Hepatite B

Publicado em 26/04/2022 10:30Modificado em 22/09/2025 10:23
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Qual o agente causador da hepatite B?

A hepatite viral B é causada por um vírus pertencent

Hepatite B

e à família Hepadnaviridae, o vírus da hepatite B (HBV). É um DNA-vírus envelopado, com fita de DNA dupla incompleta e replicação do genoma viral por enzima transcriptase reversa.

Hepatite B, o que é?

É uma doença infecciosa que agride o fígado, sendo causada pelo vírus B da hepatite (HBV). O HBV está presente no sangue e secreções, e a hepatite B é também classificada como uma infecção sexualmente transmissível. Inicialmente, ocorre uma infecção aguda e, na maior parte dos casos, a infecção se resolve espontaneamente até seis meses após os primeiros sintomas, sendo considerada de curta duração. Essa resolução é evidenciada pela presença de anticorpos chamados anti-Hbs.

Contudo, algumas infecções permanecem após esse período, mantendo a presença do marcador HBsAg no sangue. Nesses casos, a infecção é considerada crônica. O risco de a infeção tornar-se crônica depende da idade do indivíduo. As crianças, por exemplo, têm maior chance de desenvolver a forma crônica. Naquelas com menos de um ano, esse risco chega a 90%; entre um e cinco anos, varia entre 20% e 50%. Por essa razão, é extremamente importante realizar a testagem de gestantes durante o pré-natal e, caso necessário, realizar a profilaxia para a prevenção da transmissão vertical.

Em adultos, cerca de 20% a 30% das pessoas adultas infectadas cronicamente pelo vírus B da hepatite desenvolverão cirrose e/ou câncer de fígado.

Formas de transmissão

O HBV pode sobreviver por períodos prolongados fora do corpo e tem maior potencial de infecção que os vírus da hepatite C (HCV) e da imunodeficiência humana (HIV), em indivíduos suscetíveis. As principais formas de transmissão são:

  • Relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada;
  • Da mãe infectada para o filho, durante a gestação e o parto;
  • Compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos);
  • Compartilhamento de materiais de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam);
  • Na confecção de tatuagem e colocação de piercings, procedimentos odontológicos ou cirúrgicos que não atendam às normas de biossegurança;
  • Por contato próximo de pessoa a pessoa (presumivelmente por cortes, feridas e soluções de continuidade);
  • Transfusão de sangue (mais relacionadas ao período anterior a 1993).

Quais são os sinais e sintomas?

A história natural da infecção é marcada por evolução silenciosa, geralmente com diagnóstico após décadas da infecção. Os sinais e sintomas, quando presentes, são comuns às demais doenças crônicas do fígado e costumam manifestar-se apenas em fases mais avançadas da doença, na forma de cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre e dor abdominal. A ocorrência de pele e olhos amarelados é observada em menos de um terço dos pacientes com hepatite B.

Como é o diagnóstico?

A presença do HBsAg na amostra de sangue da pessoa estabelece o diagnóstico de hepatite B. A infecção crônica é definida pela presença de HBsAg reagente por pelo menos seis meses.

O Ministério da Saúde distribui testes rápidos na rede pública de saúde desde 2011. Todas as pessoas não vacinadas adequadamente e com idade superior a 20 anos devem procurar uma unidade básica de saúde para fazer o teste rápido para hepatite B.

O Ministério da Saúde mantém, em parceria com as Unidades da Federação, a Rede Nacional de Laboratórios/Serviços de Saúde para a Quantificação da Carga Viral do HBV, com a finalidade de ofertar os exames para diagnóstico e monitoramento das pessoas infectadas com o vírus da hepatite B. O Ministério também promove a contratação de prestação de serviços e aquisição de insumos, bem como monitora os laboratórios e serviços de saúde que executam os testes, a fim de garantir a qualidade dos exames ofertados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O “Manual da Rede Nacional de Laboratórios/Serviços de Saúde de Carga Viral do HIV/HBV/HCV, Detecção de Clamídia/Gonococo e Contagem de Linfócitos T-CD4+” foi construído com a finalidade de apoiar a gestão local e os profissionais executores da Rede. Por sua vez, as “Orientações para apoio à gestão dos testes laboratoriais para IST ofertados pelo Ministério da Saúde” têm como objetivo auxiliar a gestão da Rede de Laboratórios/Serviços de Saúde (Carga Viral do HBV) e de demais exames ofertados em modelo de prestação de serviço de testagem e parceria com instituições públicas. Ambos os documentos apresentam as principais atividades desenvolvidas, os sistemas utilizados, os materiais de referência e os papéis e responsabilidades dos atores envolvidos.

Ainda, foi elaborado o “Guia para Qualificação da Etapa Pré-Analítica dos Exames de Quantificação da Carga Viral do HIV/HBV/HCV e Detecção de Clamídia/Gonococo” para apoiar a gestão estadual/municipal, os laboratórios executores de exames e os profissionais das redes de atenção à saúde que atuam na oferta dos exames de quantificação da carga viral do HBV no que compete à qualificação das etapas prévias ao ensaio laboratorial, com vistas a ofertar um serviço de qualidade aos usuários do SUS.

Tratamento

Após o resultado positivo e confirmação, o tratamento será realizado com antivirais específicos, disponibilizados no SUS, de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite B e Coinfecções (PCDT Hepatite B).

Além do uso de medicamentos, quando necessários, é importante que se evite o consumo de bebidas alcoólicas.

Os tratamentos disponíveis atualmente não curam a infecção pelo vírus da hepatite B, mas podem retardar a progressão da cirrose, reduzir a incidência de câncer de fígado e melhorar a sobrevida em longo prazo.

Como se prevenir?

A vacinação é a principal medida de prevenção contra a hepatite B, sendo extremamente eficaz e segura. A gestação e a lactação não representam contraindicações para imunização.

Atualmente, a vacina para hepatite B está prevista no calendário de vacinação infantil. Além disso, o SUS disponibiliza a vacina nas unidades básicas de saúde para todas as pessoas, independentemente da idade. Caso você não seja vacinado ou não tenha feito as três doses da vacina, procure a UBS mais perto de você.

Além da vacina, outros cuidados ajudam na prevenção da infecção pelo HBV, como usar preservativo em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal – tais como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.

A testagem das mulheres grávidas ou com intenção de engravidar também é fundamental para prevenir a transmissão da mãe para o bebê. A profilaxia para a criança após o nascimento reduz drasticamente o risco de transmissão vertical.

Alguns cuidados também devem ser observados nos casos em que se sabe que o indivíduo tem infecção ativa pelo HBV, para minimizar as chances de transmissão para outras pessoas. As pessoas com infecção devem: i) ter seus contatos sexuais e domiciliares e parentes de primeiro grau testados e vacinados para hepatite B; ii) utilizar camisinha durante as relações sexuais se o parceiro não for imune; iii) não compartilhar instrumentos perfurocortantes e objetos de higiene pessoal ou outros itens que possam conter sangue; iv) cobrir feridas e cortes abertos na pele; v) limpar respingos de sangue com solução clorada; vi) não doar sangue ou esperma.

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