Diagnóstico
No Brasil, o diagnóstico da tuberculose é feito conforme indicado no Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. Esse diagnóstico pode ser clínico, diferencial, bacteriológico, histopatológico, por imagem e por outros testes diagnósticos.
As orientações e recomendações para o diagnóstico laboratorial de micobactérias estão contidas no Manual de Recomendações para o Diagnóstico Laboratorial de Tuberculose e Micobactérias não Tuberculosas de Interesse em Saúde Pública no Brasil.
O diagnóstico laboratorial da tuberculose é fundamental tanto para a identificação de casos novos quanto para o controle do tratamento. Assim, o principal objetivo da rede de laboratórios para o controle da tuberculose deve ser detectar casos da doença, monitorar a evolução do tratamento e registrar a cura no fim do tratamento.
Como é feito o diagnóstico laboratorial da tuberculose?
Para o diagnóstico laboratorial da tuberculose, são utilizados os seguintes exames:
- teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) ou baciloscopia;
- cultura;
- teste de sensibilidade aos fármacos (medicamentos).
Qual a indicação de uso do TRM-TB?
O TRM-TB é considerado o método de escolha para identificar os casos novos de tuberculose pulmonar e extrapulmonar, pois fornece resultados em até uma hora e meia e necessita somente de uma amostra de escarro (catarro).
Além disso, também é indicado para detectar resistência ou suspeita de resistência ao medicamento rifampicina nos casos de retratamento ou falha no tratamento da tuberculose.
O TRM-TB não detecta micobactérias não tuberculosas.
Qual a indicação de uso da baciloscopia?
A baciloscopia de escarro deve ser realizada em duas amostras: uma amostra coletada no momento da identificação da pessoa com sintoma respiratório e outra amostra na manhã do dia seguinte, preferencialmente ao despertar.
A baciloscopia pode ser utilizada para identificar os casos novos de tuberculose pulmonar e extrapulmonar; porém, como é um exame muito sensível e específico, deve ser sempre acompanhada de cultura.
Além disso, a baciloscopia é o método utilizado para acompanhar o tratamento da tuberculose e para identificar os casos de retratamento.
Qual a indicação de uso da cultura?
A cultura é o teste que confirma o diagnóstico de infecção por micobactérias.
Ela deve ser realizada:
- Sempre que o diagnóstico inicial for realizado por meio de baciloscopia (independentemente do resultado);
- Quando as amostras examinadas no TRM-TB tiverem como resultado: “MTB detectado” (ou seja, o bacilo da tuberculose);
- No acompanhamento dos casos em tratamento, se a amostra da baciloscopia realizada no 2º mês de tratamento tiver resultado positivo;
- Em amostras de crianças, de pessoas vivendo com HIV e/ou aids, de pessoas com suspeita de tuberculose extrapulmonar e de pessoas em retratamento, independentemente do resultado do TRM-TB ou da baciloscopia;
- Quando houver suspeita de resistência ou falha no tratamento realizado; e
- Quando houver suspeita de infecção por bactérias não tuberculosas.
Qual a indicação de uso do teste de sensibilidade aos medicamentos?
O teste de sensibilidade detecta a resistência de uma amostra de Mycobacterium tuberculosis aos medicamentos utilizados no tratamento da tuberculose (isto é, se aquele bacilo vai responder ou não aos antibióticos) e é fundamental para guiar a indicação e a prescrição dos medicamentos, além de auxiliar no controle da tuberculose drogarresistente.
Todas as amostras positivas para tuberculose com confirmação laboratorial devem seguir para a pesquisa de resistência, com os testes fenotípicos (aparência do bacilo) e genotípicos (genética do bacilo) que estejam disponíveis na rede.
Além do diagnóstico laboratorial, a avaliação clínica é muito importante para o diagnóstico da tuberculose e o raio-X de tórax é indicado como um método complementar para esse diagnóstico.
Clique aqui e conheça as definições sobre o fluxo laboratorial para amostras suspeitas de tuberculose e de micobactérias não tuberculosas.
Como é realizado o diagnóstico laboratorial da ILTB?
A ILTB ocorre quando uma pessoa tem o bacilo Mycobacterium tuberculosis no corpo, mas não apresenta sinais da doença. As pessoas com ILTB têm mais chance de ficarem doentes, pois o bacilo pode ser reativado se a imunidade baixar. Diagnosticar e tratar a ILTB é uma das principais estratégias para quebrar a cadeia de transmissão da tuberculose e prevenir o desenvolvimento da doença.
O diagnóstico laboratorial da ILTB pode ser realizado por meio de dois testes diagnósticos: o IGRA (sigla para Interferon-Gamma Release Assay) e a prova tuberculínica.
O IGRA está indicado para o rastreio da ILTB nas seguintes populações:
- pessoas vivendo com HIV e/ou aids com contagem de CD4 > 350 células/mm³;
- crianças (entre 2 e 10 anos de idade) que tenham contato com casos de tuberculose ativa;
- pessoas candidatas a transplante de células-tronco;
- pessoas candidatas a transplante de órgãos sólidos;
- pessoas que farão ou estão em uso de imunobiológicos e/ou imunossupressores (medicamentos que baixam as defesas do organismo).
Clique aqui e acesse o vídeo sobre a coleta de amostra biológica e a realização do teste IGRA.
Já a prova tuberculínica é recomendada para as seguintes situações:
- na investigação de infecção latente em crianças, adolescentes e adultos (investigação de contatos);
- na investigação de tuberculose ativa em crianças, por meio do escore pediátrico;
- na avaliação periódica anual de profissionais de saúde e outros(as) profissionais com risco ocupacional de exposição à tuberculose, como trabalhadores(as) de instituição de longa permanência e do sistema prisional, entre outros.
Clique aqui e acesse o vídeo sobre a realização da prova tuberculínica.