debater as principais necessidades do setor, como a quebra de patentes de antirretrovirais e a implementação de programas de prevenção. A comissão assessora a Pasta, em especial o Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs (Dathi/SVSA/MS), na formulação das políticas públicas para a eliminação destas doenças. As atividades do colegiado buscam respostas eficazes para a proteção e a promoção da saúde das pessoas vivendo com essas infecções ou acometidas por essas doenças no âmbito do SUS.
As atividades da CNAIDS foram interrompidas em 2019 – o que enfraqueceu a política brasileira de combate ao HIV e à Aids – e foram reativadas em abril de 2024, com a realização da 128ª reunião, após alinhamento com as ações do “Programa Brasil Saudável: Unir para Cuidar”. O Brasil Saudável tem como objetivo enfrentar, por meio do trabalho intersetorial da gestão pública, bem como da sociedade civil, problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de pessoas em maior vulnerabilidade social.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
Brasil revisita 40 anos de resposta à aids em debate no Sesi Lab
O Ministério da Saúde participou, na sexta-feira (5), no Sesi Lab, em Brasília, de um dos principais debates do evento “O Brasil e o SUS como referências internacionais na resposta à aids”, que integra a celebração pelos 40 anos da resposta brasileira à epidemia. O painel reuniu representantes do governo federal, especialistas, organismos internacionais, sociedade civil e jovens ativistas, reforçando o papel do SUS e do movimento social na construção de políticas públicas que fizeram do Brasil uma referência global no enfrentamento ao HIV e à aids. Moderada por Anaraí Guarabyra, consultora nacional de HIV e aids da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a mesa contou com a participação do ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão e, da secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.
Logo na abertura, Douglas Santos, do Núcleo de Assuntos Internacionais da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS), destacou a importância do encontro no marco das quatro décadas de enfrentamento à epidemia. “Este painel nos permite revisitar a trajetória do SUS, a diplomacia da saúde, a cooperação internacional e as perspectivas para 2030”, afirmou.
Ao relembrar o processo que levou o Brasil a decretar a licença compulsória de um medicamento antirretroviral em 2007, Temporão ressaltou a ousadia e a coragem política que consolidaram a resposta brasileira. “Foi um momento ímpar. Consolidamos o direito ao tratamento universal, fortalecemos o SUS e afirmamos que a vida está acima das patentes”, disse. Ele compartilhou bastidores inéditos das negociações internacionais e destacou a postura decisiva do governo brasileiro. “O presidente Lula deu carta branca e bancou a decisão. Mostramos ao mundo que o Brasil não recuaria diante da pressão.” O ex-ministro lembrou ainda que a medida foi precursora do atual Complexo Econômico-Industrial da Saúde, reduzindo a dependência externa e estimulando a produção nacional de medicamentos estratégicos.
A secretária Mariângela Simão reforçou que a trajetória da epidemia de aids no Brasil está intimamente ligada à construção do SUS. “A trajetória da epidemia se confunde com a construção do nosso sistema de saúde. A universalidade e a participação social foram decisivas para que o Brasil se tornasse referência mundial”, afirmou. Ela destacou também a força do ativismo social, lembrando que o movimento de aids no país surgiu de forma híbrida, envolvendo profissionais de saúde, pesquisadores, gestores e organizações da sociedade civil. “Os conselhos, a mobilização social e a defesa dos direitos fundamentais moldaram a política brasileira”, observou. Ao comentar o cenário global, Mariângela chamou atenção para retrocessos no debate internacional. “Vivemos um contexto desafiador, com avanços de agendas conservadoras que buscam limitar direitos sexuais e reprodutivos. Nossa defesa é da vida e de políticas baseadas em evidências”, completou.
As discussões incluíram também questões sobre acesso a novas tecnologias, produção local e desafios relacionados a patentes. Mariângela destacou que fortalecer a capacidade produtiva nacional continua sendo prioridade. “O Brasil está retomando parcerias para desenvolvimento produtivo, buscando reduzir a dependência de tecnologias externas e garantir sustentabilidade ao SUS”, afirmou. A secretária ressaltou ainda o esforço atual para monitorar o vencimento de patentes e negociar preços de forma mais eficiente. “Não se trata apenas de economia, mas de tornar o Estado mais capaz de assegurar o acesso à saúde, especialmente em um cenário de forte contingenciamento de recursos.” Temporão complementou enfatizando o risco permanente do subfinanciamento. “A sustentabilidade do SUS depende de mobilização social. Negociação de preços, incorporação de tecnologias e produção nacional são batalhas que precisam da sociedade inteira”, afirmou.
O debate também trouxe à tona a preocupação com o aumento das infecções por HIV entre jovens de 15 a 29 anos. Representantes de coletivos juvenis pediram estratégias de comunicação mais eficazes para alcançar essa população. Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, reconheceu a urgência do tema e afirmou que o Ministério da Saúde está ampliando o uso das redes sociais para dialogar com os territórios digitais. “Precisamos melhorar, ouvir mais e construir estratégias junto com quem está nos territórios digitais”, disse.
Ao final, os participantes reforçaram que o Brasil chega aos 40 anos de resposta à aids com conquistas históricas — como o acesso universal à terapia antirretroviral, a produção de medicamentos e o forte ativismo social —, mas também com novos desafios impostos pelos cenários político, tecnológico e social. O encontro renovou o compromisso com políticas baseadas em evidências, a defesa da vida e o fortalecimento do SUS como pilar da resposta brasileira ao HIV e à aids.
João Moraes
Ministério da Saúde
Brasil inicia tratamento inédito para pessoas vivendo com aids e multirresistência a antirretrovirais
O Brasil iniciou o tratamento de adultos vivendo com aids com o antirretroviral fostensavir tromentamol 600mg, incorporado recentemente ao Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento é indicado para pessoas com multirresistência aos antirretrovirais (ARV) já disponíveis no país e a primeira dispensação do medicamento ocorreu esta semana no estado de Alagoas.
Para o diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS), Draurio Barreira, a disponibilização do medicamento representa uma importante conquista, pois atende pessoas vivendo com aids que têm alto risco de progressão da infecção e até a morte.
“O SUS [Sistema Único de Saúde] é referência internacional justamente por permitir os cuidados para a saúde integral da população. Esse medicamento é o primeiro fármaco aprovado de uma nova classe de antirretrovirais no mundo, chamada de inibidores de ligação. Nos estudos clínicos, ele demonstrou eficácia na supressão viral, além de ter perfil de segurança favorável e eventos adversos leves. Ou seja, o Brasil, mais uma vez, com uma das melhores tecnologias de tratamento”, conta o gestor com de orgulho.
O médico infectologista e consultor técnico do Dathi/MS, Ronaldo Hallal, explica que por representar uma das poucas opções terapêuticas destinada a um público específico e com critérios exclusivos, a avaliação e a liberação para o uso do medicamento são realizadas de forma centralizada pelo Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Vigilância de HIV e Aids (CGHA/Dathi/SVSA/MS). Para tanto, a Coordenação conta com a parceria de um grupo de especialistas para o manejo da terapia antirretroviral no Brasil. Os detalhes sobre indicações e formas de solicitação do medicamento podem ser acessados em Nota Técnica divulgada pelo Departamento.
A ministra da Saúde, Nísia Trindade, ressalta que mesmo com um custo elevado – aproximadamente R$12 mil por pessoa/mês – o tratamento foi incorporado para proporcionar maior qualidade e expectativa de vida para pessoas vivendo com HIV ou aids maiores de 18 anos que desenvolveram resistência aos outros antirretrovirais existentes no SUS. “A saúde é um direito universal e todas as pessoas importam”, afirma.
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, reafirma o compromisso da gestão no cuidado às pessoas. “A resposta da Vigilância em Saúde e Ambiente vai muito além que a contabilização e o monitoramento de casos de HIV e aids. Temos as melhores tecnologias para prevenção, diagnóstico e tratamento e, investir no cuidado às pessoas vivendo com HIV ou aids é garantir um direito básico”.
Swelen Botaro e Ádria Albarado
Ministério da Saúde
Pela primeira vez CNS tem representação de movimento social pela tuberculose
Na última semana foi realizada a eleição de entidades e movimentos sociais para a composição do Conselho Nacional de Saúde (CNS) durante o triênio 2024-2027. O Órgão possui caráter deliberativo e consultivo para fiscalizar e formular diretrizes para as políticas públicas de saúde no Brasil.
Pela primeira vez na história, o Conselho contará com a representação de uma entidade nacional que atua na defesa dos direitos das pessoas com tuberculose, a Articulação Social Brasileira para o Enfrentamento da Tuberculose (ART TB BR). Para Carlos Ebeling Duarte, representante da Articulação, esse é um grande passo para conquistas relacionadas à doença.
“No CNS a pauta de tuberculose sempre foi defendida pelas representações do Movimento Aids. Apesar de ser uma importante coinfecção e a principal causa de mortalidade das pessoas vivendo com HIV ou aids, a tuberculose é muito mais que isso. É uma das doenças mais antigas e mais negligenciadas no Brasil e no mundo, com um histórico muito importante de discriminação e estigma em relação às pessoas afetadas. Mesmo com estas características, a tuberculose e suas consequências têm pouca visibilidade”.
O Conselho Nacional de Saúde é composto por 48 conselheiros(as) titulares e seus respectivos primeiros e segundos suplentes, sendo 50% das vagas para representantes de entidades e dos movimentos sociais de usuários(as) do Sistema Único de Saúde (SUS). Além da ART TB BR, integram essa gestão o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, a Articulação Nacional de Luta Contra Aids, a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids e o Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais.
Para o assessor de articulação com movimentos sociais do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi) do Ministério da Saúde, Jair Brandão, é uma conquista histórica ter a ART TB BR na próxima gestão do Conselho Nacional de Saúde. Para ele, a representação do movimento social pela tuberculose vai somar aos outros coletivos de HIV e aids e das hepatites virais que foram reeleitos.
O diretor do Dathi/SVSA/MS, Draurio Barreira, afirma que a pluralidade e a representatividade de movimentos sociais são fundamentais para o fortalecimento da resposta nacional ao HIV, à aids, à tuberculose e às hepatites virais. “O envolvimento comunitário contribui para termos um olhar mais equitativo, inclusivo e de visibilidade das demandas das populações em situação de maior vulnerabilidade. A inserção e a integração dos coletivos de HIV, aids, tuberculose e hepatites virais no CNS, é uma forma de garantir que os problemas e as realidades de saúde enfrentados pelas populações atingidas por essas infecções e doenças tenham maior visibilidade e sejam considerados na construção de políticas públicas e alocação de recursos”.
Participação social
Para a atual gestão do Dathi/SVSA/MS, a parceria entre governo e sociedade civil é fundamental na construção de uma saúde pública acessível e de qualidade. Desta forma, foram reinstituídas a Comissão de Gestão em HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Coge), a Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais em HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Cams) e a Comissão Nacional de HIV e Aids, que agora também inclui Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs (Cnaids).
O Governo Federal também tem firmado seu compromisso com a instituição do Comitê Interministerial para a Eliminação da Tuberculose e de Outras Doenças Determinadas Socialmente (Ciedds) e do Programa Brasil Saudável, que são constituídos por 14 ministérios e parceiros estratégicos como as Organizações da Sociedade Civil. Ambas entidades visam eliminar infecções e doenças de determinação social enquanto problemas de saúde pública no Brasil.
Lorany Silva
Ministério da Saúde
Expansão da oferta de PrEP na Atenção Primária será tema de webinário
O Ministério da Saúde realiza, nesta terça-feira (19), o webinário Profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV na Atenção Primária à Saúde: desafios e oportunidades. O encontro on-line começa às 15h e as pessoas interessadas em participar poderão acompanhar por meio da página de oficinas e eventos.
O encontro faz parte da série Diálogos em Prevenção do HIV, promovida pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA).
Para o coordenador-geral de Vigilância do HIV e da Aids (CGHA), Artur Kalichman, a oferta da profilaxia na Atenção Primária em Saúde (APS) é fundamental para o alcance das metas de prevenção à infecção pelo vírus e o cuidado da saúde sexual das pessoas.
“O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a PrEP gratuitamente desde 2017, e ainda não observamos um amplo acesso e disponibilidade desse insumo nos serviços de saúde. A ampliação de serviços que oferecem essa ferramenta é essencial para diminuir as barreiras encontradas pelos usuários, permitindo um cuidado integral em saúde sexual e impactando na incidência do HIV na comunidade”, observa Artur Kalichman.
Além dele, o coordenador-geral de Saúde da Família e Comunidade (Cgesco), da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps), José Eudes Vieira, participará da abertura do webinário. Também estarão presentes Renata Mascarenhas, diretora de Atenção Primária à Saúde e Integração do Cuidado da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e, Beatriz Maciel, gerente de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O objetivo do evento é apresentar experiências de gestores que ampliaram a oferta da PrEP na APS em seus territórios.
Visando a expansão da oferta da profilaxia, a CGHA disponibiliza o Guia PrEP na APS. O Dathi oferece, ainda, o Painel PrEP para monitoramento e auxílio na tomada de decisão por parte de gestores de saúde.
Lorany Silva
Ministério da Saúde
Gestores, técnicos e representantes da sociedade civil no Ciedds e no Brasil Saudável fazem balanço das ações em 2024
Na manhã desta segunda-feira (16), gestores e técnicos do Comitê Interministerial para a Eliminação de Doenças Determinadas Socialmente e do Programa Brasil Saudável, se reuniram com representantes de organizações governamentais, da sociedade civil, organismos internacionais e de instituições de pesquisa para fazer um balanço geral das ações realizadas no âmbito do Comitê e do Programa durante 2024.
Draurio Barreira, coordenador executivo do Ciedds, destacou atividades como as visitas de prospecção aos territórios prioritários, a participação no G20 Social, as chamadas públicas com o total de R$ 46 milhões a serem investidos em pesquisas sobre infecções e doenças determinadas socialmente e a criação de programação orçamentária específica para o Brasil Saudável, com valor total de R$ 45 milhões.
Dentre as principais entregas relembradas, Draurio também citou a realização das oficinas de macroplanejamento, a incorporação da notificação compulsória das infecções por HTLV em gestantes e crianças e testagem pré-natal e a certificação pela eliminação da filariose linfática como problema de saúde pública, conquistadas este ano. Em 2025, a expectativa é solicitar a certificação pela eliminação da transmissão vertical de HIV à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Alda Maria da Cruz, coordenadora executiva substituta, também participou da reunião e destacou avanços relacionados a outras doenças, mencionando o *Inquérito Nacional de Prevalência da Esquistossomose mansoni e Geo-helmintoses (INPEG)*. Este estudo representa um marco no monitoramento das geo-helmintíases no Brasil, dando continuidade aos inquéritos nacionais realizados em 1949, sob a coordenação de Pellon & Teixeira, e em 1977, pelo Programa de Controle da Esquistossomose (PCE) do Ministério da Saúde.
O INPEG foi planejado para avaliar, por meio de amostras aleatórias, cerca de 220 mil escolares com idades entre 7 e 17 anos em 541 municípios das 26 unidades federativas e no Distrito Federal. Coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e financiado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, o inquérito utilizou o método Kato-Katz para o exame parasitológico de fezes, o mesmo utilizado em inquéritos anteriores.
Ainda, Alda destacou a relevância do Projeto de Lei n.º 1.108/2024, que propõe a criação da Semana Nacional de Enfrentamento às Parasitoses Intestinais, a ser realizada anualmente no período que inclua o dia 25 de junho. Essa iniciativa tem como objetivo reforçar as ações de sensibilização, prevenção e controle dessas doenças, alinhando esforços de instituições de saúde, educadores e comunidades no combate a esse importante problema de saúde pública.
Combinando o conhecimento gerado pelo INPEG e iniciativas legislativas como o Projeto de Lei n.º 1.108/2024, o programa Brasil Saudável pode avançar em direção a uma abordagem mais integrada e efetiva no enfrentamento das parasitoses intestinais, em especial as geo-helmintíases, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida da população, especialmente em áreas mais vulneráveis. Como próximos passos, o coordenador executivo enfatizou a elaboração de guias orientadores para as oficinas de microplanejamento e que estas devem ser realizadas com as pessoas dos territórios e não para elas. Também detalhou sobre a necessidade de qualificação do cuidado às populações mais vulnerabilizadas socialmente como populações negras, indígenas, quilombolas, pessoas privadas de liberdade, dentre outras. Segundo Draurio, serão reforçadas as ações de articulação e integração com iniciativas de outros Ministérios, a exemplo do Programa Ruas Visíveis – Moradia Cidadã.
Os participantes dialogaram a respeito das ações. Carla Almeida, da Articulação Social Brasileira para o Enfrentamento da Tuberculose, cobrou mais espaço para a participação ativa da sociedade civil e citou atividades em que as pessoas que a representam poderiam ter colaborado mais. Carla Diana, Anaids, destacou o quanto será importante o instrumento de transferência de renda para pessoas vulnerabilizadas e Vando Oliveira, demonstrou preocupação com o prazo para a eliminação das infecções e doenças, até 2030, e pediu por mais ações práticas.
Miguel Aragón, assessor de doenças transmissíveis da Opas, enfatizou a importância do Ciedds e do Brasil Saudável para o enfrentamento dos determinantes sociais que culminam em infecções e doenças que acometem populações vulnerabilizadas. Segundo ele, o prazo é curto para algumas doenças, mas o importante é o trabalho que vem sendo realizado com o objetivo de sair da inércia. “É uma grande oportunidade por colocar pesquisadores para buscar novas evidências científicas”, disse e citou exemplos de tecnologias como testes rápidos e profilaxias existentes para HIV. “Desafios temos muitos, mas o Brasil Saudável quer reunir recursos financeiros, humanos e outros espalhados pelos territórios no país para avançar nessa pauta”.
Em resposta aos questionamentos, Draurio pontuou que o tempo político e administrativo das ações foram recordes, pois o Ciedds foi criado em 45 dias após a demanda inicial e, o Brasil Saudável, nove meses depois. “Sabemos que o tempo corre diferente para as pessoas com as infecções e doenças, mas iniciativas como essas [Ciedds e Brasil Saudável] têm seu tempo político e administrativo. Fizemos grandes entregas mesmo sem recursos e esperamos que tenhamos muito mais a partir do momento que o recurso entrar”.
Ádria Albarado
Ministério da Saúde