No Brasil, a pessoa idosa é aquela com 60 anos ou mais, conforme definido pelo Estatuto da Pessoa Idosa. O País tem cerca de 36 milhões de pessoas nessa faixa etária (IBGE, 2024), aproximadamente 17% da população. Com um crescimento médio estimado em 1,1 milhão de idosos por ano, o envelhecimento populacional é uma realidade concreta e irreversível.
Isso representa um importante ganho social, resultado da melhoria das condições de vida, incluindo a ampliação do acesso a ações e serviços de promoção da saúde e prevenção de doenças, avanços nas tecnologias de saúde, aumento da cobertura de saneamento básico, maior nível de escolaridade e renda, entre outros determinantes sociais da saúde, e a garantia de todos esses direitos sociais.
Perfil de saúde no envelhecimento
O envelhecimento é um processo heterogêneo, que decorre da interação entre aspectos orgânicos, funcionais, psicossociais e ambientais. Por isso, o cuidado com a saúde deve ir além da identificação de doenças, considerando também a funcionalidade, o contexto de vida e o suporte social. Tradicionalmente, a atenção às pessoas com 60 anos ou mais esteve centrada em:
- doenças crônicas não transmissíveis (como hipertensão e diabetes) e descompensações a elas relacionadas
- agravos agudos, como quedas, traumas e infecções
No entanto, a presença de condições crônicas ou disfunções orgânicas não implica, necessariamente, perda de autonomia ou independência. Uma abordagem atualizada e centrada na pessoa reconhece que o estado de saúde na velhice não pode ser reduzido à presença ou à ausência de diagnósticos clínicos.
Embora frequentes e relevantes, esses agravos não esgotam a compreensão do processo de envelhecimento. A idade cronológica ou a presença de condições crônicas não implicam, necessariamente, perda de autonomia ou independência. Assim, o cuidado deve incorporar uma perspectiva ampliada, com abordagem centrada na pessoa e que reconheça que o estado de saúde na velhice não pode ser reduzido à presença ou à ausência de diagnósticos clínicos.
O que o sus oferece
A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) estabelece diretrizes para a atenção integral a quem tem 60 anos ou mais no Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é recuperar, manter e promover a autonomia e a independência funcional, reconhecendo o envelhecimento como um processo natural e heterogêneo. Na prática, a política:
- orienta a organização das redes de atenção, assegurando cuidado contínuo e integral
- promove o envelhecimento saudável, a prevenção de agravos e a redução de incapacidades
- fortalece a importância da avaliação multidimensional da pessoa idosa
- prevê a integração com outras políticas e setores, como assistência social e direitos humanos, fortalecendo ações comunitárias e domiciliares e oferecendo suporte a cuidadores e famílias
A PNSPI é um instrumento essencial para responder ao rápido crescimento da população idosa no País e garantir acesso a cuidados qualificados, centrados na funcionalidade e na qualidade de vida!
Avaliação multidimensional
A avaliação multidimensional da pessoa idosa pelos profissionais do SUS identifica necessidades de prevenção e de intervenção, permitindo estratificar as pessoas conforme o grau de vulnerabilidade e a necessidade de suporte e cuidado. Para isso, foi incorporado ao prontuário eletrônico do e-SUS APS o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20).
O IVCF-20 é um instrumento de aplicação rápida (de 5 a 10 minutos) que pode ser utilizado por todos(as) os(as) profissionais de saúde de nível superior ou médio, além de profissionais das equipes do Sistema Único de Assistência Social (Suas) para:
- auxiliar na identificação oportuna do risco de declínio funcional
- facilitar o planejamento de cuidados personalizados e interprofissionais
- favorecer o diálogo entre os(as) profissionais de saúde, qualificando a discussão de casos e o trabalho em equipe
- qualificar o acompanhamento longitudinal de saúde da população idosa, por meio do histórico de registros do instrumento, apoiando a avaliação da efetividade das intervenções
- articular a Rede de Atenção à Saúde, aprimorando o acesso aos serviços especializados e a comunicação na rede aperfeiçoar a gestão de dados e o monitoramento da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.
Promoção da Saúde e Redução de riscos
Prevenção de Quedas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como queda o que acontece quando uma pessoa, sem querer, perde o equilíbrio e acaba indo parar em um nível mais baixo do que estava, sem conseguir evitar. As quedas são um importante problema de saúde pública no mundo, especialmente entre pessoas idosas, pois podem trazer impactos para a saúde, o bem-estar e a vida social.
O País tem cerca de 36 milhões de pessoas nessa faixa etária (IBGE, 2024). Estimativas da OMS indicam que cerca de 28% das pessoas idosas sofrem ao menos uma queda por ano, o que corresponde a aproximadamente 9 milhões de quedas anuais no País. Esses dados reforçam a importância de investir em ações de prevenção e cuidado.
Com o envelhecimento, algumas defesas naturais do corpo — como força muscular, equilíbrio, reflexos e visão — podem diminuir, aumentando o risco de quedas. No entanto, as quedas não devem ser consideradas normais do envelhecimento. Elas funcionam como um sinal de alerta para a necessidade de aprimorar os cuidados com a saúde e com o ambiente em que a pessoa idosa vive.
As quedas podem causar fraturas, traumatismos cranianos, contusões musculares e gerar medo de cair novamente, o que pode levar à redução da mobilidade, perda de autonomia e dependência de cuidados.
Como prevenir quedas?
A prevenção envolve cuidados com a saúde, com o ambiente e com os hábitos do dia a dia. Para ter mais segurança, seguem algumas orientações:
- Informe à equipe de saúde se você teve quedas ou episódios de desequilíbrio nos últimos 12 meses;
- Se possível, tenha corrimão dos dois lados nas escadas e corredores da casa;
- Use sapatos fechados, com solado firme e antiderrapante;
- Evite andar em locais com piso molhado ou escorregadio;
- Mantenha a casa livre de obstáculos, como móveis mal posicionados ou objetos espalhados;
- Tenha cuidado com animais de estimação circulando pela casa;
- Evite tapetes soltos, fixe-os bem no chão e prefira os que são antiderrapantes;
- Evite encerar o chão da casa
- Evite usar medicamentos por conta própria e mantenha o acompanhamento regular com a equipe de saúde
- Leve às consultas a lista de todos os medicamentos que utiliza, inclusive os sem receita, pois alguns podem aumentar o risco de quedas
- Deixe uma luz acesa à noite, caso precise se levantar
- Aguarde o ônibus parar completamente antes de subir ou descer
- Atravesse a rua sempre na faixa de pedestres
- Se indicado por profissional de saúde, utilize bengala, andador ou outro dispositivo de apoio conforme orientação
Mais dicas práticas:
- Fale: converse com profissionais de saúde, familiares e cuidadores sobre quedas e tropeços, informando quando, como e onde ocorreram
- Movimente-se: praticar atividades físicas que fortalecem os músculos e melhoram o equilíbrio ajuda a reduzir o risco de quedas
- Veja: realize exames de vista regularmente e atualize os óculos quando necessário
- Cuide dos pés: faça avaliação periódica dos pés, especialmente se tiver diabetes, e utilize calçados adequados
- Cuide da casa: a maioria das quedas acontece no domicílio. Garanta boa iluminação, instale barras de apoio, especialmente no banheiro, e mantenha o ambiente organizado e seguro
A prevenção de quedas é uma ação fundamental para promover a autonomia, a segurança e a qualidade de vida das pessoas idosas, contribuindo para um envelhecimento mais saudável e ativo.