Monitoramento da qualidade da água para consumo humano
O monitoramento da qualidade da água para consumo humano compreende atividades de planejamento, coleta e análise laboratorial de amostras seguido da avaliação dos resultados quanto ao atendimento ao padrão de potabilidade estabelecidos nas legislações vigentes.
A rotina de monitoramento é executada no âmbito das atividades de Controle (responsável pelo abastecimento de água) e de Vigilância (setor saúde), possibilitando, por exemplo, a verificação da eficiência do tratamento da água e a integridade dos sistemas de distribuição. Realizado de forma sistemática, o monitoramento permite o conhecimento do histórico da qualidade da água das formas de abastecimento do país.
O controle e a vigilância da qualidade da água para consumo humano são definidos como:
| Controle da qualidade da água para consumo humano | Conjunto de atividades exercidas regularmente pelo responsável pelo sistema ou por solução alternativa coletiva de abastecimento de água, destinado a verificar se a água fornecida à população é potável, de forma a assegurar a manutenção desta condição. |
|---|---|
| Vigilância da qualidade da água para consumo humano | Conjunto de ações adotadas regularmente pela autoridade de saúde pública para verificar o atendimento à Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano e avaliar se a água consumida pela população apresenta risco à saúde. |
Monitoramento de controle
O monitoramento do Controle da qualidade da água deve ser realizado segundo o plano de amostragem disciplinado na Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano, que define os parâmetros a serem analisados, a frequência de monitoramento e estabelece um número mínimo de amostras, conforme o ponto de amostragem do Sistema de Abastecimento de Água (SAA) ou da Solução Alternativa Coletiva (SAC).
O Padrão de Potabilidade é composto por mais de cem parâmetros, os quais estão organizados nos conjuntos de anexos: microbiológico; substâncias químicas que representam risco à saúde – inorgânicas, orgânicas, agrotóxicos e metabólitos, subprodutos da desinfecção; cianotoxinas; radioatividade; e organoléptico.
Monitoramento de Vigilância
O monitoramento realizado no âmbito da Vigilância da qualidade da água para consumo humano é orientado pela Diretriz Nacional do Plano de Amostragem de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, que detalha como devem ser elaborados e implementados os planos de amostragem do setor saúde.
A Diretriz Nacional apresenta orientações, às equipes de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano das Secretarias de Saúde dos Estados, Municípios e do Distrito Federal, para elaboração dos planos de amostragem em situações de rotina, em eventos de massa, desastres ambientais e surtos de doenças ou agravos associados à água para consumo humano, bem como para o monitoramento de parâmetros identificados como prioritários no território, como metais ou agrotóxicos.
Importante: O monitoramento da qualidade da água em Soluções Alternativas Individuais (SAI) é realizada apenas pelo setor saúde, não sendo de competência do Controle.
Conheça os Planos
Plano de Amostragem Básico
O plano de amostragem básico é composto por parâmetros indicadores da qualidade microbiológica da água para consumo humano, sendo: turbidez, residual de desinfetante e coliformes totais/Escherichia coli. Além desses, o fluoreto compõe o plano básico por seu significado de saúde em função de deficiência ou excesso: prevenção de cáries ou da fluorose, respectivamente.
A Diretriz Nacional do Plano de Amostragem da Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano define o número mínimo mensal de análises, por município, em função das faixas populacionais e constitui um quantitativo único a ser distribuído para o monitoramento da qualidade da água, considerando as três possíveis formas de abastecimento de água presentes no território: Sistema de Abastecimento de Água (SAA), Solução Alternativa Coletiva de (SAC) e Solução Alternativa Individual (SAI).
A elaboração do plano de amostragem básico pode ser orientada pelas estratégias abordadas na Diretriz descrita acima:
| Levantamento das Informações de Interesse | Caracterização geográfica das áreas abastecidas e dos Sistemas e Soluções Alternativas de Abastecimento de água com o intuito de conhecer previamente dados sobre a bacia contribuinte e mananciais de captação de água para abastecimento, infraestrutura empregada nas estações de tratamento de água e nos sistemas de distribuição, população coberta pelo abastecimento de água, entre outros; |
|---|---|
| Definição dos pontos de coleta das amostras | Pode ser realizada por meio de uma composição entre pontos críticos e não críticos, fixos e variáveis com a representatividade das amostras podendo ser alcançada por meio da identificação de vulnerabilidades e de distribuição espacial das coletas; |
| Procedimento e programação de coleta de amostras de água para consumo humano | A implementação do plano de amostragem elaborado deve, inicialmente, contar com o planejamento das coletas com prévia articulação com o laboratório de saúde pública que receberá as amostras, além do conhecimento das instruções de coleta, preservação e transporte das amostras. |
Plano de Monitoramento Específico
O Plano de Monitoramento Específico da água para consumo humano deve ser elaborado pelos técnicos da Secretaria de Saúde dos estados, Distrito Federal e municípios, considerando as especificidades regionais e locais e a importância para a saúde pública. Deve conter quais os parâmetros (substâncias e/ou microrganismos) de interesse, o número de amostras, o período e a frequência de monitoramento. A definição dos parâmetros a serem monitorados pode ser subsidiada pelos parâmetros que compõe a Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano, mas outros parâmetros podem ser escolhidos devido à sua importância no território.
A seleção dos parâmetros a serem monitorados, deve considerar, quando forem substâncias químicas, como compostos inorgânicos, por exemplo o potencial de toxicidade das substâncias que podem estar presentes na água; a intensidade de uso dessas substâncias; dados de ocorrência e potencial de ocorrência em mananciais de abastecimento e na água tratada; metodologias analíticas para detecção nas amostras de água.
Plano de Monitoramento para Eventos de Saúde Pública (ESP)
Entende-se por Evento de Saúde Pública (ESP) a situação que pode constituir potencial ameaça à saúde pública, como a ocorrência de surto ou epidemia, doença ou agravo de causa desconhecida, alteração no padrão clínico epidemiológico das doenças conhecidas, considerando o potencial de disseminação, a magnitude, a gravidade, a severidade, a transcendência e a vulnerabilidade, bem como epizootias ou agravos decorrentes de desastres ou acidentes
O Plano de Monitoramento para Eventos de Saúde Pública (ESP) deve ser elaborado pelas Secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios na ocorrência de eventos de saúde pública (desastres ambientais, surtos ou epidemias, acidentes com produtos perigosos, etc.). O monitoramento da qualidade da água pode ser ampliado e novos parâmetros podem ser analisados de acordo com as especificidades de cada evento.
A ampliação do plano de amostragem deve considerar a definição dos pontos/locais de coleta de amostras e os parâmetros a serem analisados, com vistas à identificação do agente, químico ou biológico, e de possíveis fontes de contaminação, bem como à implementação de medidas de controle e ações corretivas.
Plano de Monitoramento de Agrotóxicos
A Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano estabelece valores máximos permitidos (VMP) para a ocorrência de 40 parâmetros de agrotóxicos, reconhecendo que a exposição humana a resíduos dessas substâncias pode ocasionar efeitos adversos à saúde. Determina também que os responsáveis por sistemas de abastecimento de água (SAA) e soluções alternativas coletivas (SAC) realizem o monitoramento desses 40 parâmetros segundo plano de amostragem nela definido. Saiba mais!